Dia a dia

Luz Azul: câmeras de empresas privadas colaboram com monitoramento de ruas em Manaus

Câmeras de empresas podem ser usadas à serviço da segurança pública -Foto: Divulgação

Em tempos de preocupação com a segurança, um programa de cooperação entre Governo do Estado e empresas privadas é um passo importante no combate à criminalidade em Manaus. Batizado de “Luz Azul”, o programa propõe que as câmeras de monitoramento de estabelecimentos comerciais sejam interligadas ao Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) e ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), ambos ligados à Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). Apenas equipamentos que filmem a via pública podem ser conectados ao sistema.

Companhias de monitoramento e de comunicação contribuem com a infraestrutura do projeto, cedendo a estrutura de fibra ótica instalada na cidade para interligar todos os pontos via fibra ótica e internet. Em troca, elas recebem uma mensalidade, que pode variar, de acordo com o interesse da empresa em alugar ou adquirir material próprio de monitoramento.

“O valor pode variar. A taxa é idêntica para manutenção, o que diferencia o preço, em caso de aluguel, é o modelo da câmera. Um aparelho simples, tem valor reduzido, mas há casos de serem instaladas câmeras de alta qualidade”, conta Zuldimar Oliveira, presidente da Abraces.

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De acordo com Evandro Negreiros, da empresa Negreiros Instalações, os valores da manutenção para câmeras mais simples variam de R$160 reais, no caso do simples pagamento pelo serviço, a R$270, caso a empresa ceda a câmera em aluguel para o empresário. Apesar do chamamento público, todo o investimento é oriundo da iniciativa privada. Outra taxa de R$ 230 reais é cobrada pela colocação da lâmpada azul e placa que identificam o local como participante do programa.

Abraces-AM

A iniciativa tem como intermediária a Associação Brasileira de Consultores e Empresários de Segurança ( Abraces-AM),  uma entidade sem fins lucrativos. Estar ligada a uma instituição representativa é uma das condições essenciais exigidas pelo edital para que o cliente possa solicitar ou enviar imagens.

Os dados são enviados da câmera para um servidor de armazenamento em nuvem (computador acessado via internet). ligado à Abraces-AM. De lá, o material é transmitido, de forma criptografada, para os computadores da SSP-AM. Tudo por meio de internet ou de fibra ótica.

 

Esquema demonstra funcionamento do sistema

Além destas modalidades de transmissão, um aplicativo próprio, disponibilizado para celulares e tablets, também é instalado para que os donos possam acessar, de qualquer lugar, suas câmeras e as gravações feitas, desde que haja conexão à internet. São suportados aparelhos com sistema operacional Android, iOS, Windows Phone e Blackberry.

O sistema está instalado há aproximadamente cinco meses no restaurante da empresária Lilian Guedes, no bairro Aparecida, Zona Sul. Ela afirma que é importante mais empresários adotarem o sistema, visando uma colaboração que pode solucionar crimes.

“Já tenho segurança privada no meu restaurante, mas fiz questão de aderir ao ‘Luz Azul’ e recomendo que mais empresários participem, pois isso nos fortalece. Já conseguimos solucionar um furto a um vizinho porque uma das minhas câmeras filmou o momento do crime. Se o cliente ouve relatos de assalto ao seu estabelecimento, não vai querer frequentá-lo”, explica Guedes.

Empresas integradoras

Para fazer parte do sistema interligado é preciso que a empresa interessada contrate os serviços das chamadas “empresas integradoras”. Elas são as responsáveis pela montagem e manutenção de todo o sistema, entre o cliente e a Secretaria de Segurança e têm o cadastro exigido junto à Abraces-AM.

Essa parte é importante, pois interligar o sistema de monitoramento à rede da SSP-AM é exclusivo às empresas filiadas à Abrace. Segundo o presidente da Associação, uma exigência inteligente do poder público.

“O Secretário acertou ao exigir que uma entidade sem fins lucrativos ficasse responsável por transferir estas imagens, pois garante que não haja beneficiamento a empresas específicas. Também evita que aventureiros possam ter acesso ao sistema do Ciops indevidamente, instalando materiais incompatíveis e de má qualidade”, defendeu Oliveira.

Tecnologia

Câmeras precisam ter resolução e velocidade mínimas para se adequar à proposta

Os interessados em participar da iniciativa devem, antes de tudo, estar filiados à Abraces-AM. Os equipamentos também precisam estar adequados às solicitações feitas no edital da SSP-AM.

Para poder integrar ao sistema da secretaria, são exigidas câmeras de resolução mínima de 1280 x 720 pixels (HD), com gravação a 30 quadros por segundo (fps). Outras funções importantes são a possibilidade de exibição em tempo real e internet para enviar as imagens até o servidor onde serão hospedadas. A permanência dos vídeos no sistema é de 7 dias.

Com interligação por GPS às câmeras e viaturas do sistema de segurança pública, em um acionamento de emergência, as imagens seriam repassadas em tempo real para o Ciops, ao mesmo tempo que a geolocalização permite identificar as viaturas mais próximas da ocorrência, reduzindo o tempo de resposta da Polícia. Parcerias com outras entidades específicas também ajudam, como as realizadas com os sindicatos e associações.

Raphael Sampaio
EM TEMPO

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