Economia

Greve na Receita Federal preocupa os empresários do Amazonas

Desembaraço de mercadorias deverá ficar mais lento com operação padrão que auditores fiscais da Receita Federal vão adotar com a greve - foto: divulgação

Desembaraço de mercadorias deverá ficar mais lento com operação padrão que auditores fiscais da Receita Federal vão adotar com a greve – foto: divulgação

O comércio e a indústria amazonense, que já sofrem com as influências negativas da crise política e econômica, temem prejuízos maiores nos próximos dias com a operação padrão dos auditores da Receita Federal.

A partir de quinta-feira (14), duas vezes por semana, os 400 servidores do órgão vão cruzar os braços nos portos e aeroportos da cidade em relação à liberação de mercadorias. A iniciativa aumentará os custos dos setores, uma vez que as empresas pagam pelos dias que os contêineres ficam nos portos e nos aeroportos.

Empresários do comércio varejista e do Polo Industrial de Manaus (PIM) defendem o direito dos trabalhadores de reclamar pelo reajuste. No entanto, eles pedem que os auditores fiscais da Receita procurem outra estratégia para cobrar o reajuste do governo federal, que não prejudique os empresários e os consumidores.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag, disse que o setor até ajudou os servidores da Receita com abaixo-assinado pelo reajuste dos seus salários. Mas, agora, com as paralisações da liberação das mercadorias, observou que os produtos correm o risco de ficarem mais caros.

Segundo ele, há contêineres que custam R$ 50 mil, dia, mas há outros que custam R$ 200 mil.

“Nós nos juntamos com eles (os auditores fiscais) no abaixo-assinado. Achávamos que o problema seria resolvido pelo presidente interino (Michel Temer), que prometeu dar o reajuste, mas recuou. Agora, com essas paralisações, será pior para a sociedade que vai pagar mais caro, porque a cada dia no porto a carga fica mais cara, num momento que estamos em busca de fazer milagre para evitar repassar os custos para o consumidor”, explicou.

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, o desembaraço de mercadorias, que já sofre com lentidão, deve piorar com a operação padrão dos servidores da Receita Federal.

“Não será ruim só para a indústria. Será para todos. Vai ser um transtorno generalizado. Vamos sofrer um retardamento maior no desembaraço de mercadorias porque o que já é devagar, vai piorar com as paralisações”, comentou.

Apesar de afirmar que entende as razões dos auditores fiscais, Azevedo avaliou que o protesto vem num momento em que a indústria deixa de piorar os seus índices e, com atraso na liberação dos insumos, poderá acumular maiores prejuízos. “Entendemos que é um direito sagrado do trabalhador, mas o momento requer mais colaboração de todos. O cenário hoje é de queda geral na arrecadação, de altas taxas de desemprego e essa paralisação afetará ainda mais o mundo dos negócios do Brasil”, avaliou.

Por Emerson Quaresma

1 Comment

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  1. Angela

    13 de julho de 2016 at 09:42

    Eu queria ver o defesenor público ou ministério público ou quem quer que seja entra com uma ação na justiça obrigando os servidores da Receita Federal retomar ao trabalho como fizeram com os motoristas de ônibus.

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