Eleições 2016

José Ricardo diz estar satisfeito com PT e declara que partido mais acertou que errou

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O candidato do PT afirmou que o lado que escolheu defender foi o da população – foto: divulgação

Com 21 anos de filiação no Partido dos Trabalhadores (PT), o deputado estadual José Ricardo é um dos nove candidatos à Prefeitura de Manaus e se diz satisfeito com sua legenda. Também não vê motivos para sair do partido, mesmo tendo integrantes da cúpula envolvidos em diversos escândalos nacionais. Para ele, o PT mais acertou que errou, além de defender a população mais pobre. “O PT não tem nenhum cacique, não tem dono. A sigla tem essa característica democrática e de debate interno”, comentou. Questionado sobre o plano de governo, ele fala que alguns projetos devem ser pensados a curto, médio e longo prazos. Confira a entrevista do jornal Amazonas EM TEMPO na íntegra:

EM TEMPO – Como surgiu a decisão de ser candidato a prefeito de Manaus nestas eleições 2016?
José Ricardo – O PT vinha defendendo que, nas eleições, fosse lançada uma candidatura para poder discutir propostas para a cidade de Manaus. O partido lançou candidato somente em 2008 e, em 2012, apoiou a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB). A maioria do partido está com esse propósito de lançar uma candidatura, considerando que Manaus é uma cidade cheia de problemas, e ao mesmo tempo para defender propostas do governo federal, do governo Lula e Dilma, que estavam implementando no país e que aqui em Manaus não estavam sendo implantados por conta da prefeitura, que não tinha interesse nenhum. Então, houve uma decisão de lançar candidatos e, depois do lançamento da candidatura, nós dialogamos com os partidos aliados, na defesa do projeto, de avanços no Brasil, que nós temos implantado nos últimos anos, e dos programas sociais que fizeram uma diferença na vida das pessoas. Aqui no Amazonas, muitas pessoas foram beneficiadas por programas do governo federal. Dialogamos com vários partidos aliados e o PCdoB, partido que também tinha a candidatura do ex-deputado Eron Bezerra, acabou por fechar aliança com o PT e indicar o vice na chapa, que é o militante Yann Evanovick, líder estudantil, que está há anos nessa luta.

EM TEMPO – O PT atravessa uma crise política em nível nacional por conta de escândalos de corrupção. Isso pode respingar na sua candidatura?
JR – Da nossa parte, a gente não vê muita preocupação quanto a isso. No Amazonas, o PT e o PCdoB não tiveram nenhum envolvimento com essas investigações em nível nacional. Quem está “arranhado” são aqueles que estão envolvidos na operação Lava Jato, são políticos que estão apoiando candidaturas a prefeito, como Eduardo Braga (PMDB), Omar Aziz (PSD), Pauderney Avelino (DEM), Arthur Neto (PSDB) e o seu filho Arthur Bisneto (PSDB). Todos eles são citados na Lava Jato, assim como Alfredo Nascimento (PR). Além de políticos que traíram a confiança do Brasil e do Amazonas, que votaram contra o governo que trouxe tantos benefícios sociais. Ou seja, aqueles que votaram pelo afastamento da presidente Dilma estão apoiando o golpe. Então, nós não temos nenhum problema. Os outros é que têm que se justificar para a sociedade, porque que estão traindo a confiança dos eleitores que votaram nesse projeto de avanços sociais e que estão, agora, contribuindo com este governo de retrocessos de direitos sociais e trabalhistas. Nós não temos nenhuma dificuldade, não fizemos parte de
nenhuma administração.

EM TEMPO – O impeachment da presidente Dilma parece irreversível, e o julgamento está previsto para começar amanhã. Qual sua avaliação
desse cenário?
JR – O PT surgiu da luta do povo brasileiro. O partido tem uma base social muito forte com os movimentos sociais, de professores, da saúde e em prol da moradia. O PT vem da luta dos mais pobres pelos seus direitos e ele vai continuar firme na mesma trajetória, vai lutar pela dignidade, pelo direito para os trabalhadores. O PT vai continuar lutando pelo transporte coletivo, pela habitação na mesma trajetória de luta. Isso não vai
mudar nada.

