Eleições 2016

Henrique afirma querer ter ‘caneta’ nas mãos para mudar a vida da população manauara

Henrique-Oliveira-Diego-Janata

O candidato falou que ter em mãos a ‘caneta’, lhe faria marcar a vida das pessoas e que por isso aposta em na nova candidatura – foto: Diego Janatã

Vice-governador licenciado e com uma experiência de dois mandatos no Legislativo, o candidato a prefeito de Manaus, Henrique Oliveira (SDD), está convicto de que seu lugar é no Poder Executivo. Não obstante, essa é a terceira vez consecutiva que o político disputa uma eleição majoritária. Nas eleições municipais de 2012, ele conseguiu a proeza de ficar em terceiro lugar no pleito e, em 2014, se eleger vice-governador na chapa que reconduziu José Melo (Pros) ao governo do Estado. Henrique afirma que quer ter a ‘caneta’ nas mãos para poder mudar a vida dos moradores de Manaus.

EM TEMPO – O senhor oficializou sua candidatura a prefeito, mesmo enfrentando um processo de cassação dos direitos políticos na Justiça Eleitoral. Amanhã, por exemplo, entrará em pauta no Tribunal Regional Eleitoral o processo em que pede a cassação de seu mandato de vice, junto com o governador José Melo. O senhor não teme que esses processos prejudiquem a sua campanha?

Henrique Oliveira – Há uma manifestação do nosso adversário que não consegue se contentar com a perda da eleição e de qualquer jeito quer tomar o nosso mandato, achando que a gente comprou 170 mil votos – que é uma coisa impossível. Eu sou totalmente passivo. Não adianta eu me rebelar contra a Justiça. A Justiça está aí para julgar e, enquanto eu tiver direito à defesa, eu vou me defender; e cabe à Justiça dizer se sou culpado ou não. Eu não posso esperar que a Justiça determine para depois eu cumprir os prazos. O prazo para eu estar nas ruas pedindo votos, já começa. Agora, cabe à Justiça dizer se sou candidato ou não ou se irá haver alguma impugnação da minha candidatura. Mas eu vou estar participando do processo até que o Tribunal Eleitoral me impeça de fazê-lo. As pessoas não conseguem entender como é que o Henrique conseguiu 35 mil votos (para vereador). Eles não conseguem ou não querem ver que eu, com essa musculatura toda, fiz com que o (José) Melo com 3%, virasse o jogo e chegasse aos 60% das intenções de voto. Isso é fruto da minha ligação umbilical com as pessoas que são mais carentes na cidade. E se o povo permitir, a gente vai sair bem-sucedido desse pleito.

EM TEMPO – O senhor fala no ‘nosso mandato’ se referindo à gestão no Executivo estadual junto com Melo e a parceria que elegeu a ambos, governador e vice do Amazonas. Mas, nessa campanha municipal, o senhor terá o apoio do governador?

HO – O governador não vai se envolver no primeiro turno porque existem candidaturas que o ajudou a chegar no governo do Estado, como é o caso de Silas Câmara, Marcelo Ramos, que no segundo turno apoiou a candidatura de Melo e o meu caso. Mas, existe uma ligação: o Omar (Aziz) escolheu Marcelo como candidato do grupo. Eu respeito a posição do governador, já que o Pros foi proporcionalmente para o lado do Marcelo e a gente vai se encontrar no segundo turno. A partir de terça-feira (16), eu vou estar na rua com meu exército de 150 candidatos a vereador, um par de tênis e muita disposição para cumprimentar as pessoas e pedir que elas acreditem no nosso projeto. Eu tenho uma relação muito forte com o governador, acredito muito que o Estado está em boas mãos. Apesar de nós vivermos em um momento crítico, que o Brasil atravessa, o Amazonas pagou o 13º salário antecipado, o que demonstra que estamos em boas mãos. Em questão de popularidade, o governador realmente tem essa impopularidade, mas não por corrupção, por estar envolvido com lava jato, nem tão pouco por incompetência. Nós vamos dar a volta por cima; quero ser a pessoa que consegue pegar essa caneta e modifique a vida das pessoas.

EM TEMPO – O senhor reafirma sua função no atual governo, mas tem dito em seus discursos que não é o candidato da “máquina” e, sim, uma alternativa à polarização que se desenha. Como o senhor vai trabalhar esse ponto na campanha?

HO – Eu não tenho como falar mal do meu próprio governo. Eu não tenho como negar que sou o vice-governador. Eu não nego as minhas origens de forma nenhuma. A origem é que eu sou vice-governador licenciado e que vou trabalhar dia e noite para ter o meu espaço que está sendo buscado e que tenha a mesma força que o governador José Melo tem, em decidir os destinos do Estado do Amazonas. A população mostra por meio de pesquisas, que consegue diferenciar muito bem essa minha posição, da posição do governador. Eu tenho 4% de rejeição nas pesquisas eleitorais e isso demonstra que eu estou de bem e que o povo acredita e sabe que eu sou uma pessoa bem-intencionada, que tenho bons projetos para Manaus.

