Política

Justiça de Parintins julga dois vereadores nesta quarta-feira

Terão acesso ao auditório apenas os advogados de defesa, os dois acusados, os promotores de Justiça e as testemunhas - foto: divulgação

Terão acesso ao auditório apenas os advogados de defesa, os dois acusados, os promotores de Justiça e as testemunhas – foto: divulgação

Parintins (AM) – A dois dias da audiência de instrução e julgamento dos vereadores Everaldo Batista (Pros) e Ray Cardoso (PMDB) – afastados dos cargos pela Justiça de Parintins em março deste ano – a juíza responsável pelo julgamento, Eline Gurgel, titular da 3ª Vara da comarca municipal definiu que a audiência será no auditório do Tribunal do Júri popular. Eles são acusados de falsidade ideológica, peculato e estelionato.

Terão acesso ao auditório apenas os advogados de defesa, os dois acusados, os promotores de Justiça e as testemunhas. A imprensa não terá acesso e o local será fechado assim que iniciar a sessão de julgamento.

Ray Cardoso será defendido pelo escritório de advocacia do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Amazonas (OAB-AM), Marco Aurélio Choy. A defesa de Everaldo Batista – presidente afastado da Câmara de Vereadores – será feita pela advogada Maria Benigno. Na acusação vão atuar os promotores Flávio Matos e Carolina Monteiro.

É a primeira vez na história política de Parintins que dois agentes públicos comparecerão à uma audiência de instrução e julgamento nessas circunstâncias.

Em entrevista à Rádio Clube de Parintins na semana passada, Ray Cardoso disse estar tranquilo em relação ao julgamento. Ele afirmou que, pese os meios de comunicação lhe acusar de ter vendido gasolina adquirida com recursos do Legislativo municipal, nos autos do processo consta que muito antes do Ministério Público do Estado (MPE) abrir o procedimento contrário, ele já havia pago em espécie o empréstimo que havia feito sem ter tocado num litro de gasolina. “Isso a imprensa não diz. Só fala que o vereador vendeu gasolina. Esse outro lado não se fala”, criticou.

Cardoso disse que ao longo de sua trajetória política nunca precisou lançar mão de dinheiro público. “Fui secretário do meu tio Raimundo Reis quando ele foi prefeito e ali que eu poderia fazer algo irregular, não fiz. Venho de uma família honrada e de pessoas trabalhadoras. Todo mundo conhece meus pais em Parintins”.

Já o presidente afastado da Câmara municipal, Everaldo Batista, se diz confiante num resultado positivo, principalmente depois que o ex-secretário de Contabilidade do Legislativo, Daironilson Matos Daveza, confessou ter desviado para sua conta e para conta de terceiros cerca de R$ 102 mil.
“Foi ele quem fraudou a Câmara, foi ele quem não correspondeu à confiança que depositamos em sua pessoa e ele vai responder. É réu confesso”, disse Batista.

Para Everaldo, o Termo de Confissão assinado por Daironilson Daveza o inocenta da denúncia feita pela presidente interina da Câmara municipal, vereadora Karine Brito (PHS), que o acusa de ter desviado recursos da casa.

Além do processo na Justiça, ambos os vereadores ainda respondem a dois processos internos na Câmara em que pedem a perda de mandato dos dois por quebra do decoro parlamentar. O primeiro pedido foi ingressado por meio de uma representação de um morador de Parintins, Dietrich Esmaile Teixeira Mendes e, o segundo, partiu do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que anexou ao documento um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas pedindo que a Comissão de Ética da casa casse os dois vereadores com base nas denúncias do MPE.

As duas representações estão tramitando na casa. A primeira está sob exame da Comissão Processante, formada pelos vereadores Ernesto de Jesus (PEN), presidente; Gelson Morais (PSD), relator, e Rildo Maia (PMDB), membro. A segunda está no Conselho de Ética da Câmara e deverá ser lida em plenário nesta semana.

‘Caso gasolina’

O problema envolvendo os vereadores Ray Cardoso e Everaldo Batista começou em 2015 quando Cardoso teria negociado a sua cota de gasolina anual com o empresário Suame Viana no valor de R$ de 10 mil.
O presidente afastado Everaldo Batista teria expedido um documento avalizando a operação. Suame não teria recebido a gasolina e nem o dinheiro e por essa razão denunciado o caso ao Ministério Público, que abriu um procedimento investigatório.

Cardoso nega que não vendeu a gasolina da Câmara e que teria pago o empréstimo feito muito antes da ação ministerial.

Os dois foram afastados em março deste ano e, com a “ausência” de Everaldo, assumiu a presidência da casa interinamente a vereadora Karine Brito, que tomou como medida principal realizar uma auditoria nas contas do Legislativo. A auditoria mostrou um rombo.

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