Cultura

Influência cultural chinesa no Brasil é mais antiga do que se pensa

Maior crescimento econômico dos últimos 25 anos. Produto Interno Bruto (PIB) aumentando 10% por ano. Renda per capita chegando a US$ 8.395 por pessoa (PPP) em 2011. Não há dúvidas: em todos os indicadores sociais, a China se mostra um verdadeiro fenômeno internacional.

Recentemente, o país passou a se aproximar do Brasil e do Amazonas. Mas ao contrário do que muitos imaginam, as influências da nação mais populosa do mundo na cultura brasileira são profundas e antigas.

Quando nós, brasileiros, pensamos em cultura e China, os primeiros exemplos que vêm em nossa mente são as artes marciais como o Tai Chi Chuan e o Kung Fu, imortalizados no cinema por um dos grandes ícones midiáticos do país, Jet Li. Ou a medicina, representada pela acupuntura, técnica praticada há mais de quatro mil anos e cada vez mais aceita e utilizada no Brasil.

Mas alguns hábitos muito comuns do nosso cotidiano também vieram da mesma fonte. Um estudo de 1999 do professor José Roberto Teixeira Leite, do Instituto de Artes (IA) da Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo, que está disponível na internet, encontrou diversas práticas da cultura chinesa refletidas na nossa.

Unhas compridas

Vejamos alguns exemplos: Deixar as unhas compridas – os chineses deixavam as unhas das mãos crescerem (geralmente apenas a esquerda) como sinal de status social. Ter as unhas grandes era sinal de que o indivíduo poderia abrir mão do trabalho manual.

A prática teria chegado ao Brasil após influenciar os britânicos e posteriormente, os portugueses; fetiche por pés pequenos – O imperador Tunghun Ho admirava os pés pequenos da sua esposa ao dançar e instituiu isso como padrão de beleza.

Mais tarde, esse padrão influenciou os britânicos e posteriormente os portugueses e brasileiros. Tanto que em obras clássicas como “Quincas Borba” e “Dom Casmurro” (de Machado de Assim), esse aspecto já era percebido nas brasileiras.

Dizer “um cheiro” ao invés de “um beijo” – Os chineses não conheciam o beijo de lábios e gostavam de sentir o cheiro das pessoas. O hábito passou incólume por Portugal e pegou diretamente no Brasil, segundo a pesquisa.

“Arrotar” após as refeições – Embora seja considerado hoje um ato grosseiro e falta de educação, no passado era visto como um sinal de agradecimento pela comida. Também chegou ao Brasil durante o período colonial.

Relações com o Amazonas

O país asiático possui atualmente dois projetos anunciados para o Amazonas, mais especificamente a instalação de fábricas. O valor total dos investimentos é de R$ 200 mil. Também há intenção de instalar uma filial da BYD no Polo Industrial de Manaus (PIM).

O investimento anunciado nessa segunda unidade é de US$ 400 milhões e a projeção é de que sejam gerados mais de mil empregos. Será o maior investimento da empresa fora da China.

Com todo esse ímpeto e a influência da sua cultura na brasileira, a expectativa é de que o campo da cultura seja o próximo elo entre amazonenses e chineses. Em junho de 2016, Manaus receberá o Congresso Internacional de Teatro e já estão confirmadas atrações vindas da China.

As discussões sobre o mesmo Congresso, que terá sua edição seguinte em Pequim em 2018, também deve aproximar ainda mais as duas culturas.

Por Fred Santana (especial Jornal EM TEMPO)

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