Dia a dia

Indústria da invasão continua a crescer em Manaus

O volume de focos de invasão em Áreas de Preservação Permanente (APPs) vem crescendo a cada ano – fotos: Marcio Melo

A “boa e velha” indústria da invasão de Manaus ameaça de extinção a fauna e a flora existentes em, ao menos, 21 pontos na cidade, registrados somente neste ano. Os principais líderes infratores dessas ações estão sob investigação da Delegacia Especializada em Meio Ambiente e Urbanismo (Dema), pelos crimes ambientais, e também pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), por envolvimento com organização criminosa. O volume de focos de invasão em Área de Proteção Permanente (APP) são os casos registrados apenas neste ano, segundo informações colhidas junto ao o Grupo Integrado de Prevenção às Invasões em Áreas Públicas (Gipiap).

Os nomes dos principais infratores dessa indústria não são revelados, segundo titula da Dema, delegado Samir Freire, para que as investigações não sejam prejudicadas.

Nos dois últimos anos, o Gipiap já registrou 120 focos de invasão em APPs. Em 2015, foram 51 focos, dos quais 21 foram totalmente extintos. Ao longo de 2016, o Gipiap conferiu 48 casos, sendo que 27 foram combatidos com ações de retirada por várias vezes. Outros seguem sob monitoramento pelos órgãos de fiscalização e controle que compõem o grupo. Só no ano passado, foram feitas, aproximadamente, 800 denúncias referentes aos focos combatidos.

De acordo com o delegado, os procedimentos policiais dos últimos anos já levaram o órgão ao conhecimento dos principais articuladores dessa indústria criminosa. Apesar de não revelar os nomes, Samir Freire afirma que alguns dos envolvidos se encontram presos, por se tratar de casos relacionados ao crime organizado e ao tráfico de drogas. Mas, em se tratando de legislação ambiental, ele explica que muitos estão soltos porque é um crime condicionado a pagamento de fiança. “Eles são liberados assim que efetuam o pagamento da fiança”, comenta.

Este ano, foram registrados 21 pontos em Manaus, parte deles sob o comando do crime organizado

Diante desses números, o delegado diz que, de maneira geral, a Dema tem atuado, semanalmente, sobre até 20 casos e todos estão sendo apurados. A região do Tarumã, Zona Oeste, e ao redor dos conjuntos habitacionais da Zona Norte concentram a maioria das invasões que degradam o meio ambiente, matam os animais e ainda servem de varadouros para as organizações criminosas.

Entre os principais focos, estão o Cidade das Luzes, que foi debelado, mas mantém alguma resistência de invasores. Há, ainda, a invasão Buritizal Verde e a da “Vovó Maroca”, ambas nas proximidades do conjunto Nova Cidade, onde ocorreu a morte do policial militar Sérgio Portilho. Outras ocorrências de invasão existem nas proximidades do conjunto Cidadão 7, do residencial Viver Melhor e nos arredores do bairro Parque das Garças. Nesses casos, o delegado Samir relata que foram necessárias inúmeras ações de desocupação, mas elas continuam acontecendo. “É importante deixar bem claro que a invasão não é uma questão policial, mas sim político-social”, observa.

Interesses espúrios por trás das invasões de terras

O perfil dos invasores de terras em Manaus mudou drasticamente na avaliação do juiz titular da Vara do Meio Ambiente e Questões Agrárias, Adalberto Carim. Ele observa que, atualmente, há o crime organizado trabalhando junto com os invasores, o que complica o combate a essa prática irregular pela qual se formou grande parte da cidade.

“Há 15 anos, essas pessoas entravam nas APP por motivos ideológicos, que podemos dizer ser estilo ‘Robin Hood’, invadir, socializar e democratizar a terra para quem não tem onde morar. Hoje, esses invasores estão nitidamente associados ao crime organizado e esse é um dado que temos que ter muito cuidado e atenção”, avalia Carim.

Emerson Quaresma e Gerson Freitas
EM TEMPO

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