Dia a dia

Invasão causa desmatamento em área verde na Zona Norte

Casebres já estão erguidos no local e até algumas vias começam a ganhar nome de rua. Enquanto a fiscalização não chega, os invasores avançam – Janailton Falcão

Uma área verde de, aproximadamente, quatro hectares localizada no bairro Nova Cidade, Zona Norte, voltou a ser ocupada por um grupo de invasores, causando desmatamento, queimadas e poluição no local. Aproximadamente 200 famílias se aglomeram em casebres de madeira erguidos sem qualquer estrutura num trecho situado às margens da avenida Curaçao, nas proximidades do balneário da Vovó Maroca, mais precisamente na rua 205.

O espaço, próximo a um cemitério indígena, já foi alvo de uma ação de retirada no dia 9 de setembro do ano passado, quando o Grupo Integrado de Prevenção às Invasões em Áreas Públicas do Estado do Amazonas (Gipiap) cumpriu o mandado
de reintegração.

Uma moradora do bairro, que preferiu não se identificar, disse que, a exemplo da vez anterior, alguns invasores começaram a vender terrenos em valores que variam de R$ 2 mil a R$ 3 mil.

“Eles voltaram para cá e já estão vendendo terreno. Geralmente, pedem de R$ 2 mil a R$ 3 mil”, disse.

Durante a visita da reportagem na manhã de ontem (16), os líderes da invasão tentaram intimidar a equipe e afirmaram que, para permanecer no local, era necessária uma autorização. Populares do entorno relataram que parte do grupo de invasores é formada por traficantes e que o local estava servindo para o comércio de entorpecentes.

Um ocupante irregular, Renan Vitor Tavares, 24, no primeiro momento se apresentou como indígena, no entanto, ao ser questionado sobre a documentação que comprovasse a sua etnia, o mesmo se retirou do local sem dar mais explicações. “Somos indígenas, viemos de Altazes e não temos onde morar”, afirmou.

Ruas com nomes

De acordo com assessoria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), a negociação estaria sendo realizada por “terceiros” que não tiveram os nomes divulgados. Alguns trechos já estavam até com nomes de ruas definidos. A Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema), da Polícia Civil, investiga o caso.

Mesmo ciente dessa ocupação irregular numa área de preservação ambiental, o Gabinete de Gestão Integrada da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Amazonas (GGI – SSP/AM) ainda não tem nenhum planejamento para a retirada dos invasores deste local.

Segundo o órgão, apenas uma reintegração de posse está prevista para ser deflagrada nos próximos dias em outra localidade.

Bárbara Costa
EM TEMPO

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