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Impunidade prevalece em crimes no trânsito

O responsável por tirar a vida de Keyllene foi Renato Benigno, 38 - foto: Ricardo Oliveira

O responsável por tirar a vida de Keyllene foi Renato Benigno, 38 – foto: Ricardo Oliveira

“No dia anterior havíamos comemorado o Dia das Mães juntas. Foi a maior felicidade, foi maravilhoso. No dia seguinte, às 9h30, fiquei sabendo do acidente envolvendo a minha filha. De lá para cá, tenho tentado levar a minha vida normal, mas é impossível. Dor eu sinto todos os dias, tudo me faz lembrar ela. Uma dor no peito que eu não consigo explicar. Só quem é mãe e perdeu um filho sabe o tamanho dessa dor”.

A declaração acima é de Alcilene Nogueira, 46, que perdeu sua filha, Keyllene, 28, após festejar uma das datas mais especiais do ano ao lado de seu rebento. Horas depois, ela seria morta após ser atropelada na avenida Coronel Teixeira, Ponta Negra, Zona Oeste, quando empurrava o veículo em que estava, depois de uma pane, ao voltar de uma festa. O acidente aconteceu na manhã de 12 de maio de 2014 e, além da jovem, que era formada em gestão em saúde, o estudante Henrique Galvão, 18, também não resistiu aos ferimentos. Outras três pessoas ficaram feridas.

“Tinha conversado com ela no domingo. Quando aconteceu isso eu estava deitada. Mas a minha neta pressentiu algo. Ela nunca acordou de madrugada como acordou naquela madrugada, entre 4h e 5h30 da manhã. Acordou com um grito estrondoso que eu me assustei. Fiquei até preocupada se alguém estava malinando dela. Mas aí, normal né, fiz o mingau dela e pronto”, recorda Alcilene.

Procedimentos

O responsável por tirar a vida de Keyllene foi Renato Benigno, 38. De acordo com o Instituto de Criminalística da Polícia Civil, ele conduzia uma picape S-10, a, aproximadamente, 130 quilômetros por hora. Após fazer o teste de alcoolemia, o condutor teve resultado positivo para consumo de bebida alcoólica, apontando 0,69 miligramas de álcool por litro de sangue.

Preso após o acidente, Renato Benigno ficou pouco mais de três meses encarcerado. Hoje, ele responde em liberdade pelos crimes de duplo homicídio qualificado, tentativa de triplo homicídio qualificado e embriaguez ao volante. Livre, está impedido de dirigir veículo automotor, sair da cidade de Manaus e frequentar bares e casas de jogos. Ele deverá ficar em casa durante período noturno e nos finais de semana e feriados e também comparecer na Justiça mensalmente.

Justiça é a última esperança

“O que é mais doloroso é que ao bater no carro onde ela (Keyllene) estava com os amigos, ele arrastou a minha filha por mais uns 400 metros. Não pensou sequer em parar. Ele simplesmente mutilou a minha filha”, conta Alcilene, revoltada.
Para a mãe, restou as lembranças da filha e os últimos momentos vividos com ela horas antes do acidente, além da sensação de impunidade devido ao acusado estar em liberdade e levando a vida normalmente. “Eu peço justiça! Não desisto! Há de se levantar um promotor e um juiz para defender minha causa. Essa impunidade não pode ficar assim, não pode”, lamenta Alcilene.

Promotor critica mudanças

De acordo com o promotor de Justiça Jorge Veloso, responsável por analisar todos os inquéritos e Termos Circunstanciados de Ocorrências (TCOs) que chegam ao Ministério Público do Estado (MPE-AM) por meio da Promotoria de Justiça Especializada em Crimes de Trânsito, as recentes mudanças na legislação de trânsito não melhoraram as punições aos infratores.

“A legislação quando mudou, mudou para pior, porque antes a gente poderia fazer um concurso de crimes, ou seja, dirigindo alcoolizado e matando alguém, você respondia pelo homicídio e respondia pela embriaguez, eram dois crimes. Hoje em dia não, você só responde pelo homicídio. Só que ao invés de uma pena de detenção, você tem uma pena de reclusão. Mas a quantidade da pena é a mesma, de 2 a 4 anos. Em vez de ficar mais severa, na prática ficou mais branda”, explica Veloso.

Por André Tobias

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