Economia

Indústria e comércio consideram MP aprovada no Senado injusta para trabalhadores

 MP altera as regras de acesso do trabalhador ao seguro-desemprego, seguro-defeso e abono salarial - foto: divulgação

MP altera as regras de acesso do trabalhador ao seguro-desemprego, seguro-defeso e abono salarial – foto: divulgação

Representantes da indústria, do comércio e dos trabalhadores do Amazonas são contrários à medida provisória (MP) 665, aprovada na noite de terça-feira (26) pelo Senado. A MP altera as regras de acesso do trabalhador ao seguro-desemprego, seguro-defeso e abono salarial. Empresários e trabalhadores alegam que a medida penaliza a sociedade como um todo. A matéria segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.

Pela regra atual, o trabalhador tem acesso ao seguro-desemprego após seis meses de trabalho consecutivos. Pelo texto aprovado, agora o vínculo empregatício mínimo é de 12 meses. O governo queria 18 meses, mas, para conseguir a aprovaçao da medida, aceitou a reduçao para uma ano. Sobre o abono, para ter direito é necessário 90 dias de trabalho no ano anterior, ao invés dos 30 dias atuais. Para o acesso ao seguro-defeso, o pescador profissional terá que comprovar ter trabalhado por um ano e não três, como previa o governo.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM), José Roberto Tadros, avaliou que o governou agiu errado em jogar o ônus da crise econômica do país nas costas do empresário e dos trabalhadores. Para ele, a medida cria dificuldades à população. “Isso tem que acabar neste país. Ninguém aguenta mais essas coisas acontecerem”, afirmou.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, salientou que o ajuste econômico de modo geral, onde inclui a MP 665, cai em cima de empreendedores e trabalhadores. Segundo ele, o governo, quando anuncia redução de despesas, corta apenas despesas futuras, quando deveria diminuir despesas mensais como, por exemplo, o número de ministérios e cargos comissionados.

Na avaliação do presidente da Força Sindical no Amazonas (FS), Vicente Filizola, houve uma vitória importante, mas a expectativa da classe era de que o Senado pudesse reverter a decisão ou aprimorar a MP 665 colocando algumas emendas que beneficiassem os trabalhadores, o que não aconteceu. “A maioria dos senadores votaram a favor dessas maldades. Lamentamos que os três senadores amazonenses tenham votado a favor”, apontou.

Filizola enfatizou que as mudanças só irão valer quando a matéria for sancionada pela presidente da República, sendo que, desde o mês de março deste ano está valendo a proposta inicial do governo federal. Para ele, no geral, o governo está cobrando dos trabalhadores e eles não fizeram anda. “Nesse momento de crise, onde o desemprego está aumentando, restringir o acesso ao seguro está errado. Nós não temos que pagar conta nenhuma”, frisou.

Por Silane Souza (equipe Jornal EM TEMPO)

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