Economia

Investimento seguro até mesmo em época de crise

Graças à ausência de altos e baixos nos valores das obras de arte, esse mercado é uma boa oportunidade de negócios. foto: divulgação

Graças à ausência de altos e baixos nos valores das obras de arte, esse mercado é uma boa oportunidade de negócios. foto: divulgação

Não existe tempo ruim quando o assunto é investir em arte. Mesmo em período de crise que, aliás, é considerado um momento oportuno. “O valor aplicado na obra de arte não tem altos e baixos. Para um colecionador que não vai vendê-la de imediato é lucro certo mais adiante”, diz Vera Lúcia Chaccur Chadad, organizadora do evento Salão de Arte, em São Paulo. “O valor não cai e tende a aumentar ao longo do tempo”.

Um exemplo de que investir em obras de arte permanece um bom negócio aconteceu no início de novembro, durante uma temporada de leilões de trabalhos impressionistas e modernos na Sotheby’s – sociedade multinacional de vendas por leilão, formada em Londres, mas atualmente sediada em Nova York. Após uma noite de estreia com vendas desanimadoras, foram movimentados US$ 306,7 milhões, com destaque para a tela “La Gommeuse”, de Pablo Picasso, arrematada por US$ 67,5 milhões.

No Brasil, o próprio Salão de Arte é um exemplo bem-sucedido, que em agosto deste ano chegou a sua 22ª edição. Trata-se de um evento de caráter beneficente cuja bilheteria é doada de forma integral para a instituição escolhida para ser ajudada financeiramente.

O mercado brasileiro de obras de arte pode ser considerado interessante. “O nosso mercado apresenta um grande acervo, tanto nacional quanto internacional, dando uma extensa gama de opções para o comprador”, observa Vera Lúcia Chaccur Chadad. A decoradora lembra que os profissionais da área, que participam de feiras do gênero, costumam procurar obras inéditas para apresentá-las em seu espaço nesses eventos. “Muitas vezes as obras ficam guardadas meses para depois serem apresentadas ao público”.

Vera Lúcia explica que as formas de negociação mais comuns no mercado de artes nacional são feitas diretamente em galerias, antiquários, leilões e feiras de arte, entre elas, o Salão de Arte, SP-Arte e Arte Rio. “Essas são as três maiores feiras do setor”, destaca.

A organizadora do Salão de Arte conta que quem costuma comprar obras de arte no país são colecionadores, jovens investidores que estão começando suas coleções e investidores. “Estes preferem aplicar o dinheiro em uma obra de arte de algum artista valorizado no mercado, do que no mercado financeiro”. E lembra que qualquer pessoa pode investir em obra de arte. “Mas deve procurar um bom profissional para orientá-lo”, sugere.

Em crescimento

A empresária Geyna Brelaz, da Galerie L’Amazonie, e Aidalina do Nascimento Costa, presidente do Instituto Dirson Costa de Arte e Cultura Amazônicas (IDC) – que abriga atividades como uma galeria de arte para venda direta ao consumidor –, classificam o mercado de arte em Manaus como um setor em crescimento.

“O mercado de arte na cidade ainda é uma obra em andamento, mas com chances totais de chegar lá muito rápido”, diz Geyna. “As iniciativas pontuais são válidas e muito importantes, mas precisamos desenvolver uma ação de ‘cadeia produtiva da arte’ mais ampla”, opina Aidalina. “Isso envolve desde os produtores e fornecedores de matéria-prima aos artistas até a entrega da obra de arte adquirida em uma galeria na casa do cliente. Isso está amadurecendo, à medida que novos empresários estão investindo neste segmento e buscando atuar neste mercado com o máximo de profissionalismo”.

Geyna Brelaz comenta que já existem no mercado local possibilidades de investimento em obras de artistas renomados e mais jovens. “A Galerie L’Amazonie possui um acervo e representa artistas consagrados e reconhecidos nos mercados local e nacional”, afirma. Entre esses artistas estão Moacir Andrade, Rita Loureiro, Óscar Ramos, Otoni Mesquita e Jair Jacqmont e, no grupo dos novos artistas visuais, estão Luisa Matsushita, Raphael Alves, Roumen Koynov, Eliomar Rodrigues e outros.

A empresária diz também que o foco da Galerie L’Amazonie, localizada no conjunto Vieiralves, é o mercado primário da arte, voltado para quem começa a tomar gosto por comprar e investir nesse setor e que ainda não é um grande colecionador. “Mas quando o processo de compra e venda no mercado da arte se inicia, é natural que o desejo acabe por elevar o valor dessas obras. Quem investe nunca perde”, explica Geyna, lembrando que, em Manaus, o perfil do público comprador de obras de arte é formado principalmente por homens entre 25 e 50 anos, profissionais liberais e empresários.

Ela considera ainda que, apesar do momento de crise na economia do país, o mercado de compra e venda de obras de arte “reage bem”. “Toda obra que tem qualidade, no sentido de autor e de produto, sempre vai encontrar um comprador investidor”.

 

Por Luiz Otavio Martins

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