EM TEMPO – Com as novas regras eleitorais, em que endureceu a captação de recursos para financiamento de campanhas eleitorais, qual o custo estimado para sua campanha?

HO – Fizemos uma estimativa de gasto em torno de R$ 4 milhões para o primeiro turno. Acreditamos que não chegue nem a isso. No segundo turno, como o processo é mais rápido e nós vamos ter o mesmo tempo de televisão do nosso adversário e, estamos em uma ação entre amigos, que acreditam nesse nosso sonho de governar Manaus, eu acredito que a gente não chegue nem a um terço disso, do que foi gasto no primeiro turno. Esse dinheiro, mesmo vindo das pessoas físicas, mesmo vindo dos partidos políticos e do fundo partidário, é do povo. Esse dinheiro veio de alguma forma, que não deveria ser gasto com isso. Eu acho que a maior propaganda que um político pode fazer é exatamente a sua conduta, a sua postura e o que ele construiu. A gente sonha em ter essa propaganda de “boca a boca”, de que o Henrique é um cara legal, ficha limpa, com boas ideias.

EM TEMPO – O senhor disputou as eleições municipais de 2012, ficando em terceiro lugar no pleito. À época, o senhor se apresentou como o codinome de “Cabeção” e mostrando um Henrique de forma lúdica e com algumas sátiras. Esse formato será repetido nesta campanha de 2016?

HO – Não é porque eu me tornei vice-governador que eu vou parar de tentar me comunicar com as pessoas e atender a um grito de “Cabeção!”. Acho que isso criou um vínculo mais estreito com elas. A nossa campanha foi descontraída, mas não “palhaça” e nem caricata. Mas, por meio de conceitos lúdicos e bem-humorado, passamos essa ideia. A campanha, hoje, terá 150 inserções diárias de 30 segundos, mais 10 minutos de manhã e à noite. Ninguém vai aguentar ver a cara dessas figuras envolvidas com a Lava Jato, gente que não consegue se expressar, se não tiver uma produção gostosa de se ver. Nisso, nós somos “expert”. Vamos manter a mesma produção, a linha séria com sátira, com bom-humor, com espiritualidade, com leveza. A televisão aberta, eu acho que vai influenciar muito pouco na decisão do telespectador. Ela pode influenciar inclusive, negativamente, se não for bem utilizada.

EM TEMPO – O senhor vai aproveitar seu plano de governo elaborado para a campanha de 2012 nesta eleição? O que permanece e o que foi retirado?

HO – As funções norteadoras da nossa administração são exatamente as mesmas da campanha de 2012, quando eu fui candidato a prefeito. Isso que é lamentável. A grande maioria das pessoas que nasceram nessa cidade ou que vieram para cá nos últimos 20 anos, percebem que Manaus patina nessas intenções e que, as coisas que são propostas não viram realidade. Essa “ilha da fantasia” que Manaus virou, uma cidade virtual, que é bonita na propaganda eleitoral e na televisão; quando existe uma prestação, é totalmente irreal. Dentro desse plano de governo apresentamos mobilidade urbana, transporte coletivo, construção de creches. É o básico do básico. Precisamos reconstruir a cidade, desde o alicerce. Isso tem que ser encarado com inteligência. Estamos no século 21 e não conseguimos emplacar em Manaus o semáforo. Não há nenhum tipo de comprometimento dos grupos que já estão formados e que governam este município há mais de 20 anos.

EM TEMPO – O senhor já teve duas experiências no Legislativo e está na terceira eleição majoritária. O Henrique Oliveira se desinteressou da atividade parlamentar?

HO – Nesses dois mandatos como parlamentar eu tive uma experiência boa, mas aprendi que se você não tiver com a caneta na mão, você não resolve absolutamente nada, você não resolve a vida das pessoas. Legislar em um país como o Brasil e um Estado como o Amazonas, onde o Legislativo é subserviente ao Poder Executivo, porque pode vetar as matérias que foram muito bem avaliadas, muito bem propostas; não existe a regulamentação destas leis. Estas leis não são levadas a sério. Essas leis não são aplicadas no dia a dia. Num país onde existe medida provisória, onde acontece tudo isso. Eu me decepcionei com o Legislativo. Eu acho que para deixar uma marca na vida das pessoas, eu precisaria ter a caneta para poder definir com clareza essas políticas. Daí, nasceu de novo a necessidade da minha candidatura. A minha condição de vice se parece muito com essa reserva: que o Henrique está ali e eu assumo o governo, mas eu não tenho como demitir um secretário, eu não tenho como fechar uma determinada escola ou abrir uma determinada escola.

Por Fabiane Morais

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