Eleições 2016

Luiz Castro diz que tem legitimidade para fazer a diferença nessa eleição

“Neste pulso, só o povo segura. Mãos limpas. Verdade no coração”, diz o prefeiturável

“Neste pulso, só o povo segura. Mãos limpas. Verdade no coração”, diz o prefeiturável

Filiado ao partido Rede Sustentabilidade (Rede) desde setembro de 2015, o candidato à prefeitura de Manaus Luiz Castro confirma uma afinidade maior com a nova legenda, que, segundo ele, permite expressar sua forma de fazer política. Com a experiência de dois mandatos de prefeito no município de Envira, o prefeiturável se orgulha de ser o primeiro gestor do interior do Amazonas a construir creches no ano de 1985, plano que ele deseja implementar também na capital, caso seja eleito.


Apoiador das causas ambientais, Castro é convicto da sua atuação em causas coletivas e nega qualquer apoio aos interesses privados. Para se diferenciar em sua campanha, ele diz, ao segurar o próprio pulso: “Neste pulso, só o povo segura. Mãos limpas. Verdade no coração”.

EM TEMPO – Como surgiu esse desejo de ser prefeito de Manaus?
LUIZ CASTRO – Partiu da necessidade de apresentarmos uma verdadeira alternativa ao ciclo de poder que se inaugurou há 40 anos pelo ex-governador Gilberto Mestrinho e que se organizou em torno de interesses políticos e de grupos de poder econômico, que se revezam no poder, mas que mantém a mesma estrutura ao longo destas décadas. Nós entendemos que o momento é para apresentarmos a Manaus uma alternativa para romper esse ciclo vicioso e ao mesmo tempo trazer uma proposta de governo, colocando a Prefeitura de Manaus no século 21. As práticas políticas e de gestão pública estão muito atrasadas, cujo relacionamento político com a sociedade é autoritário e paternalista. Ao mesmo tempo que nós temos a obrigação de mostrar para a sociedade que se ela está cansada de tanta corrupção, de tanta incompetência, tem a oportunidade de ter uma proposta de um candidato independente diante desses grupos. Manaus é como uma pedra preciosa bruta, que precisa ser lapidada. Tem um imenso potencial econômico e uma grande demanda de ação social e de serviços públicos. Nós entendemos que nossa legitimidade vai fazer a diferença nesta eleição.

EM TEMPO – A Rede é um partido novo que lutou muito para conseguir o registro junto à Justiça Eleitoral e o senhor é o primeiro candidato majoritário da legenda em Manaus. O que tem a falar sobre o fato?
LC- Eu não me sinto privilegiado nem desprivilegiado. Eu estou encarando isso como uma missão. É um partido novo, que ainda não tem uma musculatura grande. Ele é diferenciado em relação aos outros partidos. Nós não temos nenhum membro do nosso partido envolvido na Operação Lava Jato. As pessoas que trabalham na Rede têm uma postura ética de, no discurso, defender valores e princípios e, na prática, praticá-los. A Rede é contemporânea do partido Podemos, da Espanha, e de outros partidos de renovação mundial. As pessoas não compreendem ainda a proposta da Rede Sustentabilidade. Elas pensam que é um partido exclusivamente ambiental, e não é. Eu me sinto muito à vontade porque dentro da Rede a gente organiza o processo político com a sociedade e não com o interesse de algumas pessoas que lucram fazendo negócio com a prefeitura. O meu mandato é para representar a sociedade. Não gosto de relação promíscua com ninguém. Entendo que a gente tem que ter uma organização técnica e ao mesmo tempo sistêmica, buscando o melhor para a sociedade. Então, eu tenho esse perfil, que é um perfil mais independente.

