Dia a dia

Idosa procura atendimento em UBS desde início do ano

Nascida em Mata Grande, no Sertão de Alagoas, Neuza mora em Manaus há 18 anos – foto: Rafael Nobre

No início da tarde desta quinta-feira, a senhora Neuza Maria dos Santos, 63,  voltou, pela terceira vez em menos de dois dias, à Unidade Básica de Saúde Leonor de Freitas, na Compensa, Zona Oeste de Manaus, para tentar marcar consulta com um gineocologista.

A busca começou em janeiro deste ano, quando Neuza procurou a UBS Dra. Ida Mentoni, no mesmo bairro, para entregar o resultado de exames preventivos que havia realizado dois meses antes. Ela então foi informada de que os médicos estavam de licença. “Cheguei na UBS Djalma Batista, no São Jorge, e os funcionários me disseram a mesma coisa”, relata.

Por recomendação de um contato, Neuza decidiu solicitar consulta na UBS Leonor de Freitas. “Avisaram que uma médica muito boa atendia ali, então resolvi procurar. Cheguei ao local na manhã de quarta-feira (17), por volta das 6h. Uma hora mais tarde, a recepcionista avisou que as senhas tinham acabado. Voltei às 15h45, como ela havia sugerido, e a recebi a mesma resposta”, explica.

Nascida em Mata Grande, no Sertão de Alagoas, Neuza mora em Manaus há 18 anos. Devido a uma série de problemas de saúde, ficou impossibilitada de trabalhar. Além de disfunção na tireóide e dois cistos no seio, Neuza teve de enfrentar uma cirurgia para retirada de erisipela, infecção cutânea que pode atingir o tecido celular. O movimento do pé ficou comprometido. Em fevereiro de 2013, Neuza machucou o ombro direito após uma queda.

Na mesma época, ela solicitou o auxílio-doença para o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). “Levei todos os laudos exigidos. O perito examinou e disse que não tinha problema nenhum, que na verdade eu me recusava a trabalhar”, relata. Em março deste ano, com uma série de exames nas mãos, Neuza fez nova tentativa, desta vez na unidade especializada em requerimento de auxílio-doença. Uma nova perícia foi marcada para 17 de abril, porém, por causa de um erro no registro do nome, o exame teve de ser remarcado.

“Meu nome de casada ainda constava do cadastro, sendo que nem eu sabia disso”. Ela já dispõe de título de eleitor e Cadastro de Pessoa Física (CPF). O prazo para entrega da nova carteira de identidade, no entanto, é de aproximadamente dois meses. “Não tenho onde morar, onde comer, remédio nem assistência. Será que vou sobreviver?”, indaga-se Neuza.

Temendo represálias, Neuza resolveu adiar a solicitação à UBS Leonor de Freitas para a próxima semana. “Costumam perseguir quem denuncia a situação desses locais”, justifica.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que que a UBS Leonor de Freitas possui seis clínicos gerais, três pediatras e três ginecologistas. Cada médico atende a 16 pacientes por turno, e se o usuário não consegue consulta no mesmo dia, é orientado a voltar no dia seguinte. Por ser prioridade, o caso deverá receber atenção imediata e encaminhado para um especialista.

A assessoria do INSS informou que o órgão não encontrou nenhum requerimento de auxílio-doença protocolado por Neuza. “Conforme os sistemas do INSS, ela requereu Benefício de Prestação Continuada de Assistência Social (BPC Deficiente) em março de 2014, tendo o benefício indeferido por não haver incapacidade para a vida e o trabalho”, diz a nota.

Por Daniel Amorim (equipe EM TEMPO)

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