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Homicídios por arma de fogo crescem no Amazonas, aponta Mapa da Violência

Com dados divulgados pelo Mapa da Violência de 2016, o Amazonas possui o sexto maior aumento de homicídios por armas de fogo entre os Estados brasileiros – foto: divulgação

Com dados divulgados pelo Mapa da Violência de 2016, o Amazonas possui o sexto maior aumento de homicídios por armas de fogo entre os Estados brasileiros – foto: divulgação

Dados do Mapa da Violência mostram que a taxa de homicídios por armas de fogo no Amazonas cresceu 233% entre 2004 e 2014. Já a capital do Estado teve aumento de 231% no mesmo índice. Com esses números, o Amazonas possui o sexto maior aumento entre os Estados brasileiros, ficando atrás do Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. O Mapa da Violência faz parte de uma série de estudos realizados pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, desde 1998, que tem como temática a violência no Brasil.

O secretário de segurança pública do Amazonas, Sérgio Fontes, avaliou os números e apontou quatro fatores como causas do aumento. “O aumento da violência aconteceu no Brasil inteiro. O maior problema ainda é o narcotráfico. Tanto que os Estados com maiores índices de mortes, os do Nordeste, são os mais afetados pelo narcotráfico. Eles recebem justamente a droga proveniente do Amazonas e suas fronteiras”, afirmou.

O colapso do sistema carcerário também contribui para esses índices, segundo o secretário. “Um sistema carcerário superlotado onde o detento não passa por ressocialização e acaba saindo pior do que era quando entrou acaba criando mais traficantes e assassinos. É um sistema que se perpetua”, explicou.

O terceiro motivo, segundo Fontes, é a falta de políticas públicas para a juventude na tentativa de evitar o recrutamento de jovens pelo crime organizado. “É preciso parar para pensar: onde estavam os jovens que matam hoje, há 10 anos? Com o direcionamento correto, eles não estariam cometendo crimes”, opinou.

O último fator listado por Sérgio Fontes foi o mais polêmico. “É preciso responsabilizar o consumo de drogas também, não apenas o tráfico. Muitos crimes são cometidos por pessoas sob efeito de drogas. Entendo que o debate defendido por alguns setores da sociedade pela descriminalização das drogas deva acontecer. Mas esse problema não pode ser ignorado”, ponderou.

Dados gerais

De 1980 até 2014 morreram no Brasil 967.851 vítimas de disparo de arma de fogo. Desse total 830.420 (85,8%) foram homicídios. Os homens representam 94,4% na média nacional. De acordo com o primeiro Mapa da Violência, divulgado em 1998, a principal vítima da violência homicida no Brasil é a juventude. Na faixa de 15 a 29 anos de idade, o crescimento da letalidade violenta foi bem mais intenso do que no resto da população.

Conforme o estudo, não há sequer um balanço formal do número de armas existentes no país. Os grandes produtores de armas são acusados de fornecer escassas informações sobre suas transações nacionais ou internacionais.

Em comparação a outros países, o Brasil ocupa uma incômoda 10ª posição entre os 100 países analisados, com taxa de 20,7 homicídios por arma de fogo, por cada 100 mil habitantes. Os dez países com as maiores taxas de homicídios por arma de fogo são: Honduras (1º), El Salvador (2º), Ilhas Virgens (3º), Venezuela (4º), Colômbia (5º), Bahamas (6º), Belize (7º), Porto Rico (8º), Guatemala (9º) e Brasil (10º).

História

Julio Jacobo Waiselfisz é vinculado à Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), organismo internacional e intergovernamental autônomo, fundado em 1957 pelos estados latino-americanos, a partir de uma proposta da Unesco, entidade da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Por Fred Santana

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