Economia

Indústria e comércio preocupados com elevação da Selic

Com a elevação de mais 0,5 ponto percentual sobre a taxa básica de juros do país (Selic), as perspectivas dos setores são de maiores quedas no volume de vendas do comércio, da produção e arrecadação da indústria, que levarão a um maior contingente de trabalhadores demitidos. A avaliação é de representantes do setor que se dividem entre uma medida penosa, mas correta, ou equivocada por parte do governo, que elevou a Selic para 13,75% ao ano.

Associação Comercial do Amazonas explica que com juros mais altos o comércio cairá ainda mais o volume de vendas do setor - foto: Alberto César Araújo

Associação Comercial do Amazonas explica que com juros mais altos o comércio cairá ainda mais o volume de vendas do setor – foto: Alberto César Araújo

A sexta alta seguida confirmada pelo Banco Central no governo da presidente Dilma Rousseff, desde outubro do ano passado, confirma para o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, uma crise econômica que precisa de ajustes. “Senão, não conseguiremos voltar ao nosso crescimento”, comentou.

Ainda que ache uma medida necessária, Bicharra observou que ela diminuirá a demanda para o mercado, cujo setor comercial já supera a marca de 20% de queda no seu volume de vendas. “Já estamos vivendo isso muito forte. Houve queda muito grande nas vendas do comércio nos últimos meses. O consumidor hoje está muito preocupado com as contas face ao número elevado de desemprego, porque, se o comércio não vende a indústria não produz e, portanto, haverá demissão em massa”, salientou.

Apesar de dizer que a elevação da Selic é o caminho para retomar o crescimento, causa preocupação ao presidente da ACA as previsões de que ainda este ano a taxa básica de juros sofra nova alteração e feche o ano em até 14,75%. “Deve haver uma captação muito grande na poupança, porque falamos do maior juros do mundo. E com isso deverá ocasionar numa quantidade muito grande de dinheiro do próprio mercado”, avaliou.

Arrocho

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, apontou a alta da Selic como reflexo um reflexo da recessão pela qual passa o país. “É um arrocho muito grande da sociedade brasileira como um todo, o cidadão comum e os empreendedores. Cada vez mais se reduz a produção e estão todos meio que desconfiados, o que leva a falta de investimentos do empresariado e do próprio governo”, explicou.

Azevedo observou que o governo aumentou a alta na taxa de juros e inibe o consumo, sem fazer o dever de casa. “Ele [o governo] deixou de gastar o que estava previsto no orçamento, mas não cortou os gastos correntes”, disse. “E nessa recomposição de caixa do governo nós estamos tentando produzir mais com menos. E ele só pode aumentar impostos. As empresas aguentam até certo ponto”, concluiu.

Não há plano B para a crise, diz economista

Para o presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Marcus Anselmo da Cunha Evangelista, o governo federal apresentou uma ação desastrosa com mais uma alta da taxa básica de juros. “Está mais do que provado que ao aumento da Selic não está controlando a inflação do jeito que a equipe econômica do governo esperava. É uma medida que veio num momento já ruim”, salientou.

Apesar da crítica, Evangelista observou que hoje “infelizmente não ainda há um plano B”. Segundo ele, a equipe econômica está numa assertiva de que, com a elevação da taxa, as próprias fábricas reduzam os preços de vendas dos seus produtos para eliminar o seu estoque e o comércio, de modo geral, reduza os preços e desta forma contenha a inflação. “Esperamos que as coisas retomem o rumo do crescimento, que o PIB volte a crescer”, comentou.

Por Emerson Quaresma jornal EM TEMPO

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