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Mãe de bebê jogado no rio assume que mentiu para a polícia

Cleudes Maria Moraes Batista, 23, assumiu que mentiu para a polícia três vezes em depoimento quando relatou que nadou até às margens do rio para pedir ajuda – foto: divulgação/Polícia Civil

Cleudes Maria Moraes Batista, 23, assumiu que mentiu para a polícia três vezes em depoimento quando relatou que nadou até às margens do rio para pedir ajuda – foto: Ney Mendes/Polícia Civil

Após oito horas de acareação dos pais do pequeno Pablo Pietro de apenas 4 meses que supostamente foi arremessado dia 14 deste mês nas águas do rio Negro, a mãe da criança, Cleudes Maria Moraes Batista, 23, assumiu que mentiu para a polícia três vezes em depoimento quando relatou que nadou até às margens do rio para pedir ajuda.

Segundo o titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Sequestros (DEHS), delegado Ivo Martins, os relatos prestados por ela e o ex-companheiro, o canoeiro Josias de Oliveira Alves,30, são fantasiosos e totalmente contraditórios.

“Agora ela [Cleudes] afirmou que mentiu ao dizer que nadou até às margens do rio porque ficou com receio de alguém tê-la visto chegando com Josias”, salientou o delegado.

Ainda conforme Martins, a polícia já tem as imagens que mostram a jovem chegando à praia, mas que o ex-casal continua não contribuindo com os relatos. “Eu não descarto a hipótese de pedir a prisão dela [Cleudes], porém ainda é cedo”, comentou.

Por sua vez, Cleudes garante que o ex-companheiro é o verdadeiro culpado. “Foi o pai [Josias] que matou o Pietro! Tudo vai se esclarecer logo porque ele vai confessar o que fez. Eu não matei meu filho, foi o pai dele”, afirmou.

Em depoimento repleto de lágrimas, ela relatou ainda que Josias subiu em cima dela e tentou enforcá-la. “Eu tentei tirar aquele monstro de cima de mim, mas ele é muito forte e eu não consegui”, relatou a jovem.

Defesas

O advogado de defesa de Cleudes Maria, Thiago Bezerra, afirmou que, após o bebê ser arremessado no rio, a mãe também foi jogada por Josias e para impedir que o ex-companheiro não passasse por cima dela com o bote, Cleudes gritou que sua menstruação estava atrasada e que poderia estar grávida do canoeiro.

“Há uma possibilidade que ela esteja grávida novamente dele, mas com essa correria entre delegacia e depoimentos, ainda não fizemos o exame para comprovar a gravidez”, disse.

Sobre as declarações controversas prestadas pela jovem, a defesa afirmou que Cleudes nunca mudou nada em seu depoimento e que Josias confessou informalmente ter arremessado o próprio filho, mas depois negou a declaração temendo por sua vida.

“Os advogados dele [Josias] depois fizeram com que ele negasse a declaração, que é uma clara estratégia da defesa, mas isso já nos traz a confirmação que ele é culpado. O Josias trouxe uma história fantasiosa e está se contradizendo com frequência, estamos otimistas que a inocência da minha cliente [Cleudes] será provada”, afirmou Bezerra.

O advogado ressaltou ainda que as supostas acusações que as roupas e documentos de Cleudes estavam secos, mesmo após ela ter nadado até a margem do rio, a defesa afirmou que as vestes de sua cliente estavam molhadas e investigadores do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP) podem provar isso.

De acordo com o advogado de defesa de Josias, Samarone Gomes, a estratégia da defesa é a verdade.

“Josias mantém as acusações contra a Cleudes, e afirmou ainda que a ex-mulher já entrou no bote com a intenção de incriminá-lo do crime, uma vez que após arremessar a criança, ela começou a gritar e pedir ajuda de outros canoeiros que estavam lá e tentaram matá-lo. “Após a acareação, vamos pedir o relaxamento da prisão, porque até agora não tem provas concretas para manter o meu cliente preso”, disse.

Acareação

O delegado Ivo Martins afirmou que em meio a acareação, e após saber que Cleudes mentiu em depoimento, ele avisou para a mãe da criança que ela poderia ser presa se não colaborasse com as investigações. “Eles estão tumultuando o processo, as versões deles são completamente controversas. É um caso completamente intrigante” comentou.

De acordo com o delegado, Josias chegou a levantar a hipótese que o bebê não era seu filho e estava juntando um dinheiro para fazer um exame de DNA.

“Ela escondeu na gente a informação que estaria grávida novamente, mas afirma que Pablo Pietro é sim filho de Josias” comentou.

Pais frios

A Polícia Civil informou ainda em meio aos depoimentos, os pais não demonstraram nenhuma emoção ao falar do filho, e estavam mais preocupados com a própria vida, que a do filho. Ao ser perguntado se a criança poderia estar viva, Ivo Martins disse que não trabalha com essa hipótese, mas que também não descarta, uma vez que o corpo do bebê não foi encontrado. O delegado disse ainda que o próximo passo é a reconstituição que pode ocorrer entre 10 a 15 dias.

Por Ana Sena

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