Esportes

“Mais odiada” do UFC, Bethe vê crítica como ibope e explica rixa com Cyborg

Bethe antes até pensava em subir de categoria para uma possível luta contra quem idolatrava – Divulgação

Bethe Correia pode não estar entre as lutadoras mais populares do MMA. E ela não está nem aí para isso. Com luta marcada para este sábado no UFC Cingapura contra a ex-campeã Holly Holm, a brasileira disse que manterá seu estilo autêntico e sincero e pouco se importa com um “título” que ela mesmo se ofereceu: a de lutadora mais odiada da organização.

Em entrevista, a lutadora analisou a sua condição dentro e fora os octógonos e não se esquivou de questões polêmicas, como a recente discussão com Cris Cyborg. “Implicância” com a sua postura ou não, ela só tem uma certeza: não perderá a sua autenticidade.

“Acho que sou a mais odiada do UFC. Não sei se é implicância… Mas muitas coisas do que falo elas também gostariam de falar, e vejo um pouco de raiva”, disse a lutadora.

“Eu acho que às vezes as pessoas me entendem muito mal, as pessoas acham que eu estou querendo provocar. Mas tenho coragem, eu não tenho receio e não tento esconder o que penso. Eu não me importo. Sou o que sou por causa da minha autenticidade. Quem não gosta de mim, dá ibope”, completou.

Não à toa, uma das personalidades que mais admira no UFC é o irlandês Conor McGregor, lutador também sem papas na língua. “Eu acho que são estilos diferentes, sou muito comunicativa. Ele é bem diferente, mas eu acho ele máximo. Vai demorar para ter alguém como ele dentro do UFC”, disse.

Fim da admiração

Entre as rusgas recentes, a que mais chama atenção é com a também brasileira Cris Cyborg. Em março, as duas trocaram farpas nas redes sociais depois que Cyborg postou um vídeo com a “dancinha” que Bethe fez após sua luta contra Marion Reneau, no UFC Fortaleza.

A atitude foi a gota d´água para que a admiração virasse decepção. Bethe antes até pensava em subir de categoria para uma possível luta contra quem idolatrava, mas agora só quer seguir um caminho diferente do trilhado por Cris Cyborg.

“Eu estou muito bem na minha categoria, eu pensei em lutar com ela não por rixa, mas por admiração, coisa que não tenho mais por causa desta postura dela dentro do UFC. Ela vem me decepcionando como quando postou a dança no octógono. Eu sou a lutadora do UFC que mais sofro críticas e nem por isso tenho essa postura. Perdi o respeito. Que ela siga o caminho dela e eu o meu”, disse.

Curiosamente, Cyborg recentemente reclamou de sofrer bullying de internautas depois de uma briga com Angela Margana.

Atitude também no octógono 

Polêmicas à parte, Bethe Correia também não alivia quando trata de suas pretensões dentro do octógono. Apesar de no momento ocupar a 11ª colocação do ranking do peso galo, ela já adiantou o que pretende fazer em caso de vitória sobre Holly Holm.

“Na repercussão, com o nome que ela tem, (vencer) me torna uma possível concorrente. Se vencer, eu vou pedir (uma luta pelo cinturão)”, afirmou a brasileira, que em 2015 perdeu a disputa pelo título contra Ronda Rousey. Holly Holm, por sua vez, venceu Ronda, mas vem de três derrotas seguidas.

Na luta pela afirmação das duas dentro das categorias, Bethe Correia acha que pode levar vantagem por ser mais completa do que a rival. Holm começou no boxe e tem como principal trunfo a “trocação”.

“Eu acho que ela tem histórico no mundo do boxe, mas a coisa é diferente no MMA. Confio muito no meu treino, vou encurtar a distância, vou lutar no MMA. Cautela sempre tenho, mas na minha postura sou sempre dominante. Confio mesmo na minha tática e estilo. Eu já comecei no MMA”, disse.

A luta será a principal do UFC Cingapura. Para Bethe Correia, prova de que o UFC feminino já tem o respeito adquirido dentro do MMA. “Eu acho que está bem equiparado (em relação aos homens). Falta mais mulheres entrarem para termos mais categorias, mas de respeito estamos muito bem. Estamos na Ásia e faremos a luta principal”, disse.

Ao seu estilo, Bethe Correia dá a sua contribuição para que o MMA feminino seja cada vez mais respeitado. Dentro e fora do octógono.

Fábio de Mello Castanho

Folhapress

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Subir