Economia

Iguaria comum em Manaus, ambulantes pechincham na hora de comprar banana pacovã

Para segurar preço da iguaria, vendedores pechincham na hora de comprar o cacho da banana pacovã, que custa até R$ 60 em Manaus - foto: Raimundo Valentin

Para segurar preço da iguaria, vendedores pechincham na hora de comprar o cacho da banana pacovã, que custa até R$ 60 em Manaus – foto: Raimundo Valentim

Uma iguaria comum na cidade e que todo mundo gosta, a banana frita, apesar da alta no valor da matéria-prima, a banana pacovã, nos últimos meses, ainda não teve o preço reajustado para o consumidor final. Há menos de um ano, um cacho de banana pacovã variava de R$ 8 a R$ 20. Atualmente, na Feira da Banana, no Centro, o cacho pode ser encontrado até por R$ 60.

A falta de produção local em larga escala, aliada à importação do produto, contribui para encarecer a fruta, em virtude do valor do transporte do material.

Pechinchar

Para garantir a venda diária das bananas salgadas e doces, a única saída é pechinchar, de acordo com o vendedor ambulante, Francisco Macedo Barroso, 50. Ele comercializa a iguaria há mais de 20 anos, na esquina da avenida Carvalho Leal com a Codajás, no bairro Cachoeirinha, na Zona Sul.
“Em dezembro do ano passado, o cacho mais caro de banana saía a R$ 18. Hoje no mesmo local, na Feira da Banana, a gente encontra o cacho da pacovã de R$ 30, R$ 40 e até R$ 60. Temos que pechinchar o preço mais em conta, se não, não conseguimos vender o copinho da banana frita a R$ 3, independente de ser a salgada ou a doce”, explica Francisco.

Mesmo com mercado consumidor fiel, produção da banana frita é toda artesanal na cidade

Mesmo com mercado consumidor fiel, produção da banana frita é toda artesanal na cidade

Em dias de boas vendas, ele costuma “fritar” três cachos de pacovã verde (salgada) e um cacho de pacovã madura (doce). A quantidade da fruta em cada cacho varia de 28 a 32 unidades.

Sem concorrentes no entorno do local onde trabalha, e com uma clientela fiel – formada por estudantes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e escolas da área, além de servidores e pacientes de dois hospitais públicos próximos -, o vendedor de banana frita enfrenta apenas dois obstáculos nas vendas: os dias chuvosos e os eventuais fiados, que nem sempre são pagos.
“Por dia, estimo vender de cem a 150 copinhos de banana, mas, quando chove, o movimento diminui”, salienta Francisco. Ele calcula faturar aproximadamente R$ 1,8 mil líquidos, mensalmente.

De acordo com ele, o período de maior consumo da iguaria, durante o mês, vai do dia 5 ao dia 20. A partir do dia 21, as vendas também sofrem uma queda. Para garantir a qualidade do produto, Francisco garante usar apenas óleo na fritura, pois, segundo ele, o uso de banha vegetal – utilizada por alguns vendedores de bananas – após três dias deixa a iguaria ransosa. “O óleo garante que a banana fique crocrante por até cinco dias”, observa.

Além da banana, Francisco também vende batata frita, mas, segundo o ambulante, a procura pela fruta é bem maior. “A batata tem pouca saída, por semana vendo de 4 a 5 quilos, ao contrário da banana salgada ou doce, que tem uma saída maior”, afirma.

Produção sem escala industrial

Apesar do mercado consumidor de banana frita, em Manaus a produção da iguaria é totalmente artesanal. Mesmo as embalagens produzidas para serem comercializados em mercadinhos de bairro não seguem uma produção em escala industrial.

Em países vizinhos como Colômbia e Peru, é comum a produção de banana frita – batizada como banana chips, uma alusão à batata chips.
Entretanto, pelo país há cases de sucesso de pequeno empreendedores, como no Estado do Pará, onde a microempresária Maria Ferreira Sousa da Cunha criou há pouco mais de cinco anos a Bananita, que tem um faturamento anual estimado em R$ 300 mil.

Potencial

A empresária percebeu o potencial da banana frita, quando começou a utilizar as frutas que seriam descartadas – por estarem amassadas e sem poder de comercialização. Com a boa aceitação do produto e o crescimento de encomendas, o negócio foi se expandindo e já atende boa parte do Pará e alguns Estados vizinhos.

Outro exemplo é a microempresa Dabanana, localizada no Paraná, que além das bananas salgadas e doces também oferece ao público aipim (macacheira) frito, no formato chips. A marca atende parte do Estado, além de trabalhar em parceria com as cooperativas locais produtoras de bananas.

Pacovã vem de outros Estados

Há pouco mais de dois meses trabalhando com a venda de bananas fritas – além de batata e milho cozido -, em uma banca localizada em uma área estratégica da avenida Joaquim Nabuco, Centro, Zona Sul, o ambulante Carlos Alberto Dias, 55, também percebeu a alta da banana pacovã no principal ponto de comercialização do produto, a Feira da Banana.

“A cada dois dias vou à feira comprar banana. E nem sempre encontramos o mesmo preço dos dias anteriores. Os feirantes não têm culpa, porque a banana pacovã que consumimos em Manaus é importada do Acre ou de Roraima. O jeito é pechinchar, se não fica impossível vender o copo ou o saquinho pelo preço atual de R$ 3”, avalia.

Apesar de ter uma clientela fiel – formada em sua maioria por estudantes das unidades acadêmicas da Uninorte e por populares que saem do trabalho -, Carlos Alberto, ao contrário de Francisco, enfrenta uma forte concorrência, em virtude das bancas existentes a menos de um quilômetro na avenida Getúlio Vargas, e demais ambulantes que também comercializam o produto ao longo da Joaquim Nabuco.

“Dependendo do movimento do dia é possível vender até 150 copos ou saquinhos de banana. Quando chove, a procura por banana frita é maior. Já nos dias quentes, a procura é por milho cozido”, destaca.

Há pouco tempo no mercado, Carlos Alberto diz não ter estimado os lucros ainda, mas salienta que além dos gastos com a matéria-prima, há também despesas com o aluguel do ponto onde trabalha, e com um ajudante, já que as atividades iniciam às 7h e seguem até as 22h.

Apesar da boa procura pela banana frita, a produção da iguaria para a revenda em comércios de pequeno porte, segundo Carlos Alberto, é inviável devido ao preço a ser repassado aos comerciantes e os custos envolvidos no processo.

Por Síntia Maciel (equipe EM TEMPO)

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