Cultura

Jazz com musicalidade amazônica para o mundo

Miquéias Pinheiro (à direita) e Ítalo Jimenez estão à frente do “Amazon Jazz Project” – Márcio Melo

O título da iniciativa já deixa clara a intenção de seus realizadores: levar a mistura de jazz contemporâneo e ritmos amazônicos também para países estrangeiros. O “Amazon Jazz Project” reúne o contrabaixista Miquéias Pinheiro e o saxofonista Ítalo Jimenez, ambos amazonenses, para tocar releituras de clássicos do jazz, obras de compositores do Norte – mais especificamente de representantes do beiradão – e composições próprias.

Miquéias Pinheiro, entrevistado na edição deste mês da revista “Bass Player Brasil”, conta que a apresentação do show na cidade começou no mês passado, e o palco escolhido foi o do Jack’n’Blues Snooker Pub (rua Pará, Vieiralves), onde o “Amazon Jazz Project” será atração durante a terceira quarta-feira do mês. Hoje, o show inicia às 21h30 e o couvert custa R$ 15.

O contrabaixista considera essa primeira fase um pré-lançamento do projeto. “É uma espécie de laboratório. O Ítalo e eu queremos fomentar e divulgar a música instrumental em Manaus”, comenta Miquéias. A afinidade artística entre ambos foi decisiva para que os músicos apostassem nessa iniciativa.

“O Miquéias e eu já trabalhamos na banda Tucumanus e no evento ‘Brazilian day’, em Nova York. Temos uma trajetória de trabalhos que desenvolvemos juntos”, lembra Ítalo.

O repertório do “Amazon Jazz Project” está recheado de composições dos dois artistas. Ítalo Jimenez gravou, em 2001, o CD “Codajazz”, pelo extinto “Valores da terra”, e Miquéias Pinheiro lançou o disco “Groove do beira – The sound of the Amazon” no ano passado. Neste último, foram incluídas duas canções de Ítalo, “Parece Hermeto” e “Sax beiradão”. Também fazem parte do show, que tem entre duas e 2h30 de duração, “Juruá”, de Gilson de Souza, e “Vestido longo”, de Arismar do Espírito Santo.

Além de fortalecer a cena do jazz instrumental na capital amazonense, os músicos pretendem levar essa proposta musical além da Região Norte.

“Pensamos em apresentar o ‘Amazon Jazz Project’ para o público norte-americano, por exemplo. Daí o nome do projeto em inglês”, diz Miquéias. “Esse é um ‘gancho’ para levarmos o show para o mercado internacional, inclusive apresentarmos em festivais de jazz”, completa Ítalo. “Por isso, pretendemos com o tempo tocar somente um repertório autoral”.

O saxofonista observa que o título escolhido é mais abrangente do que definir o projeto, por exemplo, como “beiradão jazz”. “‘Amazon’ é um nome que chama a atenção no mundo inteiro, e o jazz todo mundo conhece”.

Sobre o beiradão, Ítalo destaca que trata-se de um subgênero musical que tem influência, por exemplo, de ritmos latinos dos países que fazem fronteira com a Amazônia. “O beiradão é uma mistura atípica, mas, termina sendo um ritmo específico”.

Incentivo

Com 25 anos de carreira, Ítalo Jimenez comenta que a cena de música instrumental em Manaus mudou ao longo desse período, mas ainda a considera “pequena”.

“Surgiram músicos novos que contribuíram para esse trabalho. Algumas coisas legais foram realizadas, como o Festival Amazonas Jazz, mas ainda falta mais incentivo para esse tipo de música na cidade”, analisa.

Ao longo das próximas edições do “Amazon Jazz Project” no Jack’n’Blues, Miquéias Pinheiro e Ítalo Jimenez pretendem abrir espaço para a divulgação de outros trabalhos artísticos, além da música.

Luiz Otavio Martins
EM TEMPO

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Subir