EM TEMPO – A experiência como secretário da Sepror (Secretaria de Estado da Produção Rural) vai refletir no seu plano de governo?
LC- A experiência como secretário estadual e como prefeito duas vezes colaborou com meu ideal de gestor numa série de informações e conhecimentos que eu fui adquirindo ao longo do tempo. E é claro que a Sepror me deu uma visão macro do Estado, mas eu não perco as minhas referências de ter sido prefeito em município do interior. Em essência, é muito mais um compromisso para formar boas equipes e trabalhar com planejamento, com organização e com avaliação dos resultados obtidos. A nossa administração pública em Manaus está muito atrasada. Não há orçamento matricial. Os programas integrados funcionam de maneira improvisada. Você tem um excesso de gastos na atividade–meio, e uma das medidas mais importantes é enxugar esse excesso de secretarias e de cargos comissionados. Paga-se um salário baixo para o professor e, em compensação, há milhares de pessoas ocupando cargos comissionados sem ter a devida qualificação para fazê-lo. O programa da Rede é um programa que nasce da discussão com o PMN, liderado pelo Chico Preto, que nós fizemos há algum tempo. E houve uma complementaridade com as propostas que o PMN apresentou com as nossas propostas. Não houve confronto. O PMN teve uma visão de gestão administrativa de como organizar a prefeitura e a Rede fez o diferencial – com o social e o ambiental. As ideias que o Chico Preto trouxe são muito afins com o que eu penso, com o que a esquerda moderna pensa, que não é mais aquela atrasada, de que o Estado vai resolver todos os problemas. Se não houver essa melhora do poder público com a sociedade, você não vai conseguir mudar a violência. Haverá de se trabalhar políticas que cheguem ao adolescente, à criança, principalmente àquelas de maior vulnerabilidade. A nossa visão é que temos que combater os males na sua origem, nas suas causas.

EM TEMPO – Quais os maiores problemas dos candidatos neste pleito e da atual gestão?
LC- Os candidatos com cara velha e cara nova estão todos ligados aos velhos coronéis da política, aos donos de partidos e aos empresários que lucram com a prefeitura há décadas. Tudo está monopolizado. Em vez de você ter licitações abertas a micro e pequenas empresas para realizarem manutenções de condicionadores de meio-fio, trabalhar nos pequenos reparos em escolas, obras e fornecimento de fardamento escolar; tudo é licitado de forma grande para beneficiar os grandes, que subcontratam por um preço ínfimo os pequenos. Nossa lógica é outra, de quebrar esse monopólio de alguns empresários grandes associados a alguns políticos que se revezam no poder. A nossa candidatura tem um diferencial: a independência, a transparência, a lisura. O fato de por onde o Luiz Castro passou, houve, de fato, uma diferença grande – nenhum enriquecimento ilícito. Eu sou totalmente contrário ao enriquecimento ilícito do agente público. O agente público tem que viver com o seu salário e não pode desviar nada do patrimônio público para o próprio bolso. Eu sou inquieto, sempre tive a característica da inovação. Quando eu falo em creche, por exemplo, eu fui o primeiro prefeito da região do Juruá a colocar uma creche pública em um município, em 1985, e isso só foi acontecer em Manaus, com Serafim Corrêa, 20 anos depois. Há 20 anos, antes de ter creche em Manaus, já tínhamos em Envira. Eu criei lá o primeiro programa de educação de tempo integral de contraturno, chamado Florescer, em 1995, no segundo mandato. Nós já fizemos há 20 anos o que dissemos que vamos fazer, mas em escala pequena. Agora se trata de organizar essa escala. Diferentemente dos outros candidatos que vão prometer e nunca fizeram, eu vou me comprometer em implementar programas que já fiz, mas de uma maneira mais moderna, mais adequada à cidade de Manaus.

