Dia a dia

Grito dos Excluídos leva entidades às ruas de Manaus; saída de Temer também foi ‘gritada’ no ato

A 22ª edição do ‘Grito dos Excluídos’ levou cerca de mil pessoas às ruas de Manaus na tarde desta quarta-feira (7). A manifestação popular, que teve início na rua 10 de Julho, Centro da cidade, finalizou na Praça Ismael Benigno, no São Raimundo, Zona Oeste. O ato é realizado em diferentes cidades do Brasil.

Com o lema ‘Este sistema é insuportável: exclui, degrada e mata’, na capital amazonense, o ato organizado pela Arquidiocese reuniu crianças, jovens, mulheres, idosos, indígenas e outras classes populares, que reivindicaram igualdade social, chamando a sociedade em geral para refletir acerca de problemas relacionados à saúde, moradia, educação, juventude, causas indígenas e, também, saneamento básico.

Segundo a organização, o lema deste ano faz alusão a um discurso do papa Francisco durante o Encontro Mundial com os Movimentos Populares, realizado na Bolívia, onde o pontífice falou da urgência em romper o silêncio e lutar por mudanças reais dentro do sistema capitalista. No discurso, o papa declarou que “a política é a forma mais sublime de exercer a caridade”.

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Movimentos sociais e Cáritas, da Arquidiocese, organizam o evento anualmente – foto: Márcio Melo

“O evento traz essa dimensão de repensar o sistema econômico, que possam incluir os excluídos da sociedade. E se olharmos apenas para Manaus, veremos milhares nessa situação, sem água, sem habitação, no qual nós temos que dar uma resposta para isso”, disse o padre Orlando dos Santos, da Arquidiocese de Manaus, que integra a equipe organizadora do ato.

O pároco afirma que é preciso insistir por melhorias nas políticas públicas igualitárias. “Sem dúvida, precisamos reinventá-la para que os que ficam à margem tenham acesso a elas”, disse.

Um dos candidatos a prefeito de Manaus, José Ricardo (PT), esteve presente na caminhada. O prefeiturável afirma que participa do ato em todas as edições e que esta, em especial, serve para ouvir os apelos dos populares para que, se eleito, consiga sanar os problemas ali reivindicados.

“Ajudei na organização das 10 primeiras edições deste evento. E agora, como candidato, é bom ouvir esses clamores para que possa ver as prioridades da administração. Aqui, vejo a maioria pedindo por saúde básica e isso é dever do município. Mas queremos atender às classes em geral”, disse José Ricardo.

Em Manaus, o Grito dos Excluídos também contou com música e dança, organizadas pela Pastoral da Juventude (PJ).

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O ato deste ano protestava contra o capitalismo – foto: Márcio Melo

 

Reinvindicações

O ato começou em uma caminhada, com algumas paradas, na 10 de Julho e, no bairro Aparecida fez a primeira pausa para que representantes das entidades presentes pudessem defender suas classes e reivindicar por melhorias.

O líder sateré-mawé, Pedro Ramal, falou que as etnias indígenas precisam engrossar o coro do Grito por falta de políticas públicas voltadas à classe que representa. Segundo ele, os benefícios do poder público ainda não chegam às terras tradicionais e isso prejudica a igualdade entre os povos.

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Diversas etnias indígenas participaram do Grito dos Excluídos – foto: Márcio Melo

“Somos excluídos na educação, na saúde, no saneamento básico e até nas questões de identidade cultural. Somos esquecidos porque, a cada nova gestão, precisamos reconquistar tudo que conseguimos nas lutas anteriores. Então, isso é um retrocesso. Por isso, quando a Igreja escolhe um tema, viemos somar porque sabemos que somos contemplados no que buscam pelas pessoas”, declarou o líder, que no ato também falou pelas etnias Tikuna, Mura, Tukanus, Kameba, Baré, Dessana e outras.

A secretária de mobilização da União da Juventude Socialista (UJS), Keully Leal, lembrou os últimos fatos ocorridos no cenário político e disse que a palavra de ordem para o momento é empoderamento.

“Os movimentos estudantis entendem que pelo que estamos vivendo, precisamos nos empoderar. A juventude precisa gritar e se preparar. Daqui para frente a tendência é retroceder em tudo que já foi conquistado nas nossas lutas, portanto, a gente entende a importância de ir para as ruas como um dos excluídos”, declarou a jovem.

O impeachment sofrido pela ex-presidente Dilma Rousseff também foi o motivo de ir às ruas do estudante Rafael Gomes, 19. Para ele, além de retrocesso político, a permanência de Michel Temer na presidência é um “golpe na democracia”.

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Pessoas contrárias ao impeachment sofrido por Dilma também foram às ruas com cartazes escritos ‘Fora Temer’ – foto: Márcio Melo

 

Impeachment

Contrários ao impeachment à Dilma Roussef, aprovado pelo Senado no dia 31 de agosto deste ano, também estiveram presentes no Grito dos Excluídos.
Durante todo o trajeto, até antes do início da missa, parte dos manifestantes gritavam “Fora, Temer!” e “Golpista”.

Mesmo com o ato contra o presidente, não houve registro de violência. A manifestação contou com o apoio de 30 policias militares (das 5ª e 24ª Companhia Interativa Comunitária – Cicom), do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Por Rosianne Couto

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