Dia a dia

Mães buscam reabilitação para reconquistar filhos

A unidade de tratamento já atendeu mais de 170 mães, das quais várias tiveram problemas com o Juizado da Criança e do Adolescente por conta da dependência química - foto: divulgação

A unidade de tratamento já atendeu mais de 170 mães, das quais várias tiveram problemas com o Juizado da Criança e do Adolescente por conta da dependência química – foto: divulgação

O amor de mãe não acaba nunca, nem mesmo quando se chega ao fundo do poço por conta das drogas. Assim vivem as mães que procuram tratamento no Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, localizado no quilômetro 53 da rodovia AM-010 (Manaus – Itacoatiara). Elas duelam contra a dependência química com o objetivo de recuperar a confiança de suas famílias e resgatar seus filhos que foram “perdidos” por conta do vício.

Lidiane Carvalho Almeida, 29, convive com esse problema. Após ser denunciada por um de seus familiares, ela perdeu a guarda de seus dois filhos, que atualmente moram com sua avó. A droga fez com que Lidiane fosse morar na rua, por conta disso perdeu o que de mais precioso tinha. “Na hora que fiquei sabendo que o Conselho Tutelar iria tomar meus filhos eu estava sob o efeito de drogas e não dei muita importância, mas agora que a ficha caiu sinto muito medo de perder meus filhos para sempre. Eles são tudo para mim”, conta emocionada Lidiane.

Somente com ajuda médica ela está conseguindo superar parte dos problemas adquiridos pelo uso abusivo de entorpecentes. A jovem carrega em sua história marcas do que é viver longe da mãe. Quando ainda era um bebê, Lidiane foi entregue pela mãe para ser criada por uma tia-avó. Ela afirma que sempre teve o apoio da mãe de criação e da avó paterna, porém sentia falta da mãe biológica.

“Minha mãe de criação é muito importante na minha vida. No entanto, sinto muito a ausência de minha genitora. Com ela venceria muito mais rápido a briga contra a dependência química”, afirma, além de reconhecer que os filhos precisam da presença dos pais.

Uma das metas de Lidiane é recuperar a guarda dos filhos, que perdeu quando se entregou definitivamente às drogas. Enquanto não consegue atingir seu objetivo, ela escreve cartas, que são lidas por seus familiares às crianças de 9 meses e de 2 anos, relatando o amor que sente por eles. Outra maneira da mãe matar a saudade dos filhos é por meio de fotografias.

A unidade de tratamento já atendeu mais de 170 mães, das quais várias tiveram problemas com o Juizado da Criança e do Adolescente por conta da dependência química. A unidade de tratamento ajuda as mães a se manterem longe do vício.

Reescrevendo o futuro da família

Por não aceitar ver o filho mergulhado no mundo das drogas, Maria Valentina (nome fictício), 43, que também é dependente química desde os 9 anos, resolveu procurar tratamento e ajudá–lo a se livrar do vício.

Maria primeiro admitiu que precisava de ajuda e resolveu procurar tratamento. Ela está internada na unidade há pouco mais de 80 dias e já traça metas para ajudar na recuperação do filho. “Primeiro tive de me tratar e assim dar exemplo ao meu filho, mostrando que todos nós conseguimos, sim, viver longe das drogas”, salienta.

A mãe acredita que sua ausência na família contribuiu para que o filho entrasse no mundo das drogas. “Percebi que minha doença estava afetando meu filho. Então tomei uma decisão de ajudá-lo, pois passei muito tempo longe dele”, disse.

Outra meta estabelecida por Maria é aprender a ler e escrever. Ela está disposta a reescrever o futuro de sua família. “Estou escrevendo minhas primeiras palavras, soletrando ainda. Em breve estarei apta a assinar até meu nome e quem sabe um dia me formar nos estudos”, afirma empolgada a mãe.

Maria conta com a ajuda de pedagogas do centro de reabilitação para realizar seu sonho de ler e escrever.

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