EM TEMPO – Quem é o seu maior adversário neste pleito, em Manaus?
JR – O nosso lado é o da população, os outros candidatos, que, teoricamente, estariam em uma disputa mais afetiva, todos estão no mesmo lado, todos são do mesmo grupo político que está aí administrando o Estado há muitos anos. Nós temos um aliado, que é o povo. Nosso adversário são todos os desmandos, que deixaram consequências para a cidade de Manaus. Por exemplo, continuamos com o mesmo transporte público de 20 anos atrás. Todo esse pessoal que está querendo ser candidato já administrou a cidade. Eles já mostraram a incompetência, a falta de compromisso com o povo. As pessoas não querem promessas, querem objetividade. Não iremos distribuir aqueles grandes jornais para serem jogados em via pública e poluir o meio ambiente. Nosso pessoal está sendo treinado para entregar para as pessoas, orientando, para que as pessoas tenham consciência ambiental e evitem poluir o meio ambiente. Vamos utilizar também, intensamente, as redes sociais. Acredito que esse será o caminho para todos os candidatos
se comunicarem.

EM TEMPO – O senhor teve dificuldades em abrir sua conta bancária para arrecadar recursos. Resolveu o problema? Qual sua estimativa de gasto
nesta campanha?
JR -Toda a eleição é a mesma história: os bancos criam uma dificuldade porque, no fundo, não têm interesse em abrir conta bancária durante um mês e meio e depois fechar. O banco quer ganhar dinheiro com o dinheiro dos outros. Então, criam algumas burocracias, algumas dificuldades. Mas já abrimos a conta e estamos buscando doações de pessoas físicas, dos amigos. Já estamos começando a receber alguma coisa para início da campanha e vamos fazer uma campanha de arrecadação solidária com os simpatizantes, militantes e pessoas que acreditam nas nossas lutas, nos nossos projetos e nos nossos ideais. Não temos meta. Nosso planejamento envolve muita militância e muito trabalho voluntário. Nós já temos algumas atividades de rua e tem muita gente querendo contribuir. Nós temos algumas despesas, que vamos planejar, e a partir dessas necessidades vamos fazer uma campanha de arrecadação, prestando contas de acordo com a Legislação Eleitoral. É uma campanha curta e, portanto, nem há necessidade de tantos recursos, já que é só pessoa física que pode doar. Nós estamos incitando as pessoas a fazerem doações dentro da sua capacidade financeira. Você já tem pessoas que contribuem com o partido, com os filiados, com os simpatizantes do PT e com o PCdoB, que já sustentam o partido, que já sustentam as atividades partidárias. Já temos muitas pessoas que acompanham nossa trajetória e as nossas propostas e vamos convidar essas pessoas a estarem contribuindo com a gente. Sabemos da situação de crise e não vai haver nenhuma estrutura de gasto muito grande. Portanto, acreditamos que vamos conseguir o suficiente para poder colocar nossas propostas para conhecimento da sociedade. Temos aí a televisão, a rua, nosso material com as propostas de casa em casa e conversando com a população sobre aquilo que nós defendemos.

EM TEMPO – A Zona Leste sempre é alvo dos candidatos. O senhor tem alguma preferência por zona da cidade?
JR – Vamos atingir todas as zonas. Nós temos todos os dias muitas reuniões. Eu vou para um lado e o Yann (Evanovick) vai para outro diferente. Fazemos, às vezes, cinco bairros diferentes por dia, eu como prefeito e ele como vice. Nós vamos estar em muitos locais e há muita demanda de visitas, pessoas nos convidando, moradores querendo falar das propostas, falar dos problemas da cidade e muitas denúncias contra a administração. Recentemente, estivemos no bairro Compensa e houve uma enxurrada de denúncias de abandono daquela área. Por isso, queremos estar presentes em todos os bairros. Acordamos cedo e vamos acordar mais cedo ainda, porque em breve vamos fazer uma agenda para cobrir o distrito industrial. Vamos estar nas portas de fábricas, dialogando com os trabalhadores do distrito pela manhã e de madrugada também, no horário de entrada e saída dos funcionários. Utilizaremos a Kombi, que é um carro de som; ela tem essa função como instrumento de dialogar com a população. Nós estamos utilizando esse instrumento que é barato, simples, e a gente consegue se comunicar bem
com a população.

EM TEMPO – Manaus não reelege prefeito há 16 anos, o último foi Alfredo Nascimento, em 2000. Essa atitude do manauense sempre renovar o prefeito pode ser um ponto positivo para você?
JR – Eu considero que a população, ao não reeleger, está apontando e denunciando que não aceitou e que não viu uma boa administração naquele prefeito que não consegue ser reeleito. É a resposta da sociedade. Com certeza, o prefeito atual não será reeleito porque não existe nenhuma área de responsabilidade no município que tenha avançado. Se falarmos do transporte, nós tivemos até retrocesso. Tem 3 anos que não há ônibus em Manaus. Em 2016, não há nenhum ônibus novo trafegando na cidade, não foram construídos abrigos de ônibus, os empresários estão querendo aumentar a tarifa e o serviço é precário. Se eu analisar o serviço de água, só essa razão já seria suficiente para não reeleger o prefeito, considerando que, hoje, parte da população da cidade de Manaus não tem água encanada 24 horas por dia. No quesito moradia, o prefeito vai terminar a gestão sem entregar uma casa, quando nós temos uma demanda habitacional enorme. Ele não entrega uma casa, mas ajuda a derrubar uma casa de quem está tentando construí-la. Ele não aprova projetos de entidades da sociedade civil que querem construir residências. Na saúde, só 50% da cidade tem acesso à atenção básica, por meio das UBSs. Não tivemos nenhum crescimento neste período. Tem bairros inteiros sem serviço de recapeamento de rua, sem drenagem, um problema seríssimo quando chove. Então, há um conjunto de fatores que são muito claros, tanto que o prefeito tem o maior índice de rejeição entre os candidatos. Eu acredito que ele não vai ser reeleito, e nós que estaremos administrando Manaus a partir do ano que vem.

EM TEMPO – Dependendo dos planos de governo que se tem, às vezes, é inviável implantá-los em apenas 4 anos de gestão. Caso seja eleito, quais serão suas prioridades para a cidade?
JR – O planejamento é importante. A gente tem que pensar a cidade em 4 anos no governo municipal, mas também pensar a médio e longo prazos. O sistema de transporte é prioridade. De imediato, temos que fazer uma auditoria no sistema, no contrato com as empresas e também na planilha de custo da tarifa de ônibus. Temos que investir a curto prazo em um corredor exclusivo, para dar agilidade aos ônibus, e pensar nos estudos sobre o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Nós discutimos isso com técnicos, especialistas, e participamos de um seminário para discutir a mobilidade urbana. Isso não é possível ser construído em uma gestão. A proposta, para ter todo o projeto técnico, buscar recursos, ser for reeleito você mesmo dará a continuidade, se não for reeleito, o próximo prefeito dará continuidade com recursos disponibilizados. É um investimento de médio e longo prazo que tem que ser iniciado agora e nós vamos fazer na administração. O que falta hoje na administração é seriedade. Está faltando mais diálogo com a população, que não participa de nada, porque a prefeitura não permite. Tem que ter gastos com publicidade para promover ações que possam ajudar a população e não a promoção pessoal. Gasta-se mais de R$ 200 milhões em publicidade, que é um recurso precioso que poderia ser investido em construção de escolas e de habitação. Com metade desse valor, seria possível construir, no mínimo, 20 escolas de dez salas de aula.

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