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Indígenas do tiro com arco são esperança do Amazonas para Olimpíadas do Rio 2016

Apesar de ser sede do futebol, o Estado pode ficar sem representante na competição - foto: Thiago Fernando

Apesar de ser sede do futebol, o Estado pode ficar sem representante na competição – foto: Thiago Fernando

Em 2016, o Brasil, pela primeira vez, receberá uma edição do maior evento esportivo do mundo, os Jogos Olímpicos. Apesar de ter como sede a cidade do Rio de Janeiro (RJ), a competição está mobilizando todas as cidades brasileiras devido à importância e proximidade. No Amazonas não poderia ser importante.

Maior Estado em dimensão territorial do país e abençoado pelas belezas naturais, ele já está se preparando para receber seis partidas do campeonato de futebol da competição. Além disso, o Amazonas ainda pode receber delegações de ginástica e luta olímpica para o período de aclimatação.

Apesar de ser sede do futebol, o Estado pode ficar sem representante na competição. Antes certeza em algumas categorias como judô e luta olímpica, o Amazonas, hoje, só segue lutando por vagas em um esporte pouco conhecido e valorizado nacionalmente: o tiro com arco.

Modalidade milenar, antes utilizada em combates de guerras, o tiro com arco tem como seu grande nome no Estado o professor Aníbal Forte. Graças a um sério trabalho de peneira realizado nas comunidades indígenas do Amazonas, ele conseguiu revelar jovens atletas que hoje lutam para levar a bandeira baré ao topo do mundo.

Os frutos desse trabalho que começou há dois ano já são vistos. Os jovens arqueiros indígenas, Nelson Silva (Inha) e Graziela Paulino Santos (Yaci), conquistaram a medalha de ouro na prova em dupla do 41º Campeonato Brasileiro Outdoor de Tiro com Arco, realizado em Goiânia (GO) no final deste ano. Na ocasião, os jovens venceram a principal dupla brasileira e garantiram vaga na seletiva olímpica, que acontecerá no próximo dia 21.

Aos 20 anos, Graziela Santos, se mostra confiante com a possibilidade de disputar os Jogos Olímpicos. Descoberta em uma seletiva que aconteceu na Comunidade Três Unidos, ela revela que seu principal objetivo era vim para Manaus apenas estudar, porém, o esporte mudou sua vida e seu destino.

“Fui chamada junto com meus irmãos. Vieram 12 atletas, mas agora só tem seis. Nem pensava em vim para o esporte. Vinha para Manaus para estudar, mas tudo mudou. O esporte mudou meu jeito de viver, deu disciplina e responsabilidade, tanto com o esporte quanto com as pessoas. Me sinto nervosa, está chegando a seletiva para as Olimpíadas, estou treinando para chegar e fazer meu melhor. Esse último resultado dá uma confiança extra”, disse a jovem.

Outro indígena que vem se destacando é Gustavo Santos. Aos 19 anos, o jovem registrou na mesma competição, a melhor marca de sua carreira e garantiu vaga na seletiva. Agora, seu objetivo é treinar para ficar entre os 10 primeiros e manter vivo o sonho de representar o Amazonas no maior evento esportivo do mundo.

“Começamos o ano mais ou menos, fomos melhorando com o passar do tempo. Finalizamos com uma pontuação a nível nacional. Agora é ficar entre os dez na seletiva e depois entre os dois. Não teremos férias. Única folga será no ano novo. Do dia 2 até a viagem será para se preparar. Com os resultados e evolução, começa a aumentar a confiança de ir para a seletiva e conseguir um bom resultado”, ressaltou Santos.

Por Thiago Fernando

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