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Guerreiros em casa e nas ruas: pais se arriscam em profissões perigosas

O sargento Daniel Nunes pertence ao 2º Batalhão de Choque (Rocam)-Janailton Falcão

Escolher a carreira profissional é uma tarefa difícil, ainda mais quando se precisa conciliar com uma das maiores missões da vida, a de ser pai. Ele é tido como o primeiro herói da vida de um filho. Sendo bombeiro, policial militar de uma força de elite, delegado ou até mesmo taxista, há sempre a preocupação de que um dia ele possa não retornar para casa.

Policial militar há ao menos 16 anos, o sargento Daniel Nunes pertence ao 2º Batalhão de Choque, também conhecido como Rondas Ostensivas Candido Mariano (Rocam), ingressou na carreira policial com 18 anos. “Fui aprovado no concurso de 2001. Em 2008, fiz o curso de formação de cabo e fiquei 5 anos nessa patente, hoje sou 3º sargento”, contou.

Quando questionado do que havia mudado na sua vida depois de se tornar pai, Daniel revela. “Depois que se tem um filho, muitas coisas mudam para melhor. Tornei-me um ser humano mais prudente e preocupado, principalmente nas ocorrências, pois sei que meu filho está me esperando retornar para casa”.

O filho, que leva o mesmo nome do pai, Daniel, 6, admira a profissão do pai. “Eu quero ser policial também”, disse o menino.

Assim como o sargento Daniel Nunes, o bombeiro militar cabo Denis Wilson Lira Ferreira ingressou bem jovem no serviço à sociedade, por meio do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). “Entrei na corporação com 19 anos solteiro e sem filhos. Eu podia ir para uma viagem ou entrar em uma missão sem ter preocupação de ter alguém esperando em casa, além dos meus pais, hoje tudo é bem diferente”, afirmou.

Pai de três meninas, Wilson conta que a paternidade lhe deu um olhar mais sensível à vida e, principalmente, a ver o próximo com muito mais cuidado com o que tinha antes. “Uma coisa que mudou muito em mim foi em relação às ocorrências que envolvem crianças. Hoje eu tenho muita sensibilidade com os pais, mas, principalmente, com as mães que estão sozinhas. As crianças que não têm o pai e que as mães assumem esse papel”, relatou o bombeiro.

Carreira herdada

O investigador de Polícia Civil Paulo Ricardo Nascimento, 38, se inspirou no próprio pai para decidir sua carreira profissional. “Meu pai é meu tudo! Meu herói, o modelo de profissional que sempre admirei”, conta Paulo, com muito entusiasmo.

Sendo de uma tradicional família gaúcha, o pai de Paulo Ricardo, Luis Fernando Nascimento, é delegado de polícia e se mudou para Manaus na década de 1980. “Meu pai veio para cá em 1986, é formado em direito e fez o concurso para delegado”, disse o investigador.

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“Formei na mesma graduação e fiz concurso para a polícia também, sou muito realizado profissionalmente. Mas afirmo: o que mais me marcou foi que meu pai sempre reunia com os amigos de profissão para conversar sobre as coisas de trabalho e eu era muito curioso e ficava de fora. Depois que fui aprovado no concurso, ele fez um tradicional churrasco e me chamou para participar da confraternização, ganhei o dia”, relembra o investigador.

O amor pela profissão do pai foi tanto que contagiou a filha mais velha do investigador. “Minha filha tem 19 anos e quer cursar a faculdade de direito para fazer concurso para a carreira policial também”, disse.

Preocupações são maiores

Outra mudança na vida de Denis foi no comportamento e na precaução dentro de casa. “Depois que tive minhas filhas, a minha atenção é redobrada dentro de casa. Aprendemos com os erros dos outros e cuidamos para que não aconteçam no nosso lar. Criança jamais, em hipótese alguma, podem ficar sozinhas, devem sempre estar sob a supervisão de um adulto”, afirmou Wilson.

Bruno Mendes Reis, 38, é pai de três filhos e entrou no ramo há pouco tempo – Márcio Melo

Quanto à escolha das profissões de suas filhas, ele acredita que elas vivem a parte da novidade. “Elas são pequenas e sempre trago quando posso para ver o carro dos bombeiros, as luzes. A caçula gosta de ver as cores, elas gostam de me ver descer no poste. Não consigo imaginá-las trabalhando aqui, me imitam prestando continência. Mas acredito que escolherão outra coisa para fazer”, contou.

Uma profissão de alto risco também é a de taxista. Bruno Mendes Reis, 38, é pai de três filhos e entrou no ramo há pouco tempo. “Estou há seis meses trabalhando com táxi, minha esposa é professora e eu sou técnico em mecânica. Diante da crise, resolvi trabalhar como taxista para prover o sustento de minha família”, disse Bruno.

A mulher dele, Andreza Pedrozo, admira a preocupação dele com os filhos. “É um pai participativo, que acompanha o desenvolvimento e me ajuda bastante em tudo o que preciso”, afirma Andreza.

Bárbara Costa

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