Sem categoria

Judoca amazonense se prepara para os Jogos Olímpicos de 2016

Um dos maiores prazeres de Rafaela é dar aula no projeto social da família - foto: Diego Janatã

Um dos maiores prazeres de Rafaela é dar aula no projeto social da família – foto: Diego Janatã

Uma das principais esperanças do Amazonas ser representado nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, a judoca Rafaela Barbosa, 22, vive uma rotina alucinante de treinos, ponte aérea entre Amazonas, São Paulo e Rio de Janeiro, e ainda dispensa um tempo para os estudos.

Na sede da Associação Barbosa de Lutas Esportivas (Able), projeto social criado por seu pai para ajudar crianças carentes do bairro Cachoeirinha, na Zona Sul de Manaus, a atleta recebeu o PÓDIO para um bate papo onde falou sobre as dificuldades do esporte no Estado, da falta de patrocínio e principalmente da expectativa para a convocação para as Olimpíadas.

Esperando convocações da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Rafaela garante que sua preparação está sendo bastante intensa para algumas competições até o final do ano.

“Estou treinando intensamente. Faço faculdade de direito pela manhã, quando estou em Manaus, e treino à tarde e à noite. Estou dando o máximo que eu posso e me preparando para algumas competições que irão acontecer no final do ano. Tenho um campeonato universitário e um Grand Prix, que é uma competição superimportante, e que fui chamada para disputar pelo Estado de Goiás”, frisou a atleta.

Ainda sem a definição de quais atletas irão ser convocados para as Olimpíadas pela Confederação Brasileira de Judô, a atleta se empolga quando o assunto é a competição mais importante e charmosa entre os esportes.

“Ainda não há uma definição de quem irá participar das Olimpíadas. Isso só será definido em abril de 2016, quando haverá a convocação. Estou dando o máximo para que as pessoas não pensem que estou onde estou apenas por ser do Norte e de um Estado que não tem tradição nesse esporte. Chegamos aqui e não temos incentivo do governo, mas não vamos parar de lutar, muito pelo contrário”, disse.

Segundo Rafaela, ela custeia a maioria das despesas dos campeonatos em que participa. Ela já chegou a gastar, em um campeonato na Europa, R$ 12 mil.

“Tenho uma bolsa de estudos pela Unip e dois patrocinadores. A Fieam e o Banco do Amazônia, mas alguns campeonatos saem do meu bolso. Participar de competições internacionais é muito complicado, pois tudo sai do meu bolso. É muito dinheiro e nem tudo é patrocinado e existem coisas que infelizmente eu não posso custear e que atrapalha a evolução de um atleta de ponta. Eu só queria que o poder público pudessem olhar para o Estado do Amazonas e ver que temos muitos talentos aqui’, desabafou.

A judoca acredita que o nível dos atletas brasileiros evoluiu muito nos últimos anos, e que a maioria das judocas do Brasil têm chances de trazer medalhas para o país na competição internacional. Rafaela se empolga quando o assunto é a chance de trazer a primeira medalha olímpica para o Amazonas.

“As chances de medalha o feminino inteiro do Brasil tem. O nosso judô está muito forte. Eu acredito que evoluiu muito porque, em 100 anos de judô no Brasil, nunca uma amazonense chegou a disputar uma seletiva olímpica. E eu consegui quebrar esse paradigma, quando ganhei a seletiva. Não só no Amazonas, mas qualquer atleta da região Norte tem condições de vencer”, garantiu.

Vida normal

A vida de uma atleta de alto nível não é uma das mais fáceis, entretanto, Rafaela garante que consegue com algum esforço levar uma vida normal.

“Dizer que a gente tem uma vida normal é mentira. Dia de sexta-feira, as pessoas normais vão para festas, passear, e eu estou treinando. chego em casa e só quero comer e dormir. Mas o que eu não abro mão, de vez em quando, é quebrar um dia da dieta e ir para o cinema. Adoro ver filme e dormir (risos)”, revelou.

Por Stênio Urbano

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir