Esportes

Lutador baré sai das pescas no Rio Preto da Eva aos octógonos do mundo

Lutador baré de MMA, Marcos Breno sagrou-se campeão do Jungle Figth e Glory Of Heroes – foto: divulgacão

O Amazonas é conhecidamente um dos maiores celeiros de ‘cascas grossas’ do mundo. Com a explosão do MMA nos últimos anos, o Estado tem exportado cada vez mais feras das artes marciais para os quatro cantos do planeta. Um deles, é o rio-pretense Marcos Breno, 19, que deixou a tranquilidade do interior amazonense para conquistar títulos no Sudeste do Brasil. O baré trocou as redes de pesca e os anzóis pelas luvas e quimonos.

O atleta é de família de pescadores e a primeira vez que saiu de Rio Preto da Eva (a 78 quilômetros de Manaus) e entrou num avião foi para lutar em São Paulo, com apenas 17 anos. Em terras paulistanas, conquistou títulos e passou a ser professor de artes marciais. No currículo, Marcos tem os cinturões do Jungle Fight e Glory of Heroes.

“Eu resolvi vir a São Paulo em busca de ser um lutador conceituado. Estou em busca de oportunidades aqui, pois no mundo da luta o tempo é passageiro e precisamos buscar nossas metas. Também tenho investido nos meus alunos aqui, formei minhas turmas e todos confiam bastante em mim. Quero formar campeões”, diz o rio-pretense, que morou a infância no bairro Carlos Braga, em Rio Preto da Eva, e conheceu as artes marciais aos 10 anos no Projeto Social do mestre Leo Pesadão, na Academia Pesadão de Jiu-Jitsu.

Luta fora do ringue

Marcos Breno profissionalizou-se na luta há dois anos e tem no currículo cinco vitórias e uma derrota. Ele concilia as aulas como professor e os treinamentos como atleta com a vida de funcionário de uma hamburgueria na Grande São Paulo. É uma vida corrida em direções distintas e zonas diferentes da maior cidade do país, algo que necessita locomoção de ônibus coletivo, trem e metrô.

“Nem tudo é mil maravilhas, ralo muito para ser um lutador nesse país com pouco apoio ao esporte. Para me manter dou aulas em academias de boxe, muay-thai, jiu-jítsu e MMA e trabalho em uma hamburgueria pela noite. Mesmo com uma agenda lotada, ainda tenho tempo suficiente para treinar e evoluir bastante. Ainda não tenho nenhuma competição marcada, mas treino em média de 6h a 8h por dia, com isso tenho conquistado grandes resultados e lutando eventos de níveis internacionais”, conta.

Marcos Breno atualmente repassa os conhecimentos da luta aos jovens da capital paulista – foto: divulgação

Ainda em busca do seu lugar ao sol, o ‘casca grossa’ exalta quem lhe traz apoio e o ajuda no dia a dia e afirma querer levar o nome do Amazonas em conquistas internacionais.

“Tudo isso devo a uma equipe de profissionais excelentes que sempre me apoiam e acreditam no meu trabalho. À equipe do Peso Pesado Team e do meu mestre Vinícius Reviravolta”, afirma.

Academia de ‘fundo de quintal’ revelando campeões

Os primeiros passos de Marcos Breno na luta foram dados na Academia Peso Pesado. As aulas são até hoje ministradas em um galpão nos fundos do quintal da casa do empresário Antônio Leandro de Almeida, 35, conhecido como Leo Pesadão, que é o professor da arte suave e MMA.

Atualmente, 80 adolescentes e jovens treinam no local e sonham trilhar os caminhos de Breno. “Faço isso para ajudar a molecada. O esporte permite realização de sonhos. É fundamental ajudar. Dou aula e libero este espaço na minha própria casa porque acredito no potencial deles. Daqui tenho certeza que sairão mais nomes que representarão o Amazonas lá fora”, diz o empresário.

Sobre se alguém apoia financeiramente o projeto social existente há 9 anos, o treinador apela por ajuda e atenção por parte de outros empresários. “Tiro do bolso para comprar quimonos e dar manutenção ao tatame. Eu penso nas crianças, no futuro delas, no futuro de nossa sociedade, pois no interior existe mais droga do que na capital. Tento tirar essa meninada o máximo possível das ruas. O que será do amanhã sem o esporte? O jiu-jítsu ajuda a mudar a vida das pessoas. Amo o que faço e tenho prazer em ajudar aos jovens. Meus alunos são mais que filhos. Toda ajuda é bem-vinda”, diz Leo.

Apoiado pela esposa e pais, Pesadão conta a principal meta no projeto. “A ideia é poder fazer os meninos e meninas campeões não somente na luta, mas na vida. Formar um atleta não é difícil. Difícil é você formar um cidadão de bem, um bom filho, um bom esposo e um bom pai”, encerra.

João Paulo Oliveira
EM TEMPO

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