Dia a dia

Invasões acirram ânimos da população de Parintins

A invasão da área pertencente à prefeitura, 300 pessoas ocuparam loteamento chamado Pascoal Allágio - foto: Lucas Paulino

A invasão da área pertencente à prefeitura, 300 pessoas ocuparam loteamento chamado Pascoal Allágio – foto: Lucas Paulino

Parintins (AM) – Após as invasões que deram origem aos bairros Itaúna 1 e 2, Paulo Correia e União, todos localizados na zona sul de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus), o município, há muito tempo, não via invasões de terras como as que estão em andamento na cidade dos bumbás. Conforme dados da Secretaria de Assistência Social, Transporte e Habitação (Semasth) de Parintins, o déficit atual de moradia na ilha Tupinambarana chega a 12 mil famílias.

A primeira das invasões está situada em uma área pertencente à prefeitura municipal no bairro União, em frente à igreja da Sagrada Família. A tentativa da Associação de Moradores do Bairro de alocar duas bancas de vendas na área acabou desencadeando a invasão, no início de março. Acusado de ter incentivado a ocupação irregular, o presidente da entidade, João Nogueira, nega as acusações. “Não temos nada a ver com a invasão no bairro, essa área será utilizada para a construção de uma praça”, afirma.

Em abril, a prefeitura requereu e obteve na Justiça a reintegração de posse da área, que foi cumprida pacificamente pelo comando local da Polícia Militar. “Mas, logo depois da medida ser cumprida, a maioria das famílias voltou para a área como se nada tivesse ocorrido, ou seja, descumprindo a sentença do juiz”, informa o comandante local da Polícia Militar, coronel Valadares Júnior.

O retorno dos invasores levou o juiz Fábio César Olinto de Souza a determinar uma nova ação policial no local para dar cumprimento à sua determinação. Ao longo da última semana, guarnições da Polícia Militar estiveram no local fazendo um reconhecimento terrestre e aéreo para a segunda etapa de desocupação, que deve ocorrer nesta semana. “Esse primeiro momento foi apenas um reconhecimento de como estão as coisas em toda a ocupação que já está atingindo uma Área de Preservação Ambiental”, informa Valadares Júnior.

Reintegração

Logo após a invasão da área pertencente à prefeitura, aproximadamente, 300 pessoas invadiram e ocuparam, em menos de 24 horas, uma extensa área de terra no loteamento Pascoal Allágio. “Foi uma ação organizada e executada com precisão”, adverte o comandante da PM.

A ocupação irregular, no limite do loteamento com o bairro do mesmo nome, se estende por outros loteamentos vizinhos. A área pertence à família Allagio Esteves, que, há 10 anos, iniciou o loteamento do local que deu origem ao bairro.     O empresário Pedro Esteves, filho dos proprietários, afirma que já obteve na Justiça a reintegração da área. “O juiz André Campos já determinou que essas pessoas deixem a nossa propriedade, porém, estamos cumprindo todos os trâmites legais”, informa.

Segundo ele, desde que obtiveram a decisão judicial, a família vem divulgando uma nota em todos os veículos de comunicação do município, informando sobre a ordem judicial. “Não queremos confronto com ninguém, mas não podemos, de maneira alguma, ter o nosso direito violado.Essa propriedade está loteada e muitos clientes nossos tiveram seus lotes invadidos e estão cobrando de nós uma posição”, observa Pedro Esteves.

O presidente da Associação de Moradores do bairro Pascoal Allágio, Márcio Santana, é outro que está preocupado com a invasão. “Nosso bairro já enfrenta muitos problemas, é um dos mais abandonados de Parintins e, agora, tem mais essa situação. Depois que iniciou a invasão, o dia todo é uma fumaceira aqui no bairro que ninguém suporta”.

As famílias que invadiram o loteamento formaram uma comissão coordenada por Tiago Silva, 30, que disse estar sabendo da decisão da Justiça de reintegrar a área. “Nós sabemos que foi feito um pedido de reintegração de posse, mas nós nunca dissemos que essa área era nossa, sempre dissemos que é do proprietário, o que nós sempre pedimos é que a prefeitura se manifestasse a nosso favor”, destaca.

Um relatório sobre a atual situação do terreno ocupado foi finalizado pelo comando local da PM e enviado, neste fim de semana, ao Gabinete de Gestão Integrada, órgão da Secretaria de Segurança Pública que coordena ações dessa natureza no Amazonas. O documento irá auxiliar no esquema estratégico que será usado pela PM durante o cumprimento da decisão do juiz.

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