EM TEMPO – Dos itens que compõem o seu plano de governo, quais são os mais inovadores?
LC- Nós vamos trazer para a cidade de Manaus instrumentos de gestão que a capital nunca teve, como combate à corrupção com o programa Manaus Sem Corrupção, com transparência colocada em aplicativo de celular, em que o cidadão vai poder acompanhar toda a execução financeira da prefeitura pelo smartphone. Haverá licitações abertas em auditórios grandes, com o acompanhamento pela internet, com a abertura para todos os que estiverem até o limite do auditório, com as redes de televisão todas abertas para acompanharem as licitações. É uma mudança do bairro para o Centro e não do Centro para o bairro. É de baixo para cima. Essa é filosofia da nova política, de uma nova construção e da priorização do que é de interesse da população. Queremos retomar o controle do transporte público. Hoje tem uma empresa ligada aos empresários que tem o controle de fluxo de ônibus e da quantidade de ônibus que está transitando no horário de rush. Se há 1,6 mil coletivos na garagem e no horário de rush só há 800 estão na rua, significa que a população vai ficar “enlatada” dentro daqueles ônibus, o que é lucro para o empresário e sofrimento para a população. Se a prefeitura toma o controle, a empresa vai ter que ter naquele horário de pico todos aqueles ônibus necessários para evitar essa superlotação que hoje acontece. Existe também a reciclagem. Hoje, a prefeitura só se preocupa com coleta de lixo dos grandes empresários. Nós queremos trabalhar a escola de coleta seletiva, no nível que se transforme em uma atividade econômica, geradora de emprego e renda e uma vertente de estímulo à população para prática de atividade sustentável. O município gasta R$ 6 milhões para tirar lixo do igarapé, valor que poderia ser aplicado em um grande programa de minicoleta comunitária do lixo para que ele não vá para os igarapés nas orlas de Manaus. A prefeitura só quer ter relações com os empresários, ela não quer organizar um processo de coleta seletiva em Manaus
EM TEMPO – Quais serão as prioridades entre suas propostas de governo?
LC- Nós não temos atividade “mirabolesca”, fantasiosa. Nós não estamos definindo aqui que vamos fazer 80 quilômetros de ciclovia ou que vamos construir 500 creches. Nós estamos definindo que a nossa prioridade absoluta vão ser as políticas que causam impacto positivo na qualidade de vida das pessoas em Manaus. Então, nós vamos trabalhar de forma integrada a Educação nas duas vertentes, desde a valorização do salário do professor, com um programa que vai levar os melhores professores para áreas mais pobres, de vulnerabilidade, associada ao núcleo da Guarda Municipal, que vai atuar nas escolas municipais. Vamos trabalhar a escola aberta à noite, nos fins de semana, e vamos trabalhar os projetos de contraturno, que já fiz no município de Envira e que dá grandes resultados. Vamos trabalhar para a ação de causa e efeito. Na Saúde, vamos organizar o sistema de maneira eficiente, transparente e humanizada, utilizando instrumentos que a informática define e priorizando as áreas mais vulneráveis de Manaus. Em um estudo, constatamos que a Zona Leste e a Zona Norte têm mais de 1 milhão de habitantes. Metade da população está nessas duas zonas, que possuem apenas 86 Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A Zona Centro-Sul, com menos de 300 mil habitantes, possui 63 unidades de saúde. Hoje, há uma desigualdade na distribuição de equipamentos públicos de saúde. Vamos trabalhar para diminuir a desigualdade e priorizar as áreas mais vulneráveis. Não é diferente da área de lazer e nem de meio ambiente.

EM TEMPO – O senhor se sente prejudicado pelo fato de estar de fora dos debates televisivos?
LC- Sim. Não posso ser hipócrita e dizer que não há prejuízo. A reforma política, liderado pelo Eduardo Cunha (deputado federal e ex-presidente da Câmara), teve apoio do PT e PSDB. Eles se uniram, os grandes partidos, para atrapalhar principalmente a Rede e o Psol, os únicos partidos de maior expressão que não têm envolvimento com a Lava Jato. À medida que as investigações se aprofundam, elas vão capturar políticos de todos os partidos grandes. Então, a reforma foi para colocar muito dinheiro do Fundo Partidário nos partidos que estão vinculados à corrupção e para tirar o tempo de TV de partido que ameaça e que tem poucos deputados federais. A Rede tem poucos deputados federais porque a Rede é rigorosa com quem entra. A Rede é um partido diferente, não tem dono, não tem cacique, tem sempre dois porta-vozes. Em vista do prejuízo, vamos intensificar nosso trabalho nas redes sociais.

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