Esportes

Habilidade urbana nos semáforos de Manaus

Alberto mostrando habilidade nas ruas de Manaus. Bicampeão sul-americano, o venezuelano agora sonha em conquistar o Mundial de footbag - foto: Ione Moreno

Alberto mostrando habilidade nas ruas de Manaus. Bicampeão sul-americano, o venezuelano agora sonha em conquistar o Mundial de footbag – foto: Ione Moreno

O venezuelano Alberto José Perez, 34, foi mais uma vítima do governo de seu país, que vem enfrentando uma grande crise financeira e política. Ele se mudou para Manaus a cerca de três meses, e encontrou nos semáforos das principais ruas da cidade, um meio de ganhar dinheiro e demonstrar ao público seu esporte favorito, o Footbag, que é praticado com uma pequena bola, onde o participante tem que mostrar suas habilidades.

Além de atleta profissional do Footbag, ele também já conquistou o bicampeonato sul-americano do esporte. E é nos semáforos onde ele encontrou refúgio para se sustentar e buscar o sonho de competir o Mundial da modalidade.

“Estou aqui em busca de uma oportunidade e para honrar o footbag. Devido à crise do meu país tive que deixar tudo para trás, família, namorada, estudos e, hoje, estou aqui trabalhando noite e dia para conseguir dinheiro e poder chegar até o topo dos meus sonhos para esta modalidade, no campeonato mundial de footbag, que será no ano que vem”, conta.

A disputa na qual ele se refere, é o 38º Encontro Anual de Competição Mundial de Footbag, que será realizado em agosto de 2017, na cidade de Portland, nos EUA. Potencial para as disputas ele tem, pois nos anos de 2011 e 2012 ele conquistou os títulos de melhor atleta da América do Sul, pelas categorias freestyle, onde ele pode disputar em estilo livre, e open net, que é bastante parecido com o voleibol, só que jogado com os pés.

“Tenho muito orgulho de ser um dos poucos representantes do footbag em meu país, onde em 2011 tive a oportunidade de vencer em casa o meu primeiro campeonato sul-americano, e no ano seguinte poder dar sequência ao título, ao conquistar o bicampeonato, na cidade de Medellín, na Colômbia”, declarou.

A busca para concretizar o sonho vem a cada trocado conquistado nos semáforos das avenidas Constatino Nery e Mário Ypiranga e na rotatória do conjunto Eldorado, seus principais pontos de trabalho.

O malabarismo e técnicas expressos por meio do footbag encantam e paralisam todos que assistem o espetáculo que Alberto denomina como uma grande arte.

“Quero atrair os olhares da população, mas não quero viver nas ruas para sempre, não escolhi estar aqui. Infelizmente, somos julgados e comparados com os que estão ao nosso lado, usando drogas, se prostituindo, mas, eu, assim como muitos que trabalham na rua, tenho caráter e o sonho de ser reconhecido pelo meu trabalho no esporte. Tenho fé de que nas ruas poderei atingir as autoridades locais, e um dia, quem sabe, poder apresentar o footbag para outras pessoas e representar o país em grandes competições”, vislumbra.

Por Wal Lima

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