Política

Líder de Dilma ataca ‘Muda PT’ e diz que volta ao Planalto não é prioridade

José Guimarães é um dos remanescentes da coligação de Dilma em Brasília - foto: Agência Brasil/ARQUIVO

José Guimarães é um dos remanescentes da coligação de Dilma em Brasília – foto: Agência Brasil/ARQUIVO

Ex-líder do governo Dilma Rousseff na Câmara e da bancada do PT, o deputado federal José Guimarães (CE) criticou nesta terça-feira (18) parlamentares que ameaçam deixar a legenda afirmando que a ideia é uma “aventura” que ameaça a democracia.

Reconhecendo que o PT cometeu erros e que vive um de seus piores momentos, Guimarães disse ainda à reportagem que o partido deve deixar em segundo plano a tentativa de voltar ao Palácio do Planalto em 2018 para se concentrar no fortalecimento de sua bancada no Congresso.

“Quem manda no país é o Congresso”, afirmou, em linha diversa de toda a diretriz petista nas últimas décadas, que priorizou a chegada e a manutenção do poder federal.

As declarações de Guimarães são uma reação ao grupo que se intitula ‘Muda PT’, que reuniu nesta segunda cerca de 40 parlamentares, a maior parte deputados, com o intuito de antecipar mudanças no comando do PT ou precipitar uma saída em massa da legenda.

Após o impeachment de Dilma Rousseff, o partido vive uma crise sem precedentes, que se materializou no péssimo desempenho nas eleições municipais deste ano. Entre os maiores, o PT foi o que, de longe, mais encolheu.

“É um erro estratégico para a democracia ventilar a possibilidade de sair do PT para qualquer uma outra aventura. Alguns saíram do PT dizendo que estavam desgastados e que queriam disputar as eleições. Se deram muito mal”, afirmou Guimarães, se referindo a Marta Suplicy (PMDB), derrotada na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

O ‘Muda PT’ defende também a possibilidade de fusão ou frente com outras legendas de esquerda. Nesta terça, deputados da corrente majoritária da sigla (a CNB) se reuniram em Brasília para tentar definir estratégias contra o ‘Muda PT’.

De acordo com Guimarães, que diz não ter participado do encontro, a saída é a reconstrução partidária. “Mudar de cima a baixo e de baixo pra cima, fazer uma verdadeira revolução interna, no sistema, na mudança das direções, na desburocratização do partido”, afirmou, acrescentando que hoje o debate partidário está reduzido às correntes internas, sem voz a quem não se filia a nenhuma delas.

Ele também defende antecipação do congresso e das eleições internas do PT.

2018

Segundo o ex-líder de Dilma, os principais quadros do partido deveriam se candidatar a deputado federal e senador, inclusive Luiz Inácio Lula da Silva, caso decida não concorrer à Presidência.

“Quem manda no país é o Congresso. Governador não influencia muita coisa. Acho que o PT tem que priorizar o Legislativo em 2018. Os principais quadros deveriam ser candidatos a deputado federal e senador, principalmente deputado. Ampliar nossas bancadas e eleger deputados é decisivo para quem for governar ou para quem for fazer oposição. Estou vendo isso dramaticamente aqui.”

Além de Lula, ele citou o ex-ministro Jaques Wagner (BA), o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, derrotado em primeiro turno nas eleições do início do mês.

O Congresso foi o palco da derrocada de Dilma, o que levou de roldão o partido. Os votos para deputado federal também definem a fatia do recurso de fundo partidário a receber, hoje a principal fonte de renda das legendas. Hoje o PT tem 59 dos 513 deputados e 10 dos 81 senadores.

Por Folhapress

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir