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Holandês campeão olímpico diz que água da baía é nojenta e perigosa

O atleta foi o campeão da Copa Brasil de Vela, disputada entre os dias 15 e 20 de dezembro, na baía de Guanabara, mas reclamou do grande número de sacos plásticos na água - foto: reprodução

O atleta foi o campeão da Copa Brasil de Vela, disputada entre os dias 15 e 20 de dezembro, na baía de Guanabara, mas reclamou do grande número de sacos plásticos na água – foto: reprodução

O velejador Dorian van Rijsselberghe, campeão olímpico em Londres-2012 na classe RS:X, publicou texto em seu blog oficial reclamando da poluição da baía de Guanabara, local em que serão disputadas as provas de vela da Olimpíada de 2016, no Rio.

O atleta foi o campeão da Copa Brasil de Vela, disputada entre os dias 15 e 20 de dezembro, na baía de Guanabara, mas reclamou do grande número de sacos plásticos na água.

“Era comum que sacos plásticos prendessem na quilha. Isso aconteceu com meu companheiro de treino 13 vezes durante uma regata. Tivemos que navegar de ré para tirar o lixo que prendia na prancha. Como será nos Jogos? Velejadores navegando de ré para vencer a corrida. Isso é o que acontecerá se ninguém tomar medidas drásticas para mudar a contínua poluição da água”, afirmou o velejador.

“A [baía de] Guanabara tem tantos sacos plásticos que a população do mundo todo poderia usar os sacos para suas compras de Natal. Resumidamente, a água é nojenta e perigosa”, completou.

O velejador relata ter visto apenas um barco fazendo a limpeza da baía durante os treinos e provas da Copa Brasil. Dorian diz ainda que um dos membros de sua equipe técnica quase vomitou enquanto navegava na baía. “Puro esgoto”, declarou.

“Fico feliz de ter vencido na semana passada. Talvez venci porque tive a menor quantidade de lixo na minha quilha. Olhando para trás, vencer em uma sopa de sacos plásticos não me dá alegria”, afirmou.

POLUIÇÃO

A poluição da baía é o principal alvo de críticas da Rio-2016. Pouco antes do evento-teste de vela, realizado em agosto, reportagem da Associated Press mostrou níveis elevados de vírus nos locais de competição.

Durante o evento-teste oficial da Rio-2016, foram registrados 43 casos de mal-estar em atletas, treinadores e juízes. Apenas entre os velejadores, a taxa foi de quase 9%, segundo a comissão médica da Isaf (federação internacional de vela).
A entidade monitorou casos de diarreia e problemas estomacais durante e após a competição. O objetivo era avaliar os riscos reais de uma competição nas águas poluídas da baía de Guanabara.

Na avaliação do médico croata Nebojsa Nikolic, membro da comissão, o resultado apresentou uma taxa “dentro de níveis aceitáveis”.

No entanto, o lixo flutuante já havia sido um problema para a competição. A dupla brasileira de vela Samuel Albrecht e Isabel Swan capotou durante a disputa da classe Nacra 17 por causa de um plástico no espelho d’água.

O acidente, relatado pelo ex-velejador Lars Grael, membro da comissão técnica da equipe de vela, ocorreu numa das três raias fora da baía de Guanabara.

“Um saco plástico prendeu no leme e desarmou a trava. O barco saiu do rumo e aí houve a capotagem”, disse o ex-velejador, duas vezes medalhista olímpico.

Na época, Grael afirmou que houve outros relatos de problemas com lixo, mas pontuais. Ele disse que havia pouco detrito flutuante na baía graças à ausência de chuvas fortes.

“A qualidade da água está aquém do ideal. Mas não foi aquela lixarada que temíamos”, disse.

O gerente de competições da Isaf, Alastair Fox, afirmou que é comum esse tipo de acidente em regatas em todo o mundo.

“Em qualquer lugar do mundo tem lixo. Nosso objetivo é tornar o local de competição o mais justo possível. Mas competimos num ambiente natural. Muita coisa pode acontecer”, disse.

OUTRO LADO

A reportagem tentou entrar em contato com a Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro e com o comitê organizador da Rio-2016 para comentar as críticas feitas pelo velejador holandês, mas até o fim da tarde deste sábado (26) não obteve resposta.

Por Folhapress

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