Política

Instituto Chico Mendes e municípios discordam, e criação de unidades de conservação é adiada

A comissão formada por parlamentares e produtores rurais dos municípios de Apuí, Manicoré, Novo Aripuanã, Maués e Borba e os técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) não chegaram a um acordo, na reunião desta quinta-feira (14), em Brasília (DF), sobre a proposta de demarcação de unidades de conservação dentro desses municípios, que abrange 4 milhões de hectares.

Esta comissão apresentou uma contraproposta ao ICMBio, a qual pede que seja reduzido para 3 milhões, ficando de fora as áreas onde funcionam planos de manejo sustentável e empreendimentos de turismo ecológico, agricultura, pecuária e outros que movem a economia e geram milhares de empregos. Também pede que as áreas onde existem projetos de desenvolvimento, como a construção de pistas de pouso, portos e hidrelétricas, além de jazida de fosfato, que já possui licença para pesquisa, não sejam somadas a estas unidades de conservação.

O presidente do ICMBio, Roberto Vicentin, ouviu a contraproposta, mas não firmou um acordo com a comissão. Foi agendada uma reunião para o dia 27 deste mês, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), em Manaus, onde o instituto irá apresentar uma nova proposta.

O vereador Carlos Weber (PMDB-Apuí), o ‘Carlão’, destacou que apesar do impasse, a reunião com o ICMBio foi bastante produtiva. “O presidente Roberto Vicentin teve a sensibilidade de ouvir os argumentos da população. Ele, agora, tem consciência de que a economia dos municípios sofrerá perdas e que milhares de famílias ficarão sem renda. O povo do interior não é contra a preservação ambiental, mas é contra os critérios que estão sendo usados para a demarcação dessas unidades de conservação. Isso precisa ser discutido e acompanhado pela sociedade”, afirmou.

Entendimento

O deputado Marcos Rotta (PMDB-AM), que participou do evento, disse que aposta no consenso. Afinal, para ele, a contraproposta apresentada pela comissão é inteligente e representa um avanço, pois ela aponta alternativas de preservação ambiental e, ao mesmo tempo, a manutenção da economia dos municípios.

O parlamentar destacou ainda o apoio da senadora Sandra Braga (PMDB-AM), que vem acompanhando a discussão e dando apoio aos representantes dos municípios.

“Em outras vezes que intercedi em questões semelhantes, existia um certo radicalismo de ambos os lados. Agora, vejo uma situação diferenciada. Políticos dos municípios, a sociedade e órgãos representativos não são contrários totalmente à criação e expansão das unidades de conservação, tanto é verdade que a população apresentou alternativas, propondo, principalmente, a redução da área de 4 para 3 milhões de hectares”,explicou Marcos Rotta.

“A demarcação, do jeito que está, atinge terras produtivas e áreas onde serão implantados projetos importantes, como portos, aeroportos e hidrelétricas, bem como territórios demarcados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Há também informações de que existem áreas do Estado incluídas nessa demarcação do ICMBio. Nós queremos que o Amazonas continue sendo o Estado mais preservado do País, mas decisões como essa, que mudam a realidade de cinco municípios, não podem ser simplesmente tomadas sem haver uma ampla e profunda discussão. O PMDB reitera o seu compromisso com a preservação e a manutenção de nossas florestas e riquezas naturais”, afirmou o deputado.

 

Com informação da assessoria

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