Cultura

Grupo Teatro da Vertigem realiza laboratório cênico em Manaus

Atividades gratuitas serão realizadas até o próximo dia 30 e são direcionadas para estudantes e profissionais de artes cênicas - foto: divulgação

Atividades gratuitas serão realizadas até o próximo dia 30 e são direcionadas para estudantes e profissionais de artes cênicas – foto: divulgação

Manaus entrou no circuito do projeto “Kafta na Estrada”, do renomado Teatro da Vertigem de São Paulo, desde ontem. A programação gratuita, com patrocínio da Petrobras, traz à cidade atividades de laboratório cênico. As aulas serão conduzidas pelos diretores do Vertigem.

O laboratório de criação cênica é destinado a estudantes, atores, diretores, artistas locais e profissionais das artes. As atividades iniciaram ontem, e seguem até o próximo dia 30, das 14h às 17h, na Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA/Esat), localizada na avenida Leonardo Malcher, 1.728, Praça 14. O laboratório também terá uma edição no Les Artistes Café Teatro, na avenida Sete de Setembro, 377, Centro, no dia 1º de julho.

A diretora Eliana Monteiro, integrante do grupo Teatro Vertigem desde 1998, será uma das responsáveis pelo laboratório cênico em Manaus. Ela, que é formada em artes cênicas, em interpretação e em direção, já foi responsável pela direção da intervenção urbana “A Última Palavra é a Penúltima 2.0”, por ocasião da 31ª Bienal de São Paulo, e dos espetáculos “Mauísmo”, “Kastelo” e “O Filho”.

Eliana também coordena o núcleo de encenação do Programa Vocacional da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, e atualmente, desde 2013, coordena o projeto Espetáculo das Fábricas de Cultura do Estado de São Paulo.

Na passagem por Manaus, o grupo vai desenvolver atividades que envolvem intervenções urbanas. “Vamos trabalhar com jogos urbanos, com deriva – uma prática feita pelos situacionistas – que é a prática que nos permitiu construir, por exemplo, o espetáculo ‘A Última Palavra’”, pontua Monteiro.

Uma das principais características do Teatro Vertigem é utilizar a cidade e os espaços urbanos não convencionais como fonte para criação e interação com o meio. A Última Palavra é a Penúltima, a partir do texto “O Esgotado” de Gilles Deleuze, é um exemplo disso. A intervenção aconteceu na passagem subterrânea da Xavier de Toledo, centro de São Paulo, que estava fechada desde 1998. Eliana destaca que essa característica será explorada nas atividades do laboratório.

“Através dos jogos urbanos a gente cria dispositivos ou cria algum jogo que acontece na rua. Os participantes em relação a arquitetura e ao dispositivo – método criado pela gente – isso vai trazendo a questão lúdica, você vai se perdendo na cidade e você vai encontrando novos pontos de vista. O seu corpo, as texturas da cidade, os ruídos e a arquitetura vão compondo uma outra paisagem e a partir daí a gente vai pensar como interferir nesse urbano”.

No decorrer do laboratório os participantes vão poder sugerir um espaço urbano que será ocupado. “Ainda não sabemos o espaço que vamos ocupar. Mas com certeza vamos ocupar um espaço. Durante o laboratório vamos escolher junto com os participantes um lugar para ocuparmos”, reforça.

Experimentos

O Teatro da Vertigem iniciou seus trabalhos com experimentos baseados na Mecânica Clássica aplicados ao movimento expressivo do ator. Esta pesquisa gerou um repertório de treinamento que foi concretizado estética e artisticamente com “O Paraíso Perdido” – primeiro espetáculo da companhia – que estreou um ano após o início das pesquisas na Igreja Santa Ifigênia, em São Paulo, e permaneceu em cartaz por oito meses consecutivos participando, ainda, de festivais nacionais.

Buscando desenvolver a ocupação de espaços não convencionais, o grupo iniciou seu segundo projeto, “O Livro de Jó”, aprofundando-se nas possibilidades cênicas do espaço e na exploração e utilização de objetos e materiais do local, que influenciaram diretamente todas as outras áreas de criação. O espetáculo estreou em 1995, no Hospital Humberto Primo em São Paulo e seguiu carreira apresentando-se em Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, e também em Bogotá, na Colômbia, e em Ärhus na Dinamarca.

Em 1998, “O Livro de Jó” foi o primeiro espetáculo brasileiro a representar o país no III Festival Internacional de Teatro Anton Tchekhov, em Moscou, em razão das comemorações do centenário do Teatro de Arte de Moscou.

O grupo Teatro Vertigem é reconhecido pela utilização de lugares não convencionais das cidades como espaço cênico. Outra característica é a criação de espetáculos com base no depoimento pessoal dos seus integrantes, o forte eixo investigativo que prima pela busca de um teatro construído de forma coletiva e democrática entre atores, dramaturgo e encenador – conhecido como processo colaborativo e a pesquisa sobre os processos de interferência na percepção do espectador.

Parceria

Em 2016, a parceria do Teatro da Vertigem com a Petrobras completa 10 anos. Um acontecimento importante que o grupo comemora e reconhece como essencial para a manutenção do trabalho.

“Ao longo dos últimos 10 anos, construímos com a Petrobras uma relação de parceria que vem viabilizando algo raro no Brasil hoje, pensar a continuidade da pesquisa e experimentação teatral. E isso é algo que devemos celebrar”.

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