Política

‘Lula pode virar alvo da CPI do BNDES’, diz Rotta

Deputado do PMDB pelo Amazonas, Marcos Rotta vai presidir CPI do BNDES na Câmara Federal-foto: divulgação/Lúcio Bernardo JR CMM

Deputado do PMDB pelo Amazonas, Marcos Rotta vai presidir CPI do BNDES na Câmara Federal-foto: divulgação/Lúcio Bernardo JR CMM

Entrevista com o deputado federal Marcos Rotta (PMDB), publicada no site da ‘Veja’ neste fim de semana, mostra que a condução da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES, a qual foi eleito presidente na semana passada, não será tão imune ao momento político conturbado por qual passa o Brasil, como ele apelou em discurso no dia da instalação da CPI.

Na matéria, Rotta afirma que não vai proteger nem perseguir ninguém, e destaca que o ex-presidente Lula também pode ser alvo do colegiado. “Eu acho difícil que isso não seja tratado. Eu fiz, inclusive, um apelo para que a gente pudesse deixar as nossas bandeiras, as nossas cores e as nossas ideologias o mais distante possível”, disse o peemedebista. O ex-presidente Lula está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) por suposto tráfico de influência para que o BNDES concedesse empréstimos à empreiteira Odebrecht, investigada na operação Lava Jato.

Rotta também nega que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), terá influência sobre o colegiado. “Penso que ele, com a inteligência que tem, haverá de saber que a CPI, para apresentar resultados, precisa de algo chamado autonomia”.

Nos próximos quatro meses, a CPI deverá investigar os empréstimos secretos que o BNDES concedeu, nos últimos 12 anos, entre 2003 e 2015, a países vizinhos, como Cuba e Venezuela e até mesmo distantes, como Angola, na África. Além disso, há denúncias de financiamentos cedidos a empresas de fachada investigadas na operação Lava Jato.

Na entrevista, Rotta deixa claro que recebeu o convite do líder da bancada de seu partido, o deputado Leonardo Picciani (RJ) para presidir a CPI e aceitou como uma missão a cumprir. O parlamentar afirmou que vai lutar para que sua posição frente à investigação seja de ponto de equilíbrio, haja vista que o grupo está investigando uma instituição com 60 anos, “que já financiou muita coisa no país e que é importantíssima para a sociedade”.

Rotta adiantou que a CPI deverá pedir a quebra de sigilos dos contratos feitos pelo BNDES, mas que a decisão final ficará a cargo de todos os integrantes da comissão, que deverão decidir em comum acordo. “Se isso for necessário (quebra de sigilo) para que a gente chegue ao objetivo de dar resposta à sociedade, a CPI faz”, acrescentou.

Ao final da matéria, ao ser questionado se planeja disputar a Prefeitura de Manaus nas eleições do próximo ano, Marcos Rotta desconversa e afirma que o projeto político de seu partido, o PMDB, é disputar as eleições presidenciais de 2018. Mas, afirmou que esse caminho será pavimentado já no próximo ano, nas eleições para prefeitos em todo o país, já que o PMDB terá seus candidatos. “É um processo que nós vamos discutir, mas no momento certo. A minha vida está focada na CPI”, finalizou.

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