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Ídolo amazonense relembra as quatros vezes que jogou contra o ‘Rei Pelé’

Rolinha conta as histórias dos quatro confrontos disputados contra Pelé – fotos: Márcio Melo

“Até a bola do jogo pedia autografo a Pelé”. Essa é uma das frases célebres do saudoso jornalista esportivo Armando Nogueira, resumindo o dom divino de jogar do “Rei do Futebol” e “Jogador do Século”, Edson Arantes do Nascimento, que nasceu na cidade de Três Corações-MG, mas conquistou o mundo futebolístico pela sua genialidade. Agora imagine enfrentar o gênio da bola dentro de campo no auge de sua carreira no futebol.

Quem encarou de perto esse feito em quatro oportunidades foi um dos maiores ídolos do futebol amazonense, em especial do Nacional Futebol Clube, Antônio Ricardo Peixoto Lima, conhecido como Rolinha. O jogador de meio campo, possuidor de uma exímia visão de jogo, com passes de precisão, sempre deixando seus companheiros na cara do gol, teve o privilégio de ser um dos adversários do jogador do século.

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Rolinha, aos 69 anos, hoje atuando como funcionário público municipal, fez um resumo das partidas em que viu de perto o “Rei do Futebol”, mas em todas as vezes não saiu vitorioso no placar. Mesmo assim, ele ressalta como foi essa pequena passagem diante do maior de todos os tempos.

Rolinha, aos 69 anos, hoje atuando como funcionário público municipal – Márcio Melo

“A primeira vez foi em 1968, pelo Nacional, no jogo amistoso no estádio da Colina, na derrota para o Santos por 2 a 1. A segunda partida foi em outro amistoso na inauguração do Vivaldo Lima, em 1970, jogando pela seleção amazonense. No final, perdemos para a seleção brasileira por 4 a 1. Na terceira vez, foi goleada para o Santos por 5 a 1, no amistoso no Vivaldo Lima, em 1971. Na quarta oportunidade, foi em 1974, pelo Campeonato Brasileiro, quando o Nacional perdeu para Santos por 1 a 0. Poderia ter sido cinco vezes, atuando pelo Rio Negro, mas estava machucado e não joguei na Vila Belmiro”, lembra.

O ex-jogador ganhou o apelido de Rolinha quando jogava pelada na rua, de um colega que narrava os jogos da garotada, pois tinha a cabeça pequena e cortava o cabelo feito uma navalha. Tendo a calma como uma de suas maiores virtudes, Rolinha recorda que nem mesmo atuar contra Pelé o deixou preocupado.

“Foi uma experiência única, porém, não fiquei deslumbrado com o acontecimento. No meu entender, a responsabilidade ficou maior com o Nacional, fazendo com que a equipe se desdobrasse mais em campo. Não houve nenhum tipo de perturbação, nem deslumbramento de estar ali frente a frente com o melhor jogador de todos os tempos. Eu era um jogador calmo, focado no jogo, logo, muito tranquilo em relação ao fato de ser o Pelé”, conta.

Dentre todos os duelos contra o “Rei do Futebol”, Rolinha destaca a partida contra a seleção brasileira no Vivaldão, em 1970, como a mais relevante.

“Era a inauguração do Vivaldão. Ali não tinha apenas o Pelé, mas também Rivelino, Carlos Alberto e um monte de jogadores de nome do Brasil. Essa partida foi a seleção amazonense com a brasileira, com as equipes A e B. No caso, joguei pelo time A do Amazonas. Ambas as equipes do Brasil ganharam por 4 a 1”, recorda.

Mesmo com toda fama e consagrado no futebol mundial, Pelé era humilde, descreve Rolinha – arquivo/Pessoal

Humildade

Mesmo com toda fama e consagrado no futebol mundial, Pelé era humilde. Das quatro vezes que ficou perto do “Rei”, Rolinha percebeu um jogador com virtudes bem diferentes em relação a outros atletas conhecidos, mostrando muita simplicidade com seus colegas e até com o adversário.

“Em campo, onde eu tive contato com ele, era um jogador humilde. O que chamava mais atenção eram as broncas que levava do Carlos Alberto, Joel, e não respondia absolutamente nada. Ele não respondia para seus colegas de time quando reclamavam dele em campo”, diz.

Na última vez que Rolinha teve a chance de jogar contra Pelé foi pelo Campeonato Brasileiro, em 1974, no Vivaldo Lima. Na oportunidade, o Nacional perdeu para o Santos por 1 a 0, mas, de acordo com ele, o “Rei do Futebol” foi caçado e sofreu uma marcação acirrada, sendo muitas das vezes ríspida dos jogadores que ficaram de marcar em campo.

O ídolo amazonense ao lado da esposa e das filhas

“Foi um jogo nervoso, até certo ponto violento. Nossa zaga, formada pelo Antenor, Renato, Eurico Souza e Florêncio, não deu trégua. Ele apanhou muito, mas também bateu muito, a ponto de quase quebrar a perna do Renato. Ele apanhou o jogo todo, só não apanhou do Luís Florêncio, porque não batia em ninguém. Todo mundo chegou junto dele, mas ele revidava. Era um jogador muito forte e duro. Nunca mais vai ter outro jogador igual a ele”, afirma.

Quando encarou por quatro vezes o jogador do século, Rolinha nunca teve a chance de trocar algumas palavras com Pelé, mas um fato marcante foi logo no primeiro jogo, quando, ainda muito jovem, ouviu poucas palavras, mas algo significativo, do maior de todos os tempos.

“Não houve diálogo, mesmo porque nós éramos adversários, porém, na primeira vez que joguei contra ele, na época tinha somente 19 anos. No fim da partida, ele passou perto de mim e disse ‘você joga muito, menino’. Isso para mim foi algo que não esperava, mas que ficou marcado para sempre”, conta.

Paulo Rogério
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