Esportes

Jogadores da seleção admitem culpa e isentam Dunga

Parte da delegação brasileira desembarcou nesta terça-feira (14) no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.


A equipe, que retornava da eliminação vexatória da Copa América Centenário, nos EUA, após derrota para o Peru, foi recebida por poucos torcedores no saguão de desembarque do aeroporto.

Entre fotos de fãs e gritos de “perdeu para o Peru! Vai ganhar de quem?”, alguns jogadores falaram com a imprensa, reconheceram o desastre e minimizaram a culpa do técnico Dunga.

Escolhido capitão pelo treinador, o zagueiro Miranda, da Inter de Milão (ITA), afirmou que esperava ficar pelo menos entre os quatro primeiros da competição, dividiu a culpa entre todos e disse que Dunga não falou com os jogadores em tom de despedida.

“Acho que a seleção fez uma má atuação. Cada um tem sua parcela de culpa. O momento é para cada um fazer a auto crítica”, afirmou.

Willian, meia do Chelsea (ING), também isentou Dunga. O jogador reconheceu que falta algo à seleção, mas não soube indicar o que seria. O meia também afirmou que nenhum jogador fez corpo mole.

“Nosso objetivo é entrar em campo e sempre tentar dar o melhor para a seleção. Infelizmente o resultado foi negativo”, disse. “Acho que o jogador vê o que pode fazer de melhor. Acho que alguma coisa está faltando porque os resultados não estão vindo”, completou.

Primeiro a desembarcar, Lucas, do PSG, deu a entender que a participação na competição foi uma oportunidade perdida, mas vislumbrou tempos melhores para a seleção.

“A sensação é de que poderia ter feito algo mais. A gente teve a oportunidade. Como falei, os treinos foram bem feitos, mas o resultado não veio. Temos que acreditar sempre, pensar positivo, porque acredito na qualidade dos jogadores. Podemos levar a seleção de volta ao topo, infelizmente a fase não é boa. Não tem o que falar. É trabalhar e deixar as coisas acontecerem”, afirmou.

SEM DESCULPA

O goleiro Alisson, do Inter, que falhou em gol regular não validado pela arbitragem na primeira partida, contra o Equador, não relembrou o lance, mas disse que o erro do juiz contra o Peru, que decretou a eliminação brasileira, não pode ser usado como desculpa.

“Tem dias no futebol que as coisa não dão certo, a última partida não deu. Saímos eliminados com gol irregular, mas faz parte. Todo mundo está sujeito a erro: o árbitro e nós também. A gente não pode se escorar nisso. Temos que pegar os pontos positivos das nossa atuações para melhorar”, disse.

PRESSÃO OLÍMPICA

Rodrigo Caio, zagueiro do São Paulo, foi o mais solícito em responder aos questionamentos da imprensa. O jogador, que tem idade olímpica e deve estar entre os convocados nesta quarta-feira (15), afirmou que a eliminação foi ainda mais dura pelo fato de ter sido “injusta” e falou sobre os jogos Olímpicos no Rio. A seleção brasileira vai em busca da primeira medalha de ouro na competição.

“Pressão sempre existe. Jogar pela seleção sempre tem uma pressão muito grande, ainda mais em uma competição que o Brasil nunca venceu. Ainda tem a convocação para sair, e fico na expectativa. Temos condições. Temos uma geração muito boa e acredito que temos plenas condições de ganhar essa Olimpíada”, afirmou.

REUNIÃO

Dunga e Gilmar Rinaldi, coordenador de seleções, não desembarcaram em São Paulo. Passaram pela alfândega e seguiram direto para o Rio de Janeiro, onde nesta terça terão uma reunião na sede da CBF com o presidente da entidade, Marco Polo Del Nero.

A CBF diz que é uma reunião que já estava marcada, para tratar dos 35 convocados da pré-lista que tem que ser enviada à organização da Rio-2016 até quarta-feira.

No entanto, após a eliminação precoce da Copa América, Dunga está com o cargo ameaçado e o encontro pode definir o seu futuro à frente da seleção brasileira.

Na segunda-feira (13), a Folha de S.Paulo revelou que Marco Polo Del Nero disse a pessoas próximas que está decidido: não quer continuar com Dunga.

A reportagem também mostrou que o presidente já escolheu seu preferido para substituir Dunga: o corintiano Tite, que, agora, já considera a possibilidade de aceitar ao convite, segundo familiares e amigos.

O treinador de 55 anos já recusou quatro chamados para falar sobre o assunto, de um ano para cá. Agora, porém, avalia que, se o convite chegar, pode aceitar.

O futuro de Gilmar Rinaldi ainda é incerto, segundo pessoas ouvidas pela reportagem.

Por Folhapress

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