Política

Grupo de Cunha defende Esperidião Amin no comando da Câmara

O parlamentar votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e sempre esteve a frente de pautas defendidas por Eduardo Cunha - foto: divulgação

O parlamentar votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e sempre esteve a frente de pautas defendidas por Eduardo Cunha – foto: divulgação

A expectativa de que o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), renuncie ao cargo de primeiro vice-presidente da Casa tem gerado movimentações sobre seu sucessor.

Em casa desde que teve a presidência e o cargo de deputado federal suspensos, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) articula nos bastidores a manutenção de seu grupo no poder da Casa. Já existe um acordo formado para que, assim que Maranhão renunciar ao cargo, o bloco que o PP integra vai indicar outro nome.

Há um consenso sendo formado em torno do nome do deputado Esperidião Amin (PP-SC). O parlamentar votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e sempre esteve a frente de pautas defendidas por Eduardo Cunha.

Caso Maranhão realmente renuncie à vice-presidência da Câmara, como todos esperam, haverá um prazo de cinco sessões legislativas para uma nova eleição para o cargo. Com a indicação de Amin, a expectativa do grupo próximo a Cunha é que ele consiga apoio da maioria do plenário e permaneça na vice-presidência até o início do ano que vem, na prática, no comando da Câmara.

A preferência inicial de Cunha, assim que recebeu a notícia de seu afastamento, era colocar em seu lugar um de seus mais fiéis aliados, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF). Assim, abriria caminho para Rosso no novo ministério de Temer a partir do ano que vem, o que abrira portas ao parlamentar na disputa pelo governo do Distrito Federal em 2018.

Contudo, uma eleição para a Presidência da Câmara neste momento poderia gerar um racha na base de Temer na Casa, uma vez que outros aliados, como o PSDB, também iriam querer ter candidatos. Isso dificultaria a aprovação de medidas essenciais logo no início do governo do peemedebista.

Derrocada

A reviravolta na permanência de Maranhão à frente da Câmara teve início na manhã de segunda-feira (9), quando o pepista decidiu anular o impeachment de Dilma Rousseff.

Por meio de um ofício enviado ao Senado, o deputado informava a anulação das sessões da Câmara que ocorreram entre os dias 15 e 17 de abril, quando a admissibilidade do processo foi julgada no plenário da Casa, e pedia a Renan Calheiros, que preside a Casa vizinha, que devolvesse o processo aos deputados.

Entre as principais alegações de Maranhão, o fato de as bancadas terem orientado os votos dos deputados. Esse, inclusive, é um dos argumentos utilizados por integrantes de seu partido para pressionar a cúpula do PP a ameaçar expulsá-lo do partido sob o argumento de que um deputado que não cumpre a orientação da legenda não pode permanecer filiado.

Esta tarde, a Mesa Diretora da Câmara está reunida e já tem maioria de votos para que Maranhão renuncie. Ele se mantém firme e diz que não vai abrir mão da cadeira. Em troca do cargo, o PP diz que não o expulsa do partido.

O deputado nunca teve grande expressão na Câmara antes de ser alçado ao cargo. Desde que assumiu a vice-presidência da Casa, vinha se mostrando fiel a Cunha. Por diversas vezes, decidiu favoravelmente a ele em recursos que beneficiavam o peemedebista no Conselho de Ética.

Desde o afastamento de Cunha da Presidência, contudo, embora fosse visto com ressalvas por sua pouca capacidade legislativa, não se acreditava que ele pudesse surpreender com uma decisão, que pegou até mesmo a equipe do vice-presidente da República, Michel Temer, de surpresa.

Por Folhapress

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