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Indústria do Amazonas vai de mal a pior

Na comparação com igual mês de 2015, a indústria amazonense recuou 25,0% em fevereiro deste ano - foto: Diego Janatã

Na comparação com igual mês de 2015, a indústria amazonense recuou 25,0% em fevereiro deste ano – foto: Diego Janatã

A produção industrial do Amazonas registrou, em fevereiro queda, pelo nono mês consecutivo. Em relação a janeiro deste ano, o recuo foi 4,7%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período de nove meses, a queda foi de 26,7%. Considerando os trimestres, a baixa foi de 4,8% na atividade tendo como parâmetro de levantamento os dados de janeiro e fevereiro de 2016. A trajetória descendente começou em dezembro de 2014.

Na comparação com igual mês de 2015, a indústria amazonense recuou 25,0% em fevereiro deste ano. Foi a vigésima terceira taxa negativa consecutiva neste tipo de confronto. O índice acumulado nos dois primeiros meses do ano apontou recuo de 28,0%, ritmo de queda mais intenso do que aquele verificado ao último trimestre do ano passado (-23,0%), ambas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, ao passar de -18,4% em janeiro para -18,7% em fevereiro de 2016, manteve a trajetória descendente iniciada em março de 2014 (9,4%).

Para o presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Nelson Azevedo, não há perspectivas de que tão cedo seja encerrada a sequência negativa na produção do setor. Segundo Azevedo, que também é vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), o cenário tende a piorar por conta da falta de confiança dos empresários e investidores da indústria, diante do quadro de crise econômica e política do país.

“A queda na produção vai continuar. Aí vai haver aumento do desemprego, juros mais altos e créditos reduzidos”, disse ele. Em Brasília, para reuniões com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Azevedo informou que o setor trabalha na construção de uma agenda nacional para apresentar ao governo, na busca para sair da crise de 2016 a 2018. “Infelizmente, tudo o que o governo atual quer fazer é aumentar impostos e buscar a CPMF. Não tem nada de redução de despesas. A mudança do comando do país parece ser o caminho”, avaliou.

A produção industrial do Amazonas recuou 25,0% em fevereiro de 2016 frente a igual mês do ano anterior, com perfil disseminado de taxas negativas, já que nove das dez atividades pesquisadas assinalaram queda na produção. O setor de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-37,8%) exerceu a influência negativa mais relevante sobre o total da indústria, pressionado, em grande parte, pela menor produção de televisores, gravador ou reprodutor de sinais de áudio e vídeo (DVD, home theater integrado e semelhantes), receptor-decodificador de sinais de vídeo codificados e rádios para veículos automotores.

Vale mencionar ainda os recuos vindos dos setores de outros equipamentos de transporte (-35,4%), de máquinas e equipamentos (-77,6%), de bebidas (-11,3%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-10,1%) e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-45,9%), explicados, em grande medida, pela menor produção de motocicletas e suas peças. O único impacto positivo veio do setor extrativo (0,6%), impulsionado, especialmente, pela maior extração de gás natural.

Emerson Quaresma e assessorias

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