Sem categoria

‘Hidrelétrica de Balbina foi um crime ambiental’, diz Eduardo Braga

Projeto-piloto da primeira usina de energia solar flututante do mundo sobre as águas de uma hidrelétrica foi lançado ontem pelo governo federal – foto: Diego Janatã

Projeto-piloto da primeira usina de energia solar flututante do mundo sobre as águas de uma hidrelétrica foi lançado ontem pelo governo federal – foto: Diego Janatã

Contestada por ambientalistas e cientistas sociais, quando da sua construção no final dos anos 1980, a usina hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), foi classificada pelo ministro de Minas e Energia (MME), Eduardo Braga, como “um dos maiores crimes ambientais que a engenharia já cometeu neste país”.

A afirmação do representante do governo brasileiro foi feita ontem (5) durante o lançamento do projeto-piloto da primeira usina de energia solar flutuante do mundo sobre as águas de uma hidrelétrica. O projeto, que custará R$ 112 milhões, é financiado com recursos do fundo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Braga explica que a hidrelétrica de Balbina tem capacidade instalada para gerar até 250 megawatts (MW) de energia. Ela, segundo ele, inundou, aproximadamente, 2.250 quilômetros quadrados de floresta e, hoje, com os efeitos da estiagem que atinge a região, produz apenas 50 MW.

Num comparativo com a usina de Belo Monte, o ministro afirma que a obra no Estado vizinho alagou apenas 1% de área de floresta em relação a Balbina, e vai produzir 11 mil megawatts. “Olha a diferença do custo-benefício do ponto de vista ambiental”, comenta.

O ministro aponta ainda que, Balbina, com uma subestação de 330 megavolt ampère (MVA), que garante a capacidade de transmitir até 250 MW de energia, e uma linha de transmissão de 230 de quilowatt (kV), está subutilizada.

Ele argumenta que, com a energia solar flutuante, é possível administrar o uso da água e diminuir as implicações ambientais herdadas dos erros cometidos na construção da barragem.

“Podemos poupar água e evitar que o lago se transforme num verdadeiro paliteiro, deixando expostas todas as substâncias orgânicas que não foram retiradas durante a sua construção. Os engenheiros que trabalham na manutenção da usina sabem a implicação que essas substâncias têm de gases, da formação de matéria orgânica que se desloca até as turbinas e uma série de outras questões que impactam o custo da geração hidrelétrica”, enfatiza Braga.

Para o ministro, o projeto das placas fotovoltaicas, além de abrir o mercado desse modelo de geração de energia no país, veio mitigar o custo–benefício de uma obra que gerou um gigantesco lago irreversível, “mas que agora temos nele um grande potencial de verão de energia solar”. “Identificamos que existia uma tecnologia de flutuadores que poderia ser utilizada no lago, sem implicar nem na dificuldade da oxigenação, nem na dificuldade de redução de fotossíntese”, explica.

Braga diz que se faz necessário entender a durabilidade das placas, e para isso contará com a ajuda da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), no caso de Balbina. “Vamos fazer uma série de estudos acompanhados pela Aneel, pelo MME e pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), para que nós possamos chegar a produzir, em Balbina, não apenas 5 MW, e sem investir nenhum centavo a mais em infraestrutura podemos chegar a 300 MW de energia, sem aumentar a capacidade de subestação e de transmissão”, afirma.

Previsão

Há 2 anos, o cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Philip Fearnside, em resposta a um questionamento sobre se não seria melhor desativar Balbina, disse em artigo que, um dia, a hidrelétrica poderia ser substituída por alternativas mais limpas “tais como geração eólica ou solar”.

por: Emerson Quaresma

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir