Política

Impeachment: “nunca cogitei renunciar”, diz Dilma, ressaltando que governo interino é usurpador

A presidenta afastada faz sua defesa diante dos senadores – foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A presidenta afastada faz sua defesa diante dos senadores – foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em um discurso de 45 minutos, a presidenta afastada Dilma Rousseff falou nesta segunda-feira (29) que foi ao Senado “olhar diretamente nos olhos” dos que a julgarão. Ressaltou que nunca cogitou renunciar e não poupou críticas ao governo interino de Michel Temer.

“Um golpe que, se consumado, resultará na eleição indireta de um governo usurpador. A eleição indireta de um governo, que, já na sua interinidade, não tem mulheres comandando seus ministérios, quando um povo nas urnas escolheu uma mulher para comandar o país. Um governo que dispensa os negros na sua composição ministerial. E já revelou um profundo desprezo pelo programa escolhido e aprovado pelo povo”.

A petista negou ter cometido crimes dos quais é acusada, segundo ela, “injusta e arbitrariamente”. “Jamais atentaria contra o que acredito, ou praticaria atos contrários aos interesses daqueles que me elegeram”, disse a petista, visivelmente emocionada, com a voz embargada por várias vezes. Dilma disse que se aproximou do povo e, também, ouviu críticas duras a seu governo.

Ela afirmou que não cogitou renunciar, disse que “a traição, as agressões verbais e a violência do preconceito” a assombraram, “mas foram sempre superadas pela solidariedade, apoio e disposição de luta de milhões de brasileiros”. Dilma fez um apelo final. “Não aceitem um golpe que em vez de solucionar, agravará a crise brasileira”.

“Peço que façam justiça a uma presidente honesta, que jamais cometeu qualquer ato ilegal. Votem, sem ressentimento, o que cada senador sente por mim e o que nós sentimos uns pelos outros importa menos, neste momento, do que aquilo que todos nós sentimos pelo país e pelo povo brasileiro”, afirmou.

Dilma citou presidentes brasileiros que foram afastados ou sofreram tentativas de afastamento, como Getúlio Vargas e João Goulart. “Hoje, mais uma vez, ao serem contrariados e feridos nas urnas os interesses de setores da elite econômica e política, nos vemos diante do risco de uma ruptura democrática”, disse.

Cunha
Dilma lembrou a atuação do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi o responsável por dar o sinal verde ao processo contra ela na Casa.

Sobre os políticos que se aliaram ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ela disse eles encontraram “o vértice da sua aliança golpista”. “Articularam e viabilizaram a perda da maioria parlamentar do governo. Situações foram criadas com apoio escancarado de setores da mídia”, disse. “Todos sabem que esse processo de impeachment foi aberto por uma chantagem explícita do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.”

Segundo Dilma, se ela tivesse se “acumpliciado” com a improbidade e com o que, classificou, que “há de pior na política brasileira, como muitos até hoje parecem não ter o menor puder em fazê-lo, eu não correria o risco de ser condenada injustamente”, afirmou.

Com informações da Agência Brasil e Folhapress

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