Política

Impeachment da presidente repercute na Aleam e CMM

Para o presidente da CMM, vereador Wilker Barreto (ao microfone), Eduardo Cunha não tem condição moral para deflagrar a cassação de Dilma- foto: divulgação

Para o presidente da CMM, vereador Wilker Barreto (ao microfone), Eduardo Cunha não tem condição moral para deflagrar a cassação de Dilma- foto: divulgação

O processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) dividiu opiniões entre vereadores e deputados na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

Para o Sinésio Campos (PT), o ato do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), deflagrado na última quarta-feira (2), foi algo “inoportuno, interesseiro e com uma forma de chantagear ainda mais o governo da presidente Dilma”. Segundo ele, a ação parte de um grupo político que tem sete ministérios, a vice-presidência da República e a presidência da Câmara e do Senado.

“Às vésperas de receber da Comissão de Ética o pedido de apuração, concidentemente, neste momento, o Eduardo Cunha aceita esse pedido. Ele quer desviar os olhares, uma vez que tem contas no exterior e tem muito a temer”, disse Sinésio. Também da bancada do PT na casa, José Ricardo caracterizou a autorização do processo como um ato de desespero por parte de Cunha.

Em defesa da presidente Dilma, o deputado Sabá Reis (PR) classificou de injusta a atitude de Cunha e a situação constrangedora que ele criou no país.

Já para o líder do PTN na Aleam, deputado Abdala Fraxe, a posição do presidente da Câmara Federal foi totalmente correta e que nunca na história do país existiram tantos pedidos de impeachment para um presidente da República, como os que tinham para Dilma Rousseff. Segundo ele, foram 38 pedidos de cassação do mandato e a iniciativa é totalmente louvável.

“O país tem que parar com essa paralisia em que se encontra. No momento que o presidente Eduardo Cunha aceitou o processo de impeachment, a bolsa já amanheceu com uma alta de 4%, e isso quer dizer que o mercado já começou a deslumbrar que o Brasil pode trocar os rumos ruins que estamos tendo hoje”, disse Abdala.

Para o tucano Bi Garcia, a melhor solução que Dilma poderia encontrar para o problema seria renunciar ao cargo. Ele comparou a presidente a um técnico de futebol, que teria todos os jogadores para fazer uma grande partida, mas que não teria mais o comando sobre os jogadores.

“Embora eu não comungue da política do presidente Eduardo Cunha, entendo que exista essa necessidade para que o país possa se planejar, se preparar para sair dessa crise que foi aprofundada com o governo do PT”, disse o parlamentar. O deputado Luiz Castro (Rede) se pronunciou a favor do afastamento de Dilma e de Eduardo Cunha.
O assunto também foi a tônica na sessão compensatória da CMM, na manhã de ontem. Um dos primeiros a trazer a questão à tona foi o vereador Mário Frota (PSDB), destacando que os jornais locais e do mundo inteiro trazem o processo de impeachment na página principal.

“Não sou eu quem está dizendo, é a imprensa quem destaca o impeachment de Dilma e com isso o Brasil só perde credibilidade”, disse. Na esteira de Frota, o vereador Arlindo Júnior (Pros) disse que espera que a renúncia de Dilma aconteça ainda este mês para que a população brasileira tenha um Natal mais feliz e um Ano-Novo melhor.
Na opinião do presidente da Câmara, vereador Wilker Barreto (PHS), Eduardo Cunha não tem condição moral, mas ele ainda é o presidente da Câmara, porque o Regimento Interno o diz dessa forma. “Não foi o Cunha quem fez a peça do processo de impeachment, e sim foi escrita por vários juristas. Agora é esperar a decisão do Congresso”.

A bancada do PT saiu em defesa de Dilma dizendo que a autorização do impeachment é uma “chantagem” de Cunha por estar sendo processado e correndo o risco de ser punido. Além disso, os parlamentares do partido alegaram que nunca houve na história do Brasil um impeachment de um mandato correto. “Que fique claro que a presidente está sendo acusada por um bandido que se chama Eduardo Cunha. Ele, sim, tem crimes para ser afastado da presidência da Câmara”, disse a vereadora Rosi Matos. Professor Bibiano, do PT, se disse tranquilo quanto ao processo contra a presidente Dilma.

O vereador Waldemir José disse que ficou claro que Cunha é chantagista, quando se posicionou a partir de uma decisão dos deputados federais do PT, que decidiram, por unanimidade, que iriam votar favorável ao procedimento de cassação dele (Eduardo Cunha), e que, por isso, autorizou o processo de impeachment da presidente.
“Isso é fruto de uma chantagem. O impeachment de Collor se deu não somente a pedido da oposição, mas teve o pedido de entidades como a CNBB, OAB, entre outras associações respeitadas”, acrescentou Waldemir.

Por sua vez, o líder do prefeito na Câmara, Elias Emanuel (PSDB), ressaltou que o processo de impeachment não se trata de uma guerra de caráter entre Dilma e Cunha, e sim, que o Congresso é quem deve dizer se é legal ou ilegal o pedido.

Por Henderson Martins e assessoria

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