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Longe de casa caminhoneiros fazem da estrada o próprio lar

Condutores pedem reforma e manutenção de muitas estradas brasileiras – Michael Dantas

A necessidade de prover o sustento do lar é o principal motivo que leva caminhoneiros a se aventurarem pelas principais estradas do Brasil. A maioria desses trabalhadores acaba fazendo de seu caminhão um pedaço ou, até mesmo, a própria casa. Conforme o levantamento da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas (Adaf), somente na BR-174, que liga o Amazonas a Roraima, a estimativa é de que entre 17 e 20 mil caminhões segmentados da agricultura e pecuária trafegam pelo local.

Dirigindo nas rodovias brasileiras há quase 50 anos, Darci Jesus, 68, chegou em Manaus na década de 1980 em busca de novas oportunidades. “Nasci em São José do Rio Preto, no Estado de São Paulo. Comecei a dirigir caminhão muito novo, mas aos 20 anos de idade que iniciei minha profissão. Vim para Manaus em 1985 em busca de oportunidade de trabalho e já rodei por todo o Brasil com os mais variados tipos de carga”, disse Darci.

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O caminheiro, que estava transportando mercadoria para o município de Manaquiri (a 60 quilômetros de Manaus), revela que nunca foi assaltado e nem sofreu acidente de trânsito no exercício da profissão.

“Graças a Deus, nunca fui vítima de violência. Sempre procurei me alimentar bem, bebo bastante água e respeito meu horário de sono. Tomo um cafezinho entre uma parada e outra, mas sem exageros, não ando com garrafa de café no veículo”

Quanto a viagem mais longa que já fez, Darci Jesus respondeu sem hesitar. “Foi o trecho de Rio Grande do Sul até Roraima, durou 15 dias. Tirava as oito horas de descanso e seguia o destino. Dentre as rotas mais perigosas, está, com certeza, a Região Nordeste, tanto pelas curvas e condições do asfalto quanto pelos assaltos”, conta.

Em família

Outro motorista de caminhão que conhece todo o país por meio do transporte de mercadorias é o carioca Artur Carlos, 57. Com 32 anos de profissão, ele relata que tem mais dois irmãos na mesma atividade profissional e, atualmente, mora em Barra Mansa, um município no Estado do Rio de Janeiro.

Pai de três filhos e avô de três netos, o caminhoneiro relembra momentos de aventura pelas rodovias brasileiras durante o exercício de sua profissão.

“Já sofri acidente por conta de um motorista bêbado e também uma tentativa de assalto. Hoje, são memórias para contar aos amigos e familiares”, ressalta.

Bárbara Costa
EM TEMPO

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