Dia a dia

Inquérito sobre acidente elétrico na comunidade da Sharp ainda não foi concluído

Maria Auxiliadora Gomes de Oliveira, 46, que ainda hoje sofre com as sequelas deixadas pelo acidente - foto: Diego Janatã

Maria Auxiliadora Gomes de Oliveira, 46, que ainda hoje sofre com as sequelas deixadas pelo acidente – foto: Diego Janatã

Após um fio de alta-tensão se romper, na rua Oriente, comunidade da Sharp, bairro Armando Mendes, Zona Leste, matar duas pessoas e ferir outras 12, mas o inquérito policial ainda não foi concluído.

De acordo com a Delegacia Especializada em Ordem Política e Social (Deops), todas as vítimas, familiares, e inclusive representantes da empresa Eletrobras Amazonas Energia já foram ouvidos pela especializada, porém, há algumas pendências em relação às vítimas que ainda não retornaram ao Instituto Médico Legal (IML) para fazerem exames complementares de corpo de delito.
A especializada estima concluir o inquérito até a próxima semana e encaminhá-lo à Justiça. Por enquanto, ainda não houve indiciamento de ninguém.

Mesmo sem marcas do acidente no corpo, algumas vítimas dizem que as marcas ficarão na memória, para sempre. É o caso da dona de casa, Maria Auxiliadora Gomes de Oliveira, 46, que ainda hoje sofre com as sequelas deixadas pelo acidente. “Passei vários dias com dores no corpo, tonturas e sensação de desmaio. Fora que eu sangrava pelo meu nariz. Até hoje ainda sofro com alguns dos sintomas, mas não faço tratamento porque não tenho emprego e não recebo ajuda de ninguém”, declarou.

Segundo Auxiliadora, o laudo médico apontou que ela deverá ficar com sequelas por muito tempo, entre as quais, dificuldades para caminhar, devido as dores na perna direita, e tonturas repentinas que a fazem desmaiar.

Com audiência marcada para o dia 8 de setembro, ela espera que a empresa concessionária de energia Eletrobras Amazonas Energia pague uma indenização. Após o acidente, ela alega ter ficado impossibilitada de trabalhar. “Nenhuma empresa quer me contratar por conta desses problemas que estou tendo após o acidente, espero que a Eletrobras pague pelo menos uma indenização para que eu possa montar alguma coisa própria e tire meu sustento”, comentou.

De acordo com o comerciante Pedro Paulo Ferreira, 42, pai do estudante Pedro Neto Ferreira, 11, que ficou internado no pronto-socorro da criança , na Zona Leste, a concessionária não prestou nenhum apoio para seu filho. Segundo ele, a criança necessitou passar por duas cirurgias plásticas, além de tratamento para as queimaduras nos braços.

“Meu filho ficou 50 dias internado. Fez a primeira cirurgia e eu paguei a segunda com meu dinheiro. Ao todo, já gastamos mais de R$ 25 mil e até agora, depois de todo esse tempo, ninguém da empresa veio falar comigo. Assistência zero. Ainda não entrei na Justiça porque estou aguardando a melhora do meu filho, mas irei entrar, sem dúvida, com uma ação contra a Eletrobras”, informou.

Laudo

O laudo técnico da Eletrobras Amazonas Energia, divulgado oito dias após o acidente, apontou que o rompimento foi causado por um corte de linha de pipa. Segundo a empresa, o resultado se deu com base em fotografias e depoimentos de técnicos eletricistas que estiveram no local, que constataram que cinco, dos sete fios que compõem o cabo, foram cortados. Com isso, os dois fios restantes não suportaram a tensão do próprio cabo, causando o rompimento.
Acidente

O acidente aconteceu no dia 5 de junho, durante uma festa religiosa. O fio de alta-tensão se rompeu atingindo 12 pessoas, e matando na hora o casal Valdemir Rodrigues Nascimento, 36, e Valdeana Nascimento, 25. No dia do acidente, moradores da comunidade chegaram a comentar que o pedido da troca dos fios da rede elétrica havia sido solicitado por diversas vezes à Amazonas Energia, porém, nenhum técnico chegou a ir ao local.

Colaborou Luís Henrique

Do Agora

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