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Invasões seguem sem serem desarticuladas em Manaus

Localizada em um fundo de vale, invasão no bairro Riacho Doce oferece riscos a ocupantes – foto: Ione Moreno

Localizada em um fundo de vale, invasão no bairro Riacho Doce oferece riscos a ocupantes – foto: Ione Moreno

Dos 25 focos invadidos em Áreas de Preservação Ambiental (APAs) nos últimos seis meses e que estão sendo monitorados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), apenas um deles foi desarticulado até o momento. No entanto, outras ocupações estão surgindo em áreas consideradas de alto risco pela Defesa Civil do Município.

Na semana passada, a Prefeitura de Manaus, por meio da Semmas, desocupou um terreno pertencente ao município, que fica localizado no bairro Santa Etelvina, Zona Norte. Na ocasião, sete pessoas foram presas pela Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema) acusadas de liderar a invasão e cometer crimes ambientais na área.

O espaço, que vem sendo motivo de brigas na Justiça entre o poder municipal e herdeiros do terreno, tinha sido invadido por, aproximadamente, 300 famílias há pouco mais de um mês.
Como medida protetiva, a prefeitura começou a erguer, na manhã de ontem, muro de concreto ao redor do terreno. A área seria equivalente 385 mil metros quadrados. No local, a presença da Polícia Militar inibiu alguns ocupantes que ainda tinham esperanças de voltar ao terreno para fixar moradia.

No residencial Viver Melhor, situado também no bairro Santa Etelvina, uma ocupação irregular iniciada timidamente há três semanas em uma área verde, vem ganhando forças e já abriga, aproximadamente, 200 famílias, segundo relatos dos próprios invasores.

Moradores do residencial acusam os ocupantes da invasão de promoveram diariamente desmatamento e queimadas, o que vem causando doenças respiratórias em crianças e idosos. Ainda segundo os moradores, vários órgãos já foram acionados, mas até o momento, nenhuma medida para paralisar os crimes ambientais foi tomada.

No bairro Riacho Doce 2, também na Zona Norte, ao menos 30 famílias estão instaladas irregularmente há duas semana em uma área de alto risco que já tinha sido interditada pela Defesa Civil do Município em 2007.

De acordo com os invasores, na semana passada, um técnico do órgão esteve no local para fazer uma análise técnica do terreno e na ocasião teria afirmado que as famílias poderiam continuar ali, mas com a condição de que não haveria escavações e nem desmatamento, uma vez que o solo é sustentado pela vegetação.

“Há mais de 10 anos outras residências foram instaladas nessa área e ninguém as retirou. Estamos só completando esse quarteirão que estava com esse espaço livre e só servia como depósito de lixo e mato. A Defesa Civil já veio aqui e constatou que não há risco de desabamento de terra, mas claro que não podemos mexer nas árvores. Vamos ficar até que a prefeitura de Manaus defina alguma coisa em relação a nossa moradia. O que precisamos é de teto e não de conflitos”, finalizou uma invasora que preferiu não se identificar.

Riscos
A equipe da Defesa Civil de Manaus informou que esteve no local no último dia 12 de agosto e conversou com moradores que ocuparam a área. Segundo os técnicos da Defesa Civil o local é de alto risco, e em 2007 o barranco deslizou por causa de construções irregulares, na época as famílias saíram no local.

O órgão ressaltou ainda que as novas famílias que começaram a ocupar o barranco já foram orientadas a sair por causa de novos riscos de deslizamento.

Sobre as novas ordens de desocupações administrativas nas áreas de preservação ambiental, invadidas de janeiro até julho deste ano, a Semmas ressaltou que não existem previsões para a execução dessas ações.

Por Gerson Freitas

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