Dia a dia

Mais de 2 mil indígenas vão às ruas em defesa dos seus direitos

 Os indígenas vão reivindicar a preservação de valores culturais e históricos, igualdade social e o fortalecimento de políticas públicas – Agência Brasil.

A luta pela preservação cultural, direito à terra, à saúde e à própria existência pretende levar hoje às ruas de Manaus 2 mil lideranças indígenas de 30 municípios do Estado. O movimento denominado Marcha da Resistência, em alusão ao Dia do Índio, celebrado hoje, irá até a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e, posteriormente, à Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Segundo o diretor-presidente da Fundação Estadual do Índio (FEI), o indígena Raimundo Atroari, o objetivo do movimento é fazer um protesto pacífico, bem como reivindicar os direitos dos povos indígenas.

“Este é o terceiro ano que fazemos isso, e teremos uma audiência pública na Assembleia Legislativa para debater sobre como nós estamos sendo tratados aqui no Amazonas. Na UEA, nós faremos um debate sobre a questão das cotas e também falaremos sobre a saúde indígena”, disse o diretor-presidente da FEI.

Gersem Luciano Baniwa, liderança indígena, filósofo e mestre e doutor em antropologia social e presidente do Conselho Curador do Fundo Brasil, afirma que o momento é muito preocupante e precisa ser enfrentado com mobilização e reação.

Ao menos 400 indígenas participaram de um protesto parecido em julho de 2016 ato – Arquivo EM TEMPO

“Há um forte processo de ameaça aos direitos indígenas. E a partir disso estamos intensificando a luta”, afirma o conselheiro. “Temos que reagir e estamos reagindo”. Entre os retrocessos, estão os ataques aos direitos territoriais, por meio de medidas legislativas como a PEC 2015, que tenta transferir a demarcação de terras indígenas para o Congresso Nacional, onde muitas decisões políticas são influenciadas pela bancada ruralista”, afirma.

Gersem diz que atreladas às questões territoriais estão outras perdas de direitos nas áreas da saúde, educação e economia. A desestruturação de instituições governamentais indigenistas também faz parte do que o conselheiro define como “avalanche de pacotes de maldades”. “O desmonte da Funai (Fundação Nacional do Índio) não é uma ameaça. É um fato. A Funai pode ter mil problemas, mas ainda é o órgão que defende os direitos indígenas”, exemplifica.

Programação

Amanhã, a marcha segue para a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Secretaria Municipal de Educação (Semed) e Fundação Nacional do Índio (Funai), onde mais projetos serão debatidos
pelas lideranças.

As programações em alusão ao Dia do Índio acontecem na capital e em diversos polos indígenas no interior do Estado, como São Gabriel da Cachoeira, Lábrea, Manicoré e Benjamin Constant.

EM TEMPO

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