Economia

Lojistas são contra retorno de camelôs ao Centro de Manaus; microempreendedores pedem apoio de Marcelo

Os camelôs querem voltar para os pontos antigos no Centro e pedem apoio do candidato - foto Ione Moreno

Os camelôs querem voltar para os pontos antigos no Centro e pedem apoio do candidato – foto Ione Moreno

Entidades que representam o comércio de Manaus repudiaram a tentativa de um grupo de camelôs, realocados para as galerias populares, que quer voltar para as ruas do Centro da capital amazonense. Os vendedores se manifestaram a favor do candidato à prefeitura, Marcelo Ramos (PR), na manhã desta sexta-feira (14) e pediram que ele firme um compromisso com a classe para a reorganização da atividade comercial, incluindo o retorno para os pontos de vendas de onde foram retirados pela atual gestão municipal.

O principal pedido dos camelôs é que Marcelo reveja o projeto que retirou as bancas de algumas ruas do Centro da capital e colocou em galerias. Eles defendem o retorno aos antigos pontos devido à queda nas vendas após o reordenamento da área. Segundo eles, boxes foram abandonados por causa da baixa rentabilidade.

Para a realização do projeto ‘Viva Centro Galerias Populares’, segundo o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Baraúna Assayag, houve gastos públicos e esses investimentos não podem “ser jogados no lixo” pelos representantes da cidade.

“Eu sou totalmente contra o retorno deles. Os camelôs e a prefeitura acertaram uma coisa e agora querem voltar atrás. E todo o dinheiro que foi investido nesse projeto? Uma quantia que saiu do bolso do lojista e do empresário que também está sem vender nessa crise e espera por melhorias, além da sociedade em geral. Esse recurso financeiro veio do imposto do alvará de funcionamento, do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e de demais tarifações que renderam lucros para o município. Agora, porque não vendem, nós somos culpados?”, questionou Assayag se referindo aos prejuízos que os lojistas podem ter com o retorno dos vendedores para as ruas.

Ralph relatou que os empresários participaram de reuniões com os candidatos à prefeitura de Manaus, onde todos garantiram uma atividade econômica dinâmica com a parceria da CDL-Manaus. Mas, nenhum dos nove candidatos no primeiro turno, incluindo Marcelo Ramos, defenderam a volta dos camelôs para a área central.

Cerca de 45 estabelecimentos comerciais já foram fechados no Centro em 2016. O presidente da CDL-Manaus defende a abertura do trânsito nas ruas Dr. Moreira, Guilherme Moreira, Marcílio Dias e Beco do Comércio. “Oxigenaria o trânsito e os consumidores poderão parar em frente da loja. Muitos deixam de ir ao Centro porque não tem vagas de estacionamento e precisam se arriscar caminhando um grande percurso. Essa medida abriria pelo menos umas 500 vagas de estacionamento na área da praça Tenreiro Aranha, por exemplo”.

Questionado sobre a possibilidade de retorno para os pontos antigos, Ralph foi categórico e criticou qualquer projeto que vise o retrocesso. “Se isso acontecer vamos ter certeza que o governo não é sério. Gastaram um dinheiro que é da sociedade, dos nossos impostos e não pode haver retrocesso. A saída dos camelôs foi algo discutido e aceito pela classe, pelo bem de todos. Se é por causa da baixa nas vendas, eu digo que ninguém está vendendo. Nem os shoppings estão vendendo e não vai ser voltando ao que eram antes que vai melhorar a situação”, pontuou.

Retrocesso

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ataliba Antônio Filho, também se demonstrou contra o pedido e defendeu um novo reordenamento da classe, mas sem retrocesso. A dificuldade da economia local, segundo ele, pode influenciar os camelôs a pensarem que o retorno para as ruas pode melhorar as vendas.

“Eu acho que voltar ao que era antes é retrocesso. Voltar para as ruas não é a solução. O momento é de crise, mas eles não podem esquecer que estão abrigados e exercendo a profissão de forma digna. Eu vejo que as circunstâncias da economia não estão boas, mas todos precisam ter paciência. O desespero é de todos porque a queda da atividade econômica atingiu desde o grande empresário ao microempreendedor. Eu defendo o ordenamento e não a bagunça que era antes. Eles têm que ser reordenados fomentando a atividade deles de uma forma que reverta em ganhos”, explicou Ataliba.

A reportagem do portal EM TEMPO procurou o candidato da coligação ‘Mudança para Transformar’, Marcelo Ramos. Ele explicou que o projeto para criação de quiosques padronizados é para atender os vendedores que continuam nas ruas. Para os profissionais que já foram retirados do Centro, Marcelo Ramos defende medidas que aumente o fluxo de vendas nas galerias populares já implantadas.

“Qual lugar de Manaus não tem camelôs? Basta ir ao Centro que é possível ver ainda vários deles nas ruas, só que de uma forma desorganizada. O que nós propomos para a classe que ainda está nas ruas é a criação dos quiosques padronizados e adequados para a atividade comercial, sem comprometer o deslocamento ou o faturamento dos lojistas. Os que estão nas galerias serão beneficiados com projetos eficazes que vão proporcionar viabilidade econômica. Só fala que a área central foi revitalizada quem não anda no centro”, falou Ramos.

Segundo o candidato, o objetivo principal da proposta é tornar o Centro um grande shopping a céu aberto.

Bruna Souza
Portal EM TEMPO

2 Comments

2 Comments

  1. Angela

    16 de outubro de 2016 at 19:39

    Esse Marcelo gosta mesmo e de bangunça, ja pensou falar que quer transformar o centro em grande shopping a ceu aberto.

  2. meire jane

    16 de outubro de 2016 at 18:26

    O centro vai virar uma bagunça de novo sujeira pra todo lado basta os vendedores de frutas e veduras nesses carrinhos de mao.

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