Esportes

Lutador de jiu-jítsu vende água de coco e trufas nos sinais de Manaus para custear passagens para competir

Atleta-Jiu-Jitsu

A luta nos sinais de trânsito é a opção à falta de patrocínio – fotos – Josemar Antunes

Os semáforos de Manaus representam a salvação de atletas que pretendem disputar competições nacionais. É com a venda de água, chocolates e frutas aos motoristas que eles arrecadam dinheiro para custear despesas de viagens. A luta nos sinais de trânsito é a opção à falta de patrocínio. Para chegar aos golpes vitoriosos nos tatames, precisam antes derrotar a falta de apoio.

É com medalhas no peito que Hudson Marinho, 19, oferece trufas e água de coco aos motoristas na avenida Mário Ypiranga, Zona Centro-Sul de Manaus. Natural de Boa Vista (RR), mas morando em Manaus há 18 anos, o atleta usa os títulos como cartão de apresentação. Ele foi campeão brasileiro, mundial, interamericano e da Copa América conquistados em 8 anos na modalidade. O Mundial, em 2012, em São Paulo, foi o triunfo mais significativo.

 Há cinco meses, o atleta Wesley Lima mantém um projeto para retirar crianças e adolescentes da situação de risco social


Há cinco meses, o atleta Hudson Marinho mantém um projeto para retirar crianças e adolescentes da situação de risco social

“Nunca tive apoio do setor público. Todos os órgãos do Estado e prefeitura me negaram ajuda. Quando fui competir fora de Manaus, dormi no aeroporto. Diante disso, resolvi ir para as ruas e tentar conseguir dinheiro de outra forma”, conta Wesley. “O meu sonho é ver os jovens se destacando no esporte. Já perdi amigos para a criminalidade. Um deles morreu nos meus braços por conta do envolvimento com tráfico de drogas”, lembra Lima.

Os atletas amazonenses tentam disputar o Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, em Belém (PA), entre os dias 21 a 24 de abril deste ano

Os atletas amazonenses tentam disputar o Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, em Belém (PA), entre os dias 21 a 24 de abril deste ano

Há cinco meses, o atleta mantém um projeto para retirar crianças e adolescentes da situação de risco social. São 45 jovens que treinam em um espaço gratuito fornecido pela Academia Luís Neto Gold Team (LNGT), no conjunto João Paulo, bairro Nova Cidade, Zona Norte. “Assim que abrimos o projeto, percebi a capacidade e talentos de alguns atletas. Como vou participar de uma competição nacional da modalidade, resolvi selecionar oito atletas para ir ao evento. Sem recurso para bancar as passagens aéreas, hospedagens e alimentação, decidi vender os chocolates e água de coco para arrecadar o dinheiro”, conta Lima.

Hudson Marinho, 18, é outro lutador do grupo. “Eu usava drogas, mas o Wesley acreditou no meu potencial e hoje agradeço a ele e a minha família pelo apoio. Pretendo evoluir cada vez mais nos treinamentos e chegar aos títulos e, quem sabe, a uma carreira no esporte. Estou disposto a isso”, declarou.

 

Brasileiro em Belém

Os atletas amazonenses tentam disputar o Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, em Belém (PA), entre os dias 21 a 24 de abril deste ano. As passagens, já reservadas, custam R$ 3 mil. Com o trabalho nos semáforos, os atletas arrecadam R$ 200 por dia, em média. Wesley disse que R$ 100 vão para uma conta poupança e a outra metade paga o fornecedor dos chocolates e da água de coco.

O grupo formado por Wesley Lima tem ainda Vitor Gabriel Souza, 15; Gabriel Rebouças dos Santos, 16; Hudson Marinho, 18; Orley Ferreira, 16; (todos faixas brancos) e Odemir Nunes, 20, (faixa azul). O Brasileiro de Jiu-Jítsu no Pará inclui lutas em todas as categorias, do mirim ao sênior 5, no masculino e feminino.

 

Por Josemar Antunes

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir