Política

Lava Jato: advogado diz que vai se entregar, mas não quer ser preso no aeroporto

O advogado Edson Ribeiro, que teve a sua prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal sob acusação de tentar sabotar parte das investigações da Operação Lava Jato, vai se entregar à polícia “a qualquer momento”, segundo seu defensor, Bruno Espiñeira Lemos.


Só não quer ser preso no aeroporto nos Estados Unidos, na frente da família, como deve ocorrer depois que seu nome foi incluído na lista de foragidos da Interpol, de acordo com Lemos.

Ribeiro tem casa em Orlando, na Flórida, no sul dos Estados Unidos, onde estava descansando na casa que possui lá, quando teve a sua prisão foi decretada. Seu advogado não quis informar onde o seu cliente estava.

“Ele não tem o menor interesse em retardar a volta dele ao Brasil, em se furtar às ordens da Justiça”, disse Lemos à reportagem. “Ele está agoniado com essas acusações e queria voltar anteontem”, afirmou, usando o “anteontem” como sinônimo de urgência.

Lemos afirma que há uma série de fatos a serem esclarecidos no decreto de prisão do ministro Teori Zavascki. Como advogado, Ribeiro tem direito a ficar numa sala de Estado Maior, como define a lei. “Essa sala corresponde a um ambiente individual, não seria uma cela. Não sei se existe esse tipo de sala no Rio de Janeiro. Essas questões precisam ser esclarecidas”, diz Lemos.

Para o defensor de Ribeiro, a inclusão do nome de seu cliente foi “desnecessária” por indicar uma “espetacularização da Justiça”, já que não se trata de uma fuga. “Não precisa de alerta da Interpol quando o investigado manifesta interesse em se apresentar, na minha opinião”.

Ribeiro aparece em gravações em que combina com o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que foi preso nesta quarta (25), que receberá R$ 4 milhões do banqueiro André Esteves, do BTG, para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró exclua o parlamentar e o sócio do banco em seu acordo de delação premiada. Ele também menciona uma plano de fuga de Cerveró para a Espanha, via Paraguai.

Os R$ 4 milhões serviriam para cobrir os honorários de Ribeiro e parte do montante seria repassada à família do ex-diretor, segundo gravações feitas por Bernardo Cerveró, filho do executivo. Numa das conversas, Ribeiro diz que a família de Cerveró receberá R$ 50 mil por mês.
O ex-diretor da Petrobras diz em sua delação que Delcídio recebeu propina num contrato da Petrobras de R$ 1,6 bilhão de uma navio-sonda com a Schahin. Um dos donos da empresa, Salim Schahin, e outros dois delatores contaram a mesma versão em suas delações.

Já o banqueiro é acusado de ter pago propina ao senador Fernando Collor (PTB-AL) para que uma rede de postos do BTG e do grupo Santiago passasse a operar com a bandeira da BR Distribuidora. Collor e Esteves negam com veemência a acusação. O BTG diz estar colaborando com as investigações.

O advogado de Ribeiro diz que “numa primeira leitura as acusações contra ele são aterradoras”. Mas, ressalva, que só irá se manifestar sobre o teor das acusações depois de conversar pessoalmente com seu cliente.

Por Folhapress

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