Política

Janot diz que não tem nada a ver com ameaças de Renan e Cunha contra si

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, evitou polemizar nesta terça-feira (16) sobre eventuais retaliações da cúpula do Congresso em sua candidatura para permanecer no cargo por mais dois anos.


Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ambos investigados no STF (Supremo Tribunal Federal) por suposto envolvimento em casos de corrupção na Petrobras, defendem abertamente a derrota de Janot. Para os peemedebistas, Janot fez uma escolha política ao pedir a investigação contra eles.

Questionado sobre as ameaças dos congressistas, o procurador-geral disparou: “Isso é com eles. Não tenho nada a ver com isso”, disse.

Janot foi evasivo sobre sua campanha pela recondução ao cargo, afirmando que vai consolidar as metas alcançadas e prometer realizar as que não conseguiu fazer.

O procurador-geral participou de um evento do Conselho Nacional do Ministério Público para o lançamento de um manual para a produção do Portal da Transparência do órgão, que é independente dos Três Poderes.

Na cerimônia, o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) chegou a comentar indiretamente as pressões sob o procurador. “Incentivo ao senhor por todas as coisas que o senhor está passando. O senhor tem orgulho de ocupar o lugar que ninguém tem inveja na República”, brincou o ministro.

Janot deve ter como rivais os subprocuradores-gerais da República Carlos Frederico Santos, Mario Luiz Bonsaglia e Raquel Dodge. Os candidatos terão 50 dias para pedir votos e convencer seus pares.

Para ser reconduzido, o candidato terá que ser um dos três mais votados pela categoria. Uma lista tríplice será então levada ao Planalto.

O chefe do MP é indicado pelo presidente da República e nomeado após aprovação pelo Senado. O mandato é de dois anos, permitidas sucessivas reconduções. Os dois antecessores de Janot ficaram quatro anos no cargo cada um.

MANDATO

O mandato de Janot termina em 17 de setembro. Ele é apontado como favorito, principalmente diante das pressões que tem sofrido de congressistas investigados no âmbito da Operação Lava Jato. Ao todo, 35 congressistas, sendo 22 deputados e 13 senadores, são alvos do Supremo.

Além do desgaste com o Legislativo, Janot protagonizou uma briga com a Polícia Federal sobre o comando das investigações da Lava Jato.

Ele está no cargo desde 2013. Chegou na reta final do julgamento do mensalão, participando da análise dos recursos e da execução das penas dos 24 condenados.

Mario Luiz Bonsaglia é doutor em direito pela USP e coordenador da 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF (Controle Externo da Atividade Policial e Sistema Prisional), da qual também participa Carlos Frederico Santos.

Raquel Dodge é mestre em direito por Harvard (EUA) e titular da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF
(Criminal).

Por Folhapress

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