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Indústrias da ZFM cogita demitir para adequar custo da energia elétrica

Comércio também aponta para corte de pessoal como forma de manter o setor mais competitivo em tempos de crise econômica – foto: Arquivo Em Tempo

Comércio também aponta para corte de pessoal como forma de manter o setor mais competitivo em tempos de crise econômica – foto: Arquivo Em Tempo

A partir de hoje, a Eletrobras Distribuição Amazonas está autorizada a cobrar o reajuste de quase 42,55% da tarifa de energia elétrica, com efeito retroativo ao mês de outubro do ano passado e por isso, indústrias da Zona Franca de Manaus (ZFM) já cogitam repassar o custo extra ao consumidor. Outra medida apontada pelo empresariado é demitir mais funcionários a fim de evitar um colapso.

Conforme o vice-presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo os gastos provocados pelo aumento exagerado na tarifa de energia elétrica deve, inevitavelmente, provocar desempregos e causar impacto direto na inflação do Amazonas.

“É difícil darmos uma porcentagem, mas esse aumento vai impactar negativamente na produção da indústria e, com isso reajustes no quadro de funcionários deverão ser feitos. Isso compromete também a competitividade e o poder aquisitivo da população, que já não está com o volume que deveria. Atualmente, muita gente está desempregada e mais trabalhadores poderão ficar desempregados também”, declarou Azevedo.

Segundo Azevedo, a energia elétrica é um dos principais insumos utilizados no processo de produção, pois nem todas as empresas do Estado utilizam gás natural e atualmente, máquinas de estamparia, solda, pintura e injeção plástica são os que mais sofrem. “Até o momento não há outra medida que se possa adotar. É realmente preocupante, pois automaticamente isso poderá acelerar a mortalidade de empresas que já estão com dificuldades”, apontou.

Para o consultor de empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), Teruaki Yamagishi as companhias terão que fazer um planejamento de corte de gastos ainda maior, pois o aumento será cobrado retroativamente. “As empresas não irão conseguir pagar a energia. Muitas já estão com a situação bastante delicada em relação aos gastos. É um absurdo sem tamanho. No mundo inteiro não existe situação como essa”, afirmou.

O reajuste para consumidores residenciais será de 38,8% e para empresas (consumidores de média e alta tensão) chega a 42,55%. Yamagishi considera esse índice fora da realidade brasileira, que vive um período de crise econômica crítico.

A nova tarifa, mesmo tendo a possibilidade de ser parcelada, também terá impacto direto no consumidor residencial. “Eu não entendo porque esses aumentos nunca são baixos. Sempre que aumentam, eles já chegam assim, com mais de 30%. Isso é um absurdo, mesmo podendo parcelar o prejuízo isso é um absurdo”, disse a dona de casa Maria das Graças, 53.

O mestre de obras Lúcio Costa, que mora com mais quatro pessoas no bairro Terra Nova, Zona Norte, disse que a conta de luz da sua casa irá aumentar cerca de R$ 70. “Pago sempre algo em torno de R$ 200. Com esse reajuste minha conta vai chegar a quase R$ 300. Chega a ser desesperador, porque todo dinheiro faz falta”, lamentou.

Comércio

Para o comércio, as perdas também irão repercutir de forma negativa e diretamente no bolso do consumidor. O vice-presidente da Câmara Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Raul Andrade informou que o comércio é dependente da indústria e que custos gerados a partir do novo aumento não terão como ser evitados.

“Estamos vivenciando um momento de queda na economia. O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou uma queda de quase 4% no ano de 2015, e o Estado do Amazonas teve o primeiro lugar na queda de produção industrial, com menos 15%. Entendemos que o desemprego não seja a melhor solução, mas quando a indústria vai mal, o comércio automaticamente vai mal também. Esse aumento irá pressionar o comércio de Manaus. Estamos todos cortando gastos”, ponderou.

Por Luis Henrique Oliveira

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