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Justiça inicia julgamento de 18 PMs suspeitos de integrar grupo de extermínio em Manaus

 A operação ‘Alcateia’, foi deflagrada no dia 27 novembro de 2015 e serviu para identificar os PMs envolvidos nos crimes - fotos : Ione Moreno

A operação ‘Alcateia’, foi deflagrada no dia 27 novembro de 2015 e serviu para identificar os PMs envolvidos nos crimes – fotos: Ione Moreno

A Justiça do Amazonas começou nesta terça-feira (19) a audiência de instrução e julgamento dos 21 réus acusados da série de assassinatos ocorrido em julho de 2015, que ficou conhecido como o fim de semana mais violento de Manaus, onde mais de 30 pessoas foram assassinadas. Desse total de réus, 18 são policiais militares e três cidadãos civis, todos suspeitos de integrar um grupo de extermínio. Eles seriam autores de pelo menos 23 mortes.

De acordo com juiz titular da 3ª Vara do Tribunal do Júri, Mauro Antony, o Ministério Público do Estado (MPE-AM) narrou em sua denúncia que os policias saiam durante a noite para cometer crimes.

“Segundo o MPE-AM, os policias militares saiam para matar à noite. Isso a gente vai verificar na instrução criminal. O MPE-AM vai tentar comprovar o que ele falou na denúncia, e a defesa vai tentar comprovar o contrário. Então vai haver o contraditório e, no final se eu entender que o MPE-AM está com a razão, eles vão à júri e se eu entender que o MPE-AM não tem razão, eles serão absolvidos”, disse Antony.

O primeiro réu a ser ouvido na manhã de hoje foi o soldado da Polícia Militar, Magno Azevedo Mafra. Ele é suspeito de assassinar a tiros Henrique dos Santos Nascimento, no dia 19 de julho do ano passado. O crime aconteceu na residência da vítima localizada na comunidade Parque São Pedro, bairro Tarumã, Zona Oeste. Segundo denúncia do MPE-AM, o policial chegou na casa da vítima, em uma motocicleta pilotada por outra pessoa, invadiu a residência e efetuou os disparos.

O delegado Leandro Almada, que participou da Força Tarefa, foi ouvido como testemunha. Uma segunda pessoa do sexo feminino não compareceu à audiência, mas deverá ser ouvida nos próximos dias em outro encontro judicial que ainda será marcado.

Segundo Mauro Antony, o processo será dividido em núcleos para facilitar o trabalho de instrução. “Pelo número excessivo de réus que nós temos nos processos, tivemos que dividir o processo. Na denúncia que consta 18 acusados, dividimos em quatro processos. Além dessas temos outra denúncia com dois réus e outra denúncia com um acusado, totalizando 21 acusados. Fizemos isso porque entendemos que ficaria mais fácil de instruir o processo e conforme for concluído em relação aos núcleos,  será comprovado se foram eles os autores dos homicídios”, disse Antony.

O advogado de defesa do PM Magno Mafra, Jorge Henrique Silva de Melo, alegou que seu cliente estava em uma festa no dia do crime. Ele disse ainda, que o policial não faz parte do grupo de extermínio.

Final de Semana Violento

Os mais de 30 assassinatos ocorreram em diversas zonas de Manaus, entre os dias 17 a 20 de Julho do ano passado. Para investigar os crimes a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) deflagrou a Operação Alcateia, que contou com o apoio da Polícia Federal no Amazonas (PF-AM), e o MPE-AM.  Nas investigações foram identificados policiais militares suspeitos de envolvimento com a atividade de extermínio, além de três cidadãos civis associados ao grupo.

Durante a operação foram apreendidos carros, moto, pistolas, revólveres, escopeta, arma de choque não letal, além de droga. Os crimes começaram após o assassinato do sargento Camacho, que foi vítima de latrocínio quando deixava uma agência bancária no bairro Educandos, na Zona Sul de Manaus.

Por Michelle Freitas

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