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Lideranças da economia amazonense não veem avanço para segundo semestre

Na comparação com igual mês de 2015, a indústria amazonense recuou 25,0% em fevereiro deste ano - foto: Diego Janatã

Um dos setores que mais demitiu nos últimos tempos foi o de motocicletas – foto: Diego Janatã

Contrariando o otimismo do titular da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AM), Afonso Lobo, lideranças empresariais do Amazonas, discordam quanto à “uma ligeira retomada” da economia ”, já a partir deste mês, decorrente da procura pelos produtos das empresas locais, principalmente no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Lobo declarou que mesmo a arrecadação do Amazonas fechando o primeiro semestre deste ano com um percentual menor, estimado em quase 7%, em comparação ao mesmo período do ano anterior “haverá uma ligeira retomada de arrecadação do Amazonas, por conta do movimento natural que acontece, principalmente, no Polo Industrial, onde as empresas já começam a receber pedidos de produção para o segundo semestre”.

Pensando o oposto ao titular da Sefaz, Wilson Périco, presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), além de declarar que não consegue enxergar nada de diferente no setor que permita essa confiança no progresso econômico, disse que algumas medidas são necessárias para que isso ocorra.

“Defendemos uma mudança de ânimo no setor com medidas adotadas pelo Governo Federal, que resgate a confiança do investidor e do consumidor. Porque, por enquanto, os indicadores demonstram o contrário. Há pouco investimento, desemprego”, disse.

Périco ainda ressaltou que apenas as medidas adotadas pelo Governo Estadual não são suficientes para que o PIM ‘respire’ porque “o modelo econômico está diretamente atrelado ao país como um todo”.

O mesmo sentimento é compartilhado pelo presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ataliba David Antônio Filho, que declarou não acreditar na alavancada imediata da economia. “Pode haver certo progresso, gradativo, mas não muito significativo”, disse.

Em contrapartida ao desânimo por parte dos comerciantes, apenas no mês de junho, a Sefaz-AM injetou cerca de R$ 818 milhões. De janeiro a junho, o valor chega a, aproximadamente, R$ 5 bilhões.

“É necessário que o governo apresente uma postura de credibilidade, mostrando seriedade em relação aos reajustes fiscais, por exemplo. É preciso esse ambiente propício ao investimento do empreendedor”, declarou Ataliba, afirmando que os comerciantes da capital amazonense estão preparados para o cenário atual e conscientes do crescimento gradual da economia nos próximos meses.

Concordando com o ponto de vista de Lobo, o economista Ailson Rezende, analisa que o país está caminhando para uma melhora, no entanto, ele afirma que a indecisão no cenário político ainda deixa alguns investidores estrangeiros “estacionados” em ponto de espera.

De acordo com Rezende, Afonso Lobo foi coerente no discurso, pois há uma boa perspectiva em relação à economia do Estado já que a vantagem de se ter uma Zona Franca é a diversidade de segmentos, que, segundo ele, em períodos de crise se alterna.

“A perspectiva não está incorreta. Ainda neste ano, os investidores que estão em ponto de espera nos darão o capital estrangeiro e poderemos retomar o equilíbrio econômico do estado”, disse Rezende.

Por Asafe Augusto e Rosianne Couto